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Poliamor: entre o libertário e o elitista

domingo, 23 de novembro de 2014.
Ave Butler! Hail Derrida!

Fiquei varios meses sem blogar por diversos motivos- entre eles a descoberta de que sou diabética, e as questões existencialistas subsequentes a tal descoberta. Resumindo, literalmente quase morri nos ultimos meses e essa experiencia me obrigou a rever todo minha vida. Sobre isto falarei mais nos proximos posts, até para dar informe ás pessoas queridas e axs leitorxs.

Decidi ente outras mudanças ser bem mais sucintx nos textos desse blog, que eram pra ser mais divertidos e "heavy-metal", mas dessa vez terei que me delongar um pouco, resumindo minha posição sobre a polêmica dos modelos "alternativos" de relacionamento. Fiquei devendo a anos este texto á amigos que fazer parte do Movimento de Relações Livres  (RLis) e a ligação com as bandeiras LGBT Ao meu ver, não ligação nenhuma, uma coisa não tem nada a ver com a outra, ou sendo pessimista, tal discussão acaba só atrapalhando o avanço das lutas do Movimento.



Vou pegar como "gancho" um texto do querido pesquisador "queer" Leandro Colling, com o qual discordo veementemente. Importante notar que se trata de uma discussão que vem pegando fogo á muitos anos :

FONTE; http://www.ibahia.com/a/blogs/sexualidade/2014/08/02/monogamia-e-a-violencia-de-gener/

"O pesquisador Miguel Vale de Almeida, muito conhecido no campo das sexualidades e gêneros do Brasil, diz que não critica a poliamoria em si, mas é um dos que entendem que a ligação de pautas do poliamor com o movimento LGBT torna mais difícil a aprovação de marcos legais que favorecem as pessoas LGBT"

Pior que isso, a vinculação do debate sobre poliamor e relações livres ofusca, descentraliza as pautas principais do movimento LGBT, que são (ou deveriam ser) as ligadas as subversões das fronteiras de gênero e a diversidade identitária, o que  incluiria as questões trans. O numero de pessoas com as quais nos relacionamos é uma bandeira estranha ao movimento LGBT e é própria do Movimento pela Liberação Sexual -derrotado no século XX, justamente por não se propor a atender as necessidades subjetivas específicas da população não-cis/hétero. E  acaba servindo para ofuscar as verdadeiras demandas.

Não se discute se é um direito humano ter quantos parceirxs, companheirxs quiser e PUDER. Até por que um debate que nunca vi nenhum poliamorista fazendo é sobre a diferença entre "querer" e "poder", o que põe o Poliamor/RLis dentro de uma lógica elitista e neo-liberal. Aquela velha lógica de que "todo mundo pode é só desejar e merecer", ou, parafraseando a famosa frase da Maria Antonieta, "se não consegue casar com uma pessoa, namore com várias". E invisibilizando e excluindo os grupos não alinhados com o discurso heteronormativo, justamente as "beesha-queer"

Não, o "direito" ao Poliamor nós sempre tivemos, melhor, sempre nos foi IMPOSTO pela sociedade heterocisnormativa- muito ao contrário do que o autor do texto afirma. O direito que nos falta conquistar, pelo contrário, é o do Casamento Monogâmico Igualitário, esta sim uma bandeira progressista e por que não dizê-lo, revolucionária, já que muda todo um paradigma, uma construção social acerca da célula-mater da sociedade que ainda é a familia. principalmente num pais onde há um esforço no sentido de conservar  um modelo de Familia Patriarcal, baseado na relação entre um homem e uma mulher com fins exclusivamente procriativos.

Amor Livre, RLi's, Poliamor, etc... são modelos e propostas válidas dentro da discussão sobre a Diversidade Sexual. Tão válidas quanto o modelo monogâmico. Alias, ao meu ver são falsas polêmicas, debates que já deveriam ter sido superados á muito tempo, cada umx faz o que quiser de sua vida amorosa e ponto-final. Agora usar este discurso para ofuscar a discussão de gênero e dos grupos marginalizados dentro do proprio segmento LGBT, para ir contra a bandeira progressista do Casamento Civil, deslegitimando esta pauta, por questões de cunho teórico-politico ("maldito contrato burguês", dã :P ), tentando inclusive comparar a monogamia com uma doença mental, como já vi coletivos que se dizem "progressistas" fazerem (quanto tempo faz que despalogizaram a homossexualidade, mesmo?) é uma atitude autoritária reprovável e comparável ao discurso dos mais ferrenhos e radicais fundamentalistas religiosos homofóbicos.

E por fim, respondendo ao autor do texto, "poliamor tambem mata(!)", Para que haja violência são necessárias apenas duas ou mais pessoas convivendo juntas Alias tende-se a reproduzir muito mais violência de gênero entre grupos poliamorosos que entre casais monógamos, justamente por que onde tem mais gente tem mais confusão e desentendimentos, e porque, repito, a defesa de modelos de afetividade não-monogâmicos, como se fosse a "salvação da lavoura", esconde, escamoteia aquela que deveria ser a principal questão, os construtos de gênero como ferramentas de poder, além de sequer garantir a quebra de padrões de estética e comportamento, sendo assim práticas que tendem ao elitismo e á exclusão.

 No closet

Desbundai e putiái!

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