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"Radicalização pra quem?" Sobre o tema do XIII ENUDSG

terça-feira, 13 de outubro de 2015.
Hail, Neken!

À seguir, uma tese a ser apresentada como discussão ao XIII ENUDSG- Encontro Nacional em Universidades sobre Diversidade Sexual e de Genero, na sua edição de 2015. Tem como objetivo aquecer o debate e demonstrar o por quê a absurda bandeira da "luta anti-capitalista" é inviável, retrógrada no interior dos Movimentos Sociais- e por que deve ser abolida das pautas do ENUDSG. O texto é muito grande para um blog (12 paginas de Word ao todo) por isso disponibilizarei em breve também em versão .pdf

Infelizmente, não foi possivel apresentar este tema "oficialmente" como matéria do Encontro, devido a questões de tempo e politicas (golpes e ameaças que prefiro nem denunciar). Mas fica como orientação para as proximas oportunidades.

Temas a ser apresentados:

+O mito da Esquerda Progressista
+Conjuntura dos Movimentos Sociais
+O Capital inclui ou exclui as minorias?
+Como o Estatismo atrapalha a luta por direitos.
+Hiro Okita; Como não se fazer História
+Mas o que fazer?
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“RADICALIZAÇÃO PRA QUEM?”- POR UMA MILITÂNCIA DE RESULTADOS.
(MANIFESTO E ANTI-TESE A SER DISCUTIDA NO PRÓXIMO ENUDSG)
                Por Dorothy Lavigne, militante trans e estudante de História pela UFRJ.  
                                  
  “Antes de querer mudar o mundo, limpe a sua casa”
(Provérbio chinês minimamente adaptado)

INTRODUÇÃO:

A organização do Encontro Nacional em Universidades sobre Diversidade Sexual e Gênero (ENUDSG) deste ano de 2015 surpreendeu-me, e à vários membros do movimento social com o tema panfletário "Radicalizando as Lutas: o Enfrentamento ao Cis-tema em Tempos de Crise", uma proposta coincidente com a posição de organizações partidárias (em especial do PSOL e PSTU) e colocada de forma autoritária, parecendo mais uma tomada de posição centralista que uma proposta de debate.

Importante logo de inicio pontuar que este tema e tais propostas, que incluem a mudança do nome do Encontro, e que dizem respeito a algumas das maiores polêmicas históricas no interior do movimento LGBT e que, longe de serem consenso, estão sendo postas na surdina, numa conjuntura de descrédito de organizações partidárias e esvaziamento politico, num momento em que militantes independentes temos tido a participação limitada nestes eventos pela negativa de Reitorias de viabilizar transporte, apenas como exemplo.

A luta anti-capitalista, tema exógeno que só vem atrapalhado na organização dos movimentos sociais foi colocada como um consenso que nunca existiu, é uma das maiores controvérsias políticas no segmento LGBT, desde sua fundação  e que está longe de ser resolvida. Pior, por trás da tal luta anticapitalista há uma intenção de fagocitar os movimentos sociais para alimentar os partidos. E mais greve, exclui dos espaços de discussão política quem discorda da dogmática marxista, silencia as oposições, muitas vezes com ameaças e apelando para calúnias e difamações.

Qual a necessidade prática do discurso anti-capitalista na atual conjuntura dos movimentos sociais? 

Que interesses, quais as estratégias que a denuncia da “exploração da mais-valia” nos apresenta, de forma viável e à curto prazo? Quais os direitos e deveres que conquistaremos culpabilizando a “burguesia”, ao invés de buscarmos soluções coerentes com o sistema político-econômico em que vivemos? Se o objetivo dos movimentos de minorias não é a inclusão na ordem capitalista, direitos e cidadania aos excluídos, qual mais o seria? Qual o caráter e as táticas de radicalização que se propõe e a quem isto serve? Como diz o famoso “meme” da Internet, “qual a necessidade disso?”. What’s the plan?

Estas são algumas questões que têm necessidade de ser melhor debatidas no próximo ENUDSG, antes de tentar impor qualquer  consenso e que me proponho e expor agora, sobre um prisma heterodoxo, mais liberal e arejado, coerente com o século em que vivemos. Formam um “rascunho”, um peça de construção gradual e que não está acabada.


O MITO DA ESQUERDA PROGRESSISTA:

Uma falácia muito comum é a de que a esquerda política representa a defesa das minorias, dos oprimidos, dos explorados, dos Direitos Humanos e Individuais e que isto a diferencia em relação a tal da direita. Mas não passa de construção discursiva vazia, maniqueísta, moralista. “Super Xuxa contra Baixo Astral”, como bem observou um colega nosso.

Antes de tudo é preciso definir o que vem a ser “esquerda”. Devido a um fenômeno bastante conhecido nas ciências políticas, denominado “Janela de Overton”, a definição de esquerda na América Latina é bem diferente dos EUA e da Europa. Por aqui a noção de esquerda se limita à grupos marxistas/anarquistas ortodoxos cujas principal bandeira é a defesa, `a qualquer custo, doa à quem doer (geralmente dói nos mais pobres e excluídos) da Revolução Proletária.

É por isso que nos EUA, um partido social-democrata, como o PSDB dificilmente angariaria votos, seria tachado de “socialista” (como de fato o é), enquanto no Brasil, o tucanato é visto como “direita conservadora”. Ser de direita ou esquerda é uma questão relativa, ou melhor, construção retórica cada vez mais em desuso que visa tão somente a generalização, estigmatização e o ataque moral de cada um dos lados. E no caso específico do Brasil nenhum dos lados se preocupou ativamente com a questão das minorias.

A Direita é tradicionalmente conservadora, racista, homofóbica, machista, gordofóbica... A Esquerda também.

Sobre a inutilidade desses rótulos, veja esse excelente video:



A esquerda ortodoxa classista ficou durante séculos denunciando os Direitos Humanos, baseados na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Dos Direitos do Homem e do Cidadão, acusadas de construções de uma “Revolução Burguesa” e de uma “Organização Imperialista” (ONU), para iludir o proletariado e afastá-lo da luta de classes.

 A esquerda mundial começará a se interessar pela questão das liberdades sexuais apenas a partir do Maio de 68- movimento acusado por autores pós-modernos de excluir os homossexuais e as lésbicas- e no Brasil a partir de meados da década de 1980 (vide a seção critica á obra de Hiro Okita mais abaixo). Acusava-se os militantes do Movimento Homossexual da época de tentar perverter o proletariado com um “vicio burguês”.

A esquerda sempre secundarizou e continua de forma generalizada secundarizando as bandeiras dos movimentos de minorias em detrimento da causa operária e reduzindo-as á uma mera ferramenta para alcançar a revolução proletária e não como um fim em si mesmo.

Quando se trata de atacar a religião e a família “tradicional”, avança-se na “consciência da classe”. Faz uma gritaria contra o “monogamismo burguês”, visando-se apenas e de forma oportunista a demolição de uma das alegadas bases históricas do Capital e ignora-se as necessidades subjetivas e afetivas do individuo. Quando se trata de bater de frente com a cultura operária, que via-de-regra defende a mesma família e religião tradicional conservadora, retrocede-se. E assim não saímos do lugar.

Alguns partidos e organizações de esquerda brasileira continuam até hoje insistindo na idéia de que a homossexualidade perverte a classe trabalhadora, se juntando à vozes de fundamentalistas religiosos. Apregoam que se trata de uma “frescurice pós-moderna” assim como chamavam de “alienação hippie” a luta pela liberdade sexual nos anos 50/60. Continuam apregoando em pleno século XXI uma “liberação/igualdade sexual” que já caiu em desuso substituído pelo conceito de “diversidade”. 
E ainda acusam de “feminista burguesa”, quem meramente quer atualizar estes discursos anacrônicos.

Afirmar que a esquerda defende o direito das minorias é uma meia-verdade. Primeiro por que as definições de esquerda e direita são fluidas, elásticas, segundo que o movimento LGBT nunca foi de esquerda, mas aberto, diverso, plural. Na prática as esquerdas que sempre foram pioneiras nestas causas são a esquerda liberal e social-democrata, indo contra a corrente reacionária da ortodoxia classista.  Mas estes fomos tachados de “direitistas” exatamente por defender tais bandeiras.

Enquanto isso, chove denuncias de práticas machistas, racistas, homofóbicas e todas as opressões vindas de sindicatos, partidos e agremiações de esquerda e que são de pronto, mascaradas.

A esquerda classista continua a décadas roubando nossas bandeiras, nosso protagonismo. Se dizem defensores dos Direitos Individuais, mas são absolutamente contra o individualismo. É a esta esquerda, latino-americana, classista, (pseudo)revolucionária, anacrônica, moralista que me referirei em minhas criticas

CONJUNTURA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS:

Contamos hoje com a Assembleia Nacional e o Congresso mais conservador desde 1964, bancadas democraticamente eleitas pela maior parte do eleitorado e que representa com exatidão a mentalidade da tal “classe trabalhadora”.

Temos como um dos deputados mais votados Jair Bolsonaro, que se orgulha de suas posições “polêmicas” e se gaba de ter gasto uma “merreca” na sua campanha- de fato, não foram vistos mais que um carro de som e meia dúzia de panfletos no Rio de Janeiro (onde mora sua base), o que bota por terra a tese de que o grande capital orquestra as “eleições burguesas”. O brasileiro médio é “reaça”, nossas eleições são democráticas, com voto universal, ou seja, populares e o atual panorama político reflete exatamente esta realidade.

A conjuntura atual dos movimentos sociais no Brasil é de tal forma caótica, calamitosa, que está impossível a organização em torno de ideais em comum que não sejam aqueles impostos pelas lideranças da “velha política”, ou seja, a instrumentalização, o uso indevido feito buchas de canhão  das energias das minorias para o “bem maior” da alienígena causa operária/revolucionária.

Estamos amargando um clima de total despolitização criado pela “Dialética do Oprimido”, distorção da proposta anacrônica marxista da Luta de Classes para Luta de Raças, Gêneros, Religiões, criando massas de “revoltados”, prontas a dar a vida ao “grande ideal” ao mesmo tempo em que joga uns contra os outros para criar mais caos e atingir a ordem social. Efeito bola-de-neve. O problema é que muita gente inocente vai se ferir no processo sem saber por quê.

A idéia original da chamada “Interseccionalidade” era muito útil: permitir uma experiência aprofundada de alteridade na qual um grupo de oprimidos/excluídos pudesse entender as necessidades específicas e melhor se aliar ao outro por um bem comum. Na prática o que temos é uma briga entre lésbicas e gays, mulheres negras e brancas (excluindo ou deixando à margem do debate pessoas trans)- tudo com aplausos das lideranças esquerdistas, contanto que não contestem a sacrossantidade da luta operária e os sobreviventes do entrevero se voltem obrigatoriamente contra o Capital. Dividir para conquistar.

E ainda querem colocar “recorte de classe” no caldo para jogar bicha pobre contra bicha rica?! Eis a total falência do maniqueísmo marxista e do classismo. É com este Poderoso Exército de Brancaleone que as lideranças partidárias querem que tomemos de assalto as ruas, o Congresso, as Universidades e as Assembléias?

O CAPITAL INCLUI OU EXCLUI AS MINORIAS?

Um absurdo que está cada vez mais comum nos meios LGBT é que o capitalismo se beneficiaria das opressões para “dividir a classe”. Numa situação excepcional, como numa greve ou num levante, esta lógica poderia ser coerente, mas como a vida do trabalhador e do estudante não se resume à militância, estas situações são a excessão e não a regra.

Em situações normais, qual o empregador suicida que arriscaria desorganizar sua força produtiva, jogando funcionário contra funcionário, apenas para impedir que eles se organizem, colocando em risco seu honesto lucro? Aliás, “Impedir que se organizem” para quê?

De fato, os Mercados têm amargado prejuízos astronômicos que, segundo pesquisa do Banco Mundial, estão na casa dos bilhões de dólares anuais apenas na India [1].É justamente para impedir que os trabalhadores se degladiem  e botem em risco a produção que se investe pesadamente em campanhas de sensibilização, promoção do bem-estar e inclusão das minorias. “Trabalhador satisfeito rende mais”.

Outro argumento absurdo que se insiste em repetir é de que o Capítal se aproveita dos estigmas para impor às minorias os postos de trabalho mais insalubres. É preciso antes de fazer tal afirmação, definir o conceito de “insalubridade”. Do ponto de vista tanto do esforço físico, quanto do assédio moral baseado na LGBTfobia, estamos ficando com os serviços mais leves e em alguns casos, melhor remunerados,  os de “profissionais liberais” (esteticistas, professores, atendentes de telemarketing...). E isto se deve á um perfil estereotipado de que gays, lésbicas e trans, temos menos força física, maior sensibllidade e facilidade comunicativa.

Na prática não é o Mercado que nos impõe estes cargos, mas somos que nós que os buscamos, crentes na idéia que a “peãozada” nestes espaços é menos preconceituosa e violenta com as minorias. Mais uma vez, trata-se de uma questão de cultura, uma visão conservadora imposta pelos “90% mais pobres”, que coincidem com a maior parte dos trabalhadores e consumidores e não uma conspiração burguesa para explorar mais a força de trabalho.

Se o sistema realmente se beneficiasse da opressão das minorias para conseguir mão-de-obra qualificada e mais barata, poderíamos ficar sossegados, pois é exatamente esta força de trabalho mais barata que o empregador dispensará por ultimo em tempos de Crise.

Críticos do Capital e do Mercado geralmente se esquecem que por trás de cada operário “explorado” existe um consumidor “explorador”. O “peão” que violenta seus companheiros “viados” nas fábricas é o mesmo que se nega a tomar cerveja no restaurante na saída do trabalho por que lá tem bichas no balcão de atendimento, o que força o patrão a despedir seus funcionários para não ter que fechar as portas. “O cliente sempre tem razão”- e via-de-regra o cliente é um operário conservador.

O capitalista nada mais é que um profissional que sobrevive vendendo para seus clientes o produto que eles desejam adquirir. Se o produto que o brasileiro médio deseja é o preconceito, é isso que ele venderá, pois a sua sobrevivência e de sua família é mais importante que ideologias. Como qualquer pessoa honesta o faria. Ou o produtor se adequa ao consumidor ou procura outro nicho, ou morre. É assim que funciona o Capital.

Ao mesmo tempo é patente que as empresas têm cada vez mais apostado em novos nichos consumidores, o que leva invariavelmente á geração de empregos para grupos historicamente discriminados. Afinal, quem consome precisa de dinheiro e os capitalistas só conseguem expandir mercados, permitindo acesso de um numero maior de pessoas ao consumo, gerando justiça social. E não “pelos nossos belos olhos”, ou devido às dádivas de algum avatar iluminado que queria nos governar.

Na prática, os únicos que ganham com as opressões são políticos demagogos, partidos e organizações (pseudo)revolucionárias que  precisam  fabricar insatisfeitos, revoltados kamikases prontos a pegar em armas para defender suas ideologias. E a própria ‘classe” que insiste em usar os preconceitos que traz de casa para atingir a concorrência, indo na contra-mão do progresso.

Outra grande falácia é apontar uma suposta higienização dos LGBT das classes dominantes. Negativo. Higienização não vê classe social. A bicha rica precisa se higienizar para não perder seu status quo e a pobre precisa dela meramente para sobreviver (arrumar e se manter num emprego). Por outro lado, os pobres conseguem algum nivel de subversão da ordem por não ter nada a perder, enquanto os mais ricos se utilizam do Capital (ou da mesada) para tal fim- e de forma fetichizada. Mais um exemplo no qual a análise classista/economicista só turva o conhecimento em detrimento de uma boa análise pós-moderna, culturalista, pós-estruturalistas.

Está sobrando “marx-achismo” e faltando aprofundamento na discussão das relações horizontais a partir da micropolítica, das relações cotidianas.

 COMO O ESTATISMO ATRAPALHA A LUTA POR DIREITOS.

Um grande exemplo de como o excesso de intervencionismo estatal em detrimento da Liberdade Individual de Mercado- e isto inclui o seu ápice, o cúmulo autoritarista da economia planificada ( nunca passível de ser posta em prática)- é um empecilho ao acesso aos direitos fundamentais dos LGBT pode ser o falido Processo Transexualizador pelo SUS.

Como na lógica socialista a satisfação das necessidades e desejos do cidadão fica por conta do Estado centralizado, a decisão final sobre quais intervenções médicas, cirúrgicas, psíquicas sobre os corpos e mentes fica por conta de governos que precisam se render à moralidade de seu eleitorado e contribuintes. O Estado não está disposto a pagar por estes serviços, principalmente em época de crise econômica internacional e muito menos se isto significar perda de apoio de sua base política, que como afirmamos, é profundamente conservadora.

Na prática isto significa restrições absurdas e a imposição de uma equipe interdisciplinar inexistente na maioria das cidades, além da criação de vários obstáculos jurídicos para esta população, visando fazer com que desistam dos tais tratamentos, o que inclui a reafirmação da patologização da transexualidade como “estratégia de inclusão” (totalmente equivocada) ao Sistema de Saúde.

A solução parece ser óbvia: deixar o Processo Transexualizador para ser paulatinamente explorado pelo Mercado. Se o Estado não tem interesse em atender a este publico, o Mercado tem esta necessidade. Gera lucro para os empresários- com a indissociável geração de riqueza e renda,  aprimoramento das técnicas e tecnologias mais baratas, retira os empecilhos jurídicos e morais, os custos tendem a cair junto com os preços, exatamente como ocorre com cirurgias plásticas, aumenta o acesso, sobretudo das pessoas pobres que desejam estes serviços, gera uma popularização das práticas e trás à rebote  a quebra de preconceitos.

Qual a proposta, a fórmula milagrosa que os socialistas apresentam como opção? Mais Estado?! Mais Estado dicernindo autoritáriamente sobre nossos corpos, mentes e identidades?

HIRO OKITA: COMO NÃO SE FAZER HISTÓRIA.

Grande parte dos erros e mitos construídos pela esquerda brasileira, em sua fúria anti-capitalista incoerente e inconseqüente se baseiam no panfleto anacrônico de um tal  Hiro Okita, “Homossexualismo, da Opressão à Libertação”, um libelo amador publicado em 1981, e que se propõe a mostrar uma visão classista do Movimento pela Emancipação Homossexual.
Pouca coisa foi atualizada neste texto desde então, basicamente modificaram a menção a “homossexualismo” no original, para “homossexualidade” e nada mais. Marxistas ortodoxos continuam preocupadíssimos em “avançar na consciência da classe trabalhadora” até ao inicio dos anos 80(!)- quem sabe um dia, consigam tal feito.

Ignoram que de lá pra cá passamos pela imposição de um modelo econômico baseado no Capitalismo de Estado, Esquecem a importância da pandemia de AIDS/HIV na construção do movimento organizado, responsável esta pela cooptação do movimento LGBT PELO ESTADO.Ignoram a importância das contribuições dos autores ditos pós-modernos- acusando-os de “neoliberais” (seja lá do que se trate). Negam, quando não sabotam propositadamente, tentativas de mudar paradigmas de gênero que vão contra a moralidade proletária/revolucionária, como Teoria Queer e meterossexualidade...

A tal obra de Okita é tão absurda, tão anacrônica, tão desatualizada, que resolvemos por apresentar apenas alguns erros teóricos e historiográficos:

HAVIAM HOMOSSEXUAIS NA GRECIA CLASSICA E NO MEDIEVO EUROPEU:

Anacronismo. O que a maioria dos autores se refere ao falar sobre os gregos geralmente é uma instituição cultural de caráter pedagógico chamada “paederastie”, na qual um homem mais velho (“erastes”) iniciava um mais jovem (“eromenos”), ambos das classes altas. O que entendemos hoje como homossexualidade, a relação livre entre duas pessoas de mesmo gênero,  é um conceito pós-moderno que só foi possível depois da despatologização na década de 1990 e que coincide com o descrédito mundial do socialismo e o avanço do Capitalismo de Estado.

ESPARTANOS APOIAVAM A HOMOSSEXUALIDADE:

Pelo contrário, no clássico Origem da Familia, Engels culpabiliza a sodomia dos gregos pela coisificação das mulheres em toda Grécia ao passo que elogia a virilidade dos espartanos. Coerente, pois ele via na cidade-estado guerreira um protótipo exemplar para o método da revolução armada.
Aliás, segundo Xenofonte (A Constituição dos Lacedemonios, fonte na qual Engels provavelmente se baseou em suas criticas) Esparta não era apenas homofóbica, mas altamente machista, pois impunha um pesado treinamento militar à mulheres com o único fim de que elas concebessem filhos mais saudáveis, braços mais fortes ao exército.

A CRITICA À HOMOSSEXUALIDADE COMO “VICIO BURGUÊS” É UMA INVENÇÃO STALINISTA:

Embora a expressão “vício burguês” tenha sido criada à posteriori, já havia uma serie de acusações e perseguições aos desviantes sexuais, orquestradas pessoalmente por Engels e Marx no século XIX. Consta que Engels pediu a expulsão do Partido de um militante de alto escalão Jean Baptist Von Schweitzer, por este ter sido pego em relação sodomita. Marx acudiu ao companheiro ao perceber de quem se tratava. Já existia vista-grossa naquela época.

Aliás, “estalinismo” nada mais é que a boa e “velha falácia do escocês”, tentativa de jogar a culpa da derrota da Revolução Bolchevique nas costas do grupo vencedor, ignorando a carreira política de Stalin e a cumplicidade inicial dos Bolcheviques, Lenin e Trotsky, quando este grupo chegou ao poder

A REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE DESCRIMINALIZOU A HOMOSSEXUALIDADE.

Okita e seus seguidores se baseiam num ‘importantíssimo” trecho de panfleto cuja autoria se deve a um tal Dr. Grigory Batkis. Para comprovar esta importante tese, a esquerda se utiliza de fontes de terceira mão (!). “Um primo do vizinho me disse que viu...” O texto não diz absolutamente nada sobre descriminalização, até porque o próprio Okita admite que não havia nenhuma lei anterior sobre o tema. Se resume a dizer que todas as formas de sexualidade/afetividade seriam igualmente válidas (desde que consentidas) e que o Estado não deveria intervir- quando deveria, sim.

Na prática a Revolução de Outubro criminalizou os desvios sexuais ao nível da micro-politica, fazendo vista-grossa aos crimes e perseguições no interior do Partido e nas fábricas. Não havia garantias de defesa civil a estas populações, nem mesmo de discusssões publicas, não passava de “lava-mãos”, um “cala-te- boca”, e nesse sentindo é idêntica a jurisdição brasileira, “da pátria Educadora que não faz propaganda de opção sexual” ou da Russia de Putin, na qual vemos LGBTs sendo torturados impunemente diante das lentes do Youtube, por que o Estado não pode intervir.
Importante lembrar que as definições de violência simbólica e psíquica vieram muito tempo depois, portanto sendo cronologicamente impossível que a opinião “tão relevante para a historiografia” do tal Dr.Batkis, cobrisse tais casos.

O “SOMOS” FOI O PRIMEIRO GRUPO ORGANIZADO DO BRASIL.

Primeiro é preciso definir de que se trata um grupo organizado. No Brasil já existiam iniciativas importantes desde pelo menos a década de 1940, como o famoso Grupo OK, entidade formada por homens que se reuniam para praticar o que chamaríamos hoje de “crossdressering”, se vestiam como mulheres e de forma lúdica subvertiam a ordem heterocisnormativa da época.

Como o próprio Okita admite, o SOMOS- Grupo de Afirmação Homossexual- é fruto de um “racha classista” no interior do movimento gay que já existia, era um pequeno grupo radical ligado ao Convergência Socialista (coletivo de onde saíram o PT, e depois PSOL e PSTU). Sequer poderia se reivindicar como primeiro grupo de inspiração marxista, pois polemizava com o grupo do Lampião da Esquina, que já nos anos 70 fazia excelente discussão interseccional, dialogando a questão homossexual com temas de classe, raça e combate ao machismo.

O “SOMOS” FOI BEM SUCEDIDO NA ALIANÇA COM O OPERARIADO.

Na verdade o SOMOS foi vergonhosamente derrotado, tanto que desapareceu depois que Okita escreveu seu panfleto. O cavalo-de-batalha de certos grupos radicais é afirmar que os militantes do SOMOS foram recebidos com salva de palmas, flores, papel picado, rojões pelos sindicalistas nas históricas greves do ABC. Mas as fontes, os documentos da imprensa especializada, apontam exatamente para o contrário.

Na decantada revista Lampíão da Esquina foram publicadas pelo menos duas Moções de Repúdio aos sindicatos e à Convergência Socialista, descrevendo com detalhes todo ódio e nojo dos lideres operários, a forma como usavam da moralidade sexual proletária para retirar das bichas do SOMOS o direito de fala.

Além disto, há uma reportagem de capa denunciando as falas anti-homossexuais do maior líder grevista de então, Luis Inácio da Silva, que afirmara em defesa da homofobia sindical que “não havia gueis na classe trabalhadora”. E infelizmente ele estava correto, em pleno século XXI ainda não estamos proletarizados devido a esta mesma LGBTfobia.

Antes tivessem ido ao Zoológico fazer piquenique, encarar de frente a cultura proletária conservadora e subverter a heterocisnormatividade da sociedade, como propunha o restante do movimento organizado que não havia se rendido à ideologia classista radical. Teriam se juntado ao grupo que teve mais êxito, maior sucesso como protagonista histórico.
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É preciso terminar com uma questão sobre o sentido da História na dialética (ou diria melhor, “convenientética”) marxista.

Com os autores positivistas apreendemos que a história tem um sentido de aprendizado, Historia Magistra Vitae ( “A História é a Mestra da Vida”), precisamos aprender com os erros do passado para não repeti-los no presente. Ao tentar culpabilizar o stalinismo pela perseguição das minorias, esquecem de pensar de que forma Stalin, “aquele sacripantas traidor da classe operária”, chegou ao poder. Ou seja, “a História nunca se repete, façamos uma nova Revolução nos mesmos moldes da de 
1917, que dessa vez magicamente dará certo”.

Porém os que afirmam que a história não se repetirá, que um novo genocida não tomará o poder como a 100 anos atrás- sem explicar como se dará o milagre (haja fé!) são exatamente os mesmos que tentam monumentalizar uma Revolução Gloriosa na qual as minorias serão todas respeitadas, empoderadas,  por intervenção de uma casta de avatares iluminados que subirão a ribalta do Poder e por graça da Fada Sininho.

Afinal, a História se repete ao não? Decidam-se. Para quê recriar de forma tão patética um passado que nunca existiu e que certamente jamais se repetirá?

MAS, O QUE FAZER?

A seguir apresenta-se tópicos com sugestões de encaminhamentos de bandeiras de luta a serem defendidas pelo Movimento LGBT Universitário.

1)      Protagonismo histórico Individual. Basta de vitimismo! NÃO somos vermes, nem capachos, somos cidadãos conscientes, eleitores, consumidores, protagonistas de nossa própria luta. Não somos nem aceitamos que nenhum partido ou coletivo nos use como massa de manobra. Numa sociedade globalizada temos poder de voto e de veto e é assim que marcharemos, não como “coitadinhos oprimidos pela burguesia”. Não se ganha nenhuma guerra de cabeça baixa.

2)      Militância de Resultados. Chega de tiro no pé! Precisamos atualizar táticas e estratégias. Precisamos nos livrar desse estorvo classista no interior dos movimentos sociais e deixar parar trás táticas já desgastadas, como os “beijaços”, que na pratica estão reproduzindo transfobia, racismo e outras formas de opressão, quando não fetichizam a homossexualidade ou são usados descaradamente para promover candidatos ou causas que nos  SAP alheias. Lancemos mão do que funciona: o boicote. Não faz o menor sentido, ao sermos maltratados num bar, voltarmos lá com mais gente para consumir. O movimento precisa ser mais sério- menos festa e mais luta.

3)      Lutas por dentro da lógica do Capital: Com tudo que já foi exposto neste Manifesto, o capitalismo é históricamente o sistema sócio-econômico que melhor inclui e empodera as minorias, exatamente por funcionar de forma livre, espontânea, de pessoas para pessoas. Indiferentemente disto, queriam ou não, é preciso aceitar que é este o sistema que define as regras de interação social em todo planeta na atualidade. È preciso reconhecer estas regras para melhor organizar estratégias para alcançar direitos e cidadania. Pensar diferente disto, protelar nossas bandeiras para depois de uma hipotética Revolução Socialista, é militar contra as minorias.

4)      Resgatar o caráter liberal do Junho de 69: A gana anti-capitalista de certos grupos é tamanha que chega-se a negar que o grande estopim para os famosos Motins do Greenwich Village, foi justamente a proibição por parte do “braço armado do Estado” para que os gays frequentassem os bares da região e se vestissem da forma que quisessem- ou seja, direito à liberdade de consumo. Se a mão invisível do mercado no sustenta desde aquela época é por ela que virão ainda mais direitos. Aliança com as empresas gayfriendly! Esta deve ser nossa estratégia.

5)      Abaixo o oportunismo classista e identitárista! Nossas bandeiras históricas não são contra uma “classe burguesa”- até por que a maioria dos Universitários e militantes LGBT somos “burgueses” ou profissionais liberais (pequenos burgueses). Nossa luta é pelo direito de ser e amar livremente á quem quisermos e não para nos incluir numa letrinha.  Movimentos sociais são grupos de pessoas que se unem estratégicamente para defender bandeiras em comum, que no nosso caso é a inclusão de estigmatizados e não o empoderamento forçado do operariado opressor.

6)      Radicalizar para dentro: A conjuntura atual aponta para a impossibilidade de avanços concretos no embate direto com políticos conservadores à direita e à esquerda no Congresso. Ao mesmo tempo, grupos oportunistas tentam de todas as formas, apelando para golpes e táticas autoritárias instrumentalizar os movimentos de minorias para aumentar os quadros de seus partidos. Se a correlação de forças impede este embate externo, o momento exige uma radicalização na limpeza de nossa casa. “Expulsar, anular os interesses político-partidários no interior dos movimentos sociais”- esta deve ser nossa palavra-de-ordem.

7)      Fora partidos, sindicatos e coletivos instrumentalizados pelos mesmos! Movimento de minorias é para auto-organização de minorias, não para desfilar bandeiras e ideologias estranhas aos interesses desses movimentos. Principalmente quando tais partidos são financiados/agregados por organizações internacionais que desconhecem nossa realidade local, fazem “centralismo cupulocrático”, impõe sua política de cima a baixo sem discutir com a base e ainda se negam á fazer discussão aprofundada sobre gênero e sexualidade. Pìor, quando tiram nosso direito de fala e homenageiam personagens/organizações históricas reconhecidamente homofóbicas, racistas e machistas (como o MST e Che Guevara).

8)      Movimento horizontal e individualista: Mais que horizontais, movimentos sociais devem ser tocados por indivíduos, por militantes independentes que têm interesses em comum. Movimento não se faz pela base, eles SÂO a base. Se um movimento social divide seus quadros entre base e lideranças, já não são horizontais, estão burocratizados e cupulatizados. “Nós por nós”!A menor minoria que existe é o individuo, ser contra o indivíduo e ser contra todas as minorias.

9)       Abaixo a macro política populista e personalista!  Basta de bandeiras antidemocráticas alienizantes que culpabilizam figurões da política para estrategicamente desresponsabilizar suas bases, a  sociedade civil. È perda de tempo chamar campanha “Fora Cunha”, quando Bolsonaro já disse que tomaria seu lugar e enquanto as travestis continuam se prostituindo a contra-gosto e sendo mortas pelos operários que elegem estes politicos. È anacronismo ingênuo em pleno século XXI esperarmos por Salvadores da Humanidade que resolverão nossos problemas e sanarão nossas necessidades.

10)   Movimento de minorias só se faz pela micro-politica. Nossa missão histórica não é denunciar, bater de frente com lideres ou instituições, como a polícia-fardada, menos ainda com uma inalcançável superestrutura, mas sensibilizar nossos vizinhos, colegas de faculdade, parentes sobre a violência LGBTfóbica- “trabalho diário de formiguinha” que intervém diretamente na realidade concreta. Precisamos mais que nunca de uma militância de resultados e não de ideologias de longo prazo. Revolução é mudança de paradigma, fazer com que as pessoas mudem sua forma de pensar.

11)   Financiamento exclusivamente privado. ”Quem paga a banda escolhe a musica” e já estamos cansadxs de financiamento de governos corruptos, de máfias e de políticos LGBTfóbicos. Quem deve financiar nossos eventos é quem tem intenções reconhecidas: as empresas que buscam o lucro honesto e a melhoria da sociedade apoiando nossa causa, e jamais sindicatos machistas e LGBTfóbicos.. “Quem paga a banda escolhe a musica”  e a Sinfonia do proselitismo e da instrumentalização já acabou.
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 [1]"Homofobia: bom para quem? Estudo realizado pelo Banco Mundial testa modelo econômico quantifica os prejuízos ocasionados pela homofobia” Disponível em: http://www.bayerjovens.com.br/pt/fique-ligado/mundo-jovem/visualizar/?materia=homofobia-bom-para-quem. Visualizado pela ultima vez em21/10/2015



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Poliamor: entre o libertário e o elitista

domingo, 23 de novembro de 2014.
Ave Butler! Hail Derrida!

Fiquei varios meses sem blogar por diversos motivos- entre eles a descoberta de que sou diabética, e as questões existencialistas subsequentes a tal descoberta. Resumindo, literalmente quase morri nos ultimos meses e essa experiencia me obrigou a rever todo minha vida. Sobre isto falarei mais nos proximos posts, até para dar informe ás pessoas queridas e axs leitorxs.

Decidi ente outras mudanças ser bem mais sucintx nos textos desse blog, que eram pra ser mais divertidos e "heavy-metal", mas dessa vez terei que me delongar um pouco, resumindo minha posição sobre a polêmica dos modelos "alternativos" de relacionamento. Fiquei devendo a anos este texto á amigos que fazer parte do Movimento de Relações Livres  (RLis) e a ligação com as bandeiras LGBT Ao meu ver, não ligação nenhuma, uma coisa não tem nada a ver com a outra, ou sendo pessimista, tal discussão acaba só atrapalhando o avanço das lutas do Movimento.



Vou pegar como "gancho" um texto do querido pesquisador "queer" Leandro Colling, com o qual discordo veementemente. Importante notar que se trata de uma discussão que vem pegando fogo á muitos anos :

FONTE; http://www.ibahia.com/a/blogs/sexualidade/2014/08/02/monogamia-e-a-violencia-de-gener/

"O pesquisador Miguel Vale de Almeida, muito conhecido no campo das sexualidades e gêneros do Brasil, diz que não critica a poliamoria em si, mas é um dos que entendem que a ligação de pautas do poliamor com o movimento LGBT torna mais difícil a aprovação de marcos legais que favorecem as pessoas LGBT"

Pior que isso, a vinculação do debate sobre poliamor e relações livres ofusca, descentraliza as pautas principais do movimento LGBT, que são (ou deveriam ser) as ligadas as subversões das fronteiras de gênero e a diversidade identitária, o que  incluiria as questões trans. O numero de pessoas com as quais nos relacionamos é uma bandeira estranha ao movimento LGBT e é própria do Movimento pela Liberação Sexual -derrotado no século XX, justamente por não se propor a atender as necessidades subjetivas específicas da população não-cis/hétero. E  acaba servindo para ofuscar as verdadeiras demandas.

Não se discute se é um direito humano ter quantos parceirxs, companheirxs quiser e PUDER. Até por que um debate que nunca vi nenhum poliamorista fazendo é sobre a diferença entre "querer" e "poder", o que põe o Poliamor/RLis dentro de uma lógica elitista e neo-liberal. Aquela velha lógica de que "todo mundo pode é só desejar e merecer", ou, parafraseando a famosa frase da Maria Antonieta, "se não consegue casar com uma pessoa, namore com várias". E invisibilizando e excluindo os grupos não alinhados com o discurso heteronormativo, justamente as "beesha-queer"

Não, o "direito" ao Poliamor nós sempre tivemos, melhor, sempre nos foi IMPOSTO pela sociedade heterocisnormativa- muito ao contrário do que o autor do texto afirma. O direito que nos falta conquistar, pelo contrário, é o do Casamento Monogâmico Igualitário, esta sim uma bandeira progressista e por que não dizê-lo, revolucionária, já que muda todo um paradigma, uma construção social acerca da célula-mater da sociedade que ainda é a familia. principalmente num pais onde há um esforço no sentido de conservar  um modelo de Familia Patriarcal, baseado na relação entre um homem e uma mulher com fins exclusivamente procriativos.

Amor Livre, RLi's, Poliamor, etc... são modelos e propostas válidas dentro da discussão sobre a Diversidade Sexual. Tão válidas quanto o modelo monogâmico. Alias, ao meu ver são falsas polêmicas, debates que já deveriam ter sido superados á muito tempo, cada umx faz o que quiser de sua vida amorosa e ponto-final. Agora usar este discurso para ofuscar a discussão de gênero e dos grupos marginalizados dentro do proprio segmento LGBT, para ir contra a bandeira progressista do Casamento Civil, deslegitimando esta pauta, por questões de cunho teórico-politico ("maldito contrato burguês", dã :P ), tentando inclusive comparar a monogamia com uma doença mental, como já vi coletivos que se dizem "progressistas" fazerem (quanto tempo faz que despalogizaram a homossexualidade, mesmo?) é uma atitude autoritária reprovável e comparável ao discurso dos mais ferrenhos e radicais fundamentalistas religiosos homofóbicos.

E por fim, respondendo ao autor do texto, "poliamor tambem mata(!)", Para que haja violência são necessárias apenas duas ou mais pessoas convivendo juntas Alias tende-se a reproduzir muito mais violência de gênero entre grupos poliamorosos que entre casais monógamos, justamente por que onde tem mais gente tem mais confusão e desentendimentos, e porque, repito, a defesa de modelos de afetividade não-monogâmicos, como se fosse a "salvação da lavoura", esconde, escamoteia aquela que deveria ser a principal questão, os construtos de gênero como ferramentas de poder, além de sequer garantir a quebra de padrões de estética e comportamento, sendo assim práticas que tendem ao elitismo e á exclusão.

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O Beijo de Malévola.(porque o novo clássico da Disney NÃO é feminista)

sábado, 12 de julho de 2014.
Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti. (Friedrich Nietzsche)
*Dedicado à todas as feministas, à todas estas fantásticas mulheres que sabem o segredo de tirar-nos das órbitas, e nos colocam à pensar, mesmo quando a nossas relações não são lá tão amigáveis. E ás pequenas Malevolazinhas que existem dentro de cada umx de nós.



Era uma vez...

Olá a todxs. desfaço mais uma vez meu hiato para falar de um tema bastante interessante e que venho ensaiando á varias semanas. Tive o prazer de assistir  a versão 3D do novo clássico da Disney, Malévola, protagonizado magistralmente pela atriz Angelina Jolie e achei que o filme merecia uma critica diferente da que tenho lido em sites sobre Questões de Gênero.

ESTE POST, PORTANTO, PODERÁ APRESENTAR SPOILERS SOBRE O FILME, SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU, PRIMEIRO VÁ AO CINEMA OU A LOCADORA E SÓ DEPOIS VENHA DEBATER CONOSCO. ;)

Li o texto referente ao link abaixo e o achei muito bom e útil principalmente por apresentar uma análise psicanalítica simbólica, como convém à um site sobre psicologia

E tenho lido algumas análises feministas, as quais tenho minha ressalva à apresentar, em especial à duas questões: A nova versão é feminista, ou seja, tem como central o protagonismo feminino? Pode-se falar em "sororidade" ou numa negação da heteronormatividade? Minha resposta para ambas as questões é "não". Malévola traz uma proposta de debate muito mais profunda, a qual tentarei analisar a partir de alguns fundamentos da Teoria Queer.

Para começar, quero propor uma polêmica a respeito do protagonismo geral das Princesas da Disney. Ao meu ver, com a devida exceção da versão original de A Bela Adormecida, todas as Princesas da Disney são absolutamente protagonistas dos contos de fadas. Assim, reconheço na fábula da Branca de Neve, a menina meiga que se embrenha corajosamente na floresta escura e acaba por se impor a um grupo de sete homens, utilizando seu dotes caseiros como ferramenta de poder. Reconheço na estória da Cinderela a figura da proletária explorada pela própria Madrasta que resolve desobedecê-la e,com a ajuda da Fada Madrinha vai a uma festa onde por acaso conhece o Príncipe e apaixonam-se mutuamente.


Ok, minha interpretação é bastante heterodoxa. O que dizer então dos Principes da Disney? Se a proposta dos desenhos da Disney é incutir nas meninas os papéis patriarcais de gênero, quais os valores impostos para os meninos? Analisando o protagonismo dos Príncipes, quais as qualidades que o Mr.Right deve ter para ser aceito pelas Princesas? Força? Coragem? Esperteza? Virilidade? Sensibilidade? Fica a proposta de análise, sugiro alguns filmes como Aladin, Robin Hood ou mesmo a versão original de A Bela Adormecida.


Voltando ao filme da Angelina, não creio que seja possível utilizá-lo para falar de questões específicas de mulheres (alíás, é sempre bom perguntar: que mulher é essa?) por um motivo bem simples: Malévola não era uma mulher e em momento algum do filme ela é apresentada como tal. Malévola era uma fada, um ser mítico que vivia num Reino vizinho ao dos humanos, ou, para usar um conceito caro às transfeministas, "do outro lado", do lado oposto ao dos Normais (cis*?). Assim a guerra entre os Moors e os Humanos, nada mais seria que a tentativa de colonizar o Anormal para poder dominá-lo.

Malévola, antes de uma mulher era um ser só e incompreendido. Aliás, a película poderia ter explorado mais essa temática que me ficou subentendida, a solidão. Malévola aparece sempre sozinha no filme, como se fosse a única de sua espécie, sendo que as outras fadas aparecem sempre em grupos, ou mesmo formando um exército.

Até que um dia a pobre fada acaba conhecendo uma pessoa muito especial, um garoto que tinha o fascinante poder de passar para o seu lado. Finalmente alguém a entenderia em sua monstruosidade? Finalmente alguém viria para dar fim aquela solidão? Malévola se apaixona pelo garota e revela todos os segredos do reino das Fadas ao pequeno Stefan. Ambos crescem juntos e vivem uma meiga história de amor adolescente, até um dia o jovem Stefan, corrompido pela ganância e assombrado pelas intrigas da Corte dos Humanos, resolve trair a sua amada, cortando-lhe as asas, fonte de sua glória e do poder de voar, tirando-lhe o maior prazer que tinha na vida. Pior, auqle ser que a fada havia pensado ser o unico capaz de compreende-la, aquele jovem tão especial acabaria por rejeitá-la, preterindo-a em favor de uma mulher normal, humana.

A atriz protagonista já admitiu que esta cena, talvez a mais dramática do filme é uma alusão à um estupro e eu iria mais longe, pois para mim se trata de um "estupro corretivo", pois ao arrancar as asas de Malévola, o príncipe busca de alguma forma normatizá-la, curá-la daquilo que ele entendia paradoxalmente como uma aberração e sabia que era sua fonte de poder. Notem que Stefan o faz a contragosto num primeiro momento, tomado pela dor de ter de decidir entre trair o amor de sua vida ou a seu próprio pai, o Rei. Questão a se pensar, pois Stefan era antes de tudo um ser humano, com suas dores, inquietações, alegrias, seus paradigmas morais e suas limitações, enfim sua própria subjetividade.

Talvez um futuro filme, protagonizado pelo Stefan possa nos elucidar os verdadeiros motivos dele ter traído Malévola de forma tão violenta. Talvez um outro lado do outro lado da moeda. Só mais uma provocação.

Depois deste dia, nossa anti-heroína se torna uma pessoa embrutecida, amarga e rancorosa. Todos os pensamentos dela se voltam na direção de uma futura vendetta contra o homem que a havia traído de tal maneira covarde, contra o único ser que poderia tê-la compreendido a para quem havia entregado seus sentimentos e dividido sua juventude. Chega-se ao ponto em que Aurora, a Bela Adormecida desta versão, fala que Malévola havia perdido sua pureza, sua luz interior. Desta maneira, a obra não fala sobre "sororidade", até porque a personagem principal é uma fada tomada pelo ódio e sozinha no mundo, sem ninguém para compreendê-la. muito menos para ajudá-la, mas com dois mundos para julgá-la. É antes uma história de vingança de um individuo contra outro que  teria lhe tirado o prazer de viver.

Ao contrário, o filme da Disney pode ser lido como uma saudável advertência: o ódio corrompe, a vingança mata. Não importa o quanto tenhamos sido oprimidxs, tomemos o cuidado de não nos tornarmos piores que nossos opressores. No caminho de sua fúria irracional, tanto Malévola quanto Stefan matam e machucam muita gente.Aurora é uma vítima inocente desse ódio. Ódio que separa pessoas, que cria barreiras, seja de espinhos, de ferro, de incompreensão.

Por fim, coloco uma questão que talvez seja a mais bacana, a mais profunda e poética; afinal, quem se salvou com o polêmico beijo maternal (nossa anti-heroína, sendo uma fada má, tinha extinto maternal, ou como sugerem algumas criticas seria um beijo lésbico?), Malévola ou Aurora? Para mim, o final sugere que quem foi curada da sua maldição foi a própria fada má, que ao descobrir o amor verdadeiro havia recobrado suas asas, sua alegria e seu desejo de viver, deixando para trás o ódio e perdoando seu agressor.

E assim, todos viveram felizes para sempre. (sera?)

EPÍLOGO:
Alguns detalhes deste post foram autobiográficos, incluindo algumas experiencias pessoais e intimas de minha vida particular. Trata- se de um pedido de perdão a certas feministas e de uma súplica de compreensão e de boa vontade. É também um desabafo, pois tenho dificuldades em perdoar pessoas que muito amei num passado não muito distante que acabaram por incorporar meu Principe Stefan, pessoas á quem entreguei ioncentemente meus sonhos sentimentos e que infelizmente não souberam cuidar deles, ou meramente compreendê-los (sim, me refiro à quem vocês estão pensando...). Enfim, este filme me surpreendeu justamente por me identificar com a história de decadência e superação de sua protagonista, tão intensa em sentimentos como a vida- pelo menos a minha. Obrigadx pela valorosa companhia. e deixe seu comentário.

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"CPI da Buceta" ou Xerecosatanikando blablabla

sábado, 31 de maio de 2014.
Ave Butler! Hail Derrida!

"Quem choca é galinha, tomada ou chocadeira. A gente só tira uns sarrinho..." (Tia Erzulie) 


!!!ATENÇÃO!!!  CENAS FORTES DE ALUSÃO À MUTILAÇÃO GENITAL






ESTUDANTES PROMOVEM "XERECA SATANIK" NAS DEPENDÊNCIAS DA UNIVERSIDADE"!ROSA NA CAVEIRA!" 

Pessoas mal-encaradas vestidas de preto, com simbolos religiosos batem na sua porta, botam um "révimétaudumal" e já vão perguntando: "o sr. teria um minutinho pra ouvir a Palavra de Belzute?"
Achou a cena medonha de tão ridicula? Pois é não é que o MP e a UFF, na falta do que "fazerem" resolveram investigar isso? Enquanto isso nosso direito a alteração de Nome Civil que é bom nada. Como se nossos impostos serem usados pra investigar literalmente o que xs estudantes andam enfiando nos anus e nas vaginas não fosse nem um pouquinho escandaloso. O MP tá muito sem o que fazer e resolveu apurar denuncias de pessoas fazendo usu do proprio corpo e cultuando supostas "religiões não-cristãs" É a famosa "CPI da Buceta" (!)

http://g1.globo.com/rj/regiao-dos-lagos/noticia/2014/05/uff-vai-apurar-denuncia-de-festa-com-ritual-satanico-drogas-e-orgias.html

9 apresentei aqui neste blog uma boa explicação do que é pornoterrorismo e o por quê deste tipo de ato é politicamente importanter e do por quê de apelar para este tipo de estética e blablabla (vide LINK AQUI). No mais, considerem que enfiar  agulhas na vagina deve ser bem menos doloroso que piercing no mesmo local. considerem como uma versão mais politicamente engajada dos piercings que a galera anda botando em todas as partes do corpo.Tem gente metendo coisas bem mais bizarras nas xoxotas a milhoes de anos (tipos, pintos) e ninguém nunca reclamou.

Alias, tem local mais correto e apropriado para este tipo de intervenão que as dependências de uma Universidade, espaço publico criado especialmente para promover conhecimento, arte, polêmicas e discussões politicas?

E pras feministas esquerdistas e moralistas que vão ficar criticando e dizendo que "isso não servirá para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres": o que servirá para tal: ficar reclamando que "as muié ganha menos que uzômi"?! Libertem-se desse economicismo ai, prfv.

*À seguir, fotos tiradas de um site "reaça" sobre o tal evento (pra quem tá por fora), que é por acauso "proibido copiar" e que , só por isso, roubei o Codigo Fonte junto com as fotos. Alias, uma saida interessante, pois assim não precisarei coloca-las no meu proprio servidor. AQUI É ROSA NA CAVEIRA! Divirtam-se hahahaha

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http://facanacaveiraoficial.com/estudantes-da-uff-de-rio-das-ostras-promovem-xereca-satanik-nas-dependencia-da-universidade-18/

DENÚNCIA GRAVÍSSIMA

Gente eu tenho uma denuncia gravíssima pra fazer contra essa festa satânica: como a galera faz uma coisa tenebrosa dessas e não me convida?!? #aiqueodio 

*Hoje sem clipe, porque não tô afim e vai faltar espaço.

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A TV Revolta é "de direita"?

segunda-feira, 19 de maio de 2014.
Ave Butler! Hail Derrida!

Algumas pessoas andam me acusando de ter virado "direitista". Como não sei ao certo de que se trata ser "direitista", deixo a questão em aberto. Falando sério, esta balela maniqueísta judaico-cristã-ocidental de "direita versus esquerda" já deu o que tinha que dar. A experiência histórica já demonstrou que qualquer dicotomia entre esquerda e direta, ricos e pobres, burgueses e proletários, feministas e machistas, oprimidos e opressores, coxinhas e bostinhas...  só serve pra limitar nossa visão sobre a realidade das relações sociais

Prefiro dividir o mundo entre pessoas interessantes e desinteressantes, entre aquelas que têm algo a acrescentar (concorde ou discorde, não importa) e aquelas que vivem repetindo jargões como papagaios e quando contrariadas pegam em fuzis. E minha lista de pessoas interessantes é bem eclética- acho que deve ser mesmo- vai de Olavo de Carvalho e Thomas Hobbes até Judith Butler e Beatriz Preciado, passando por Foucalt, Aleister Crowler e Platão. Já a lista de pessoas desinteressantes e inúteis, deixemos para o esquecimento, não merecem nosso IBOPE.

Nem ia comentar este link "maravilhoso" (SQN),mas como pediram encarecidamente minha opinião (recebi milhares de cartinhas hehehehe) vamos lá. Este artigo do link é um raríssimo fenômeno de boçalidade, em suma, uma coleção de "pérolas de esquerda" (alguém me explica do que se trata?) para rebater supostas "pérolas de direita" (idem). Algumas "belezuras" faço questão de comentar:

http://consciencia.blog.br/2014/05/60-perolas-de-paginas-de-direita-facebook-13-especial-tv-revolta.html#.U3p1qdJdWLX

Antes, porém, deixo em Capslock minha posição para não ser distorcida:

A TV REVOLTA É SIM UM CANAL E GRUPO MACHISTA E LGBTFÓBICO, COMO QUALQUER GRUPO E CANAL DE ESQUERDA, OPS! DIREITA, OPS! TANTO FAZ.
(ESCROTICE NÃO VÊ PARTIDO NEM POSIÇÃO POLÍTICA)

1)"O autor vive perseguindo o PT e os petistas".

Não sou petista, mas tenho vários amigos deste partido que respeito muito pelo histórico politico e votarei em Dilma nas próximas eleições (candidata que acho a menos pior). Que o autor da TV Revolta se concentra em atacar o PT em detrimento de outros partidos é o óbvio ululante.
Mas AINDA vivemos numa democracia na qual ao menos em teoria podemos critica e defender à quê ou a quem quisermos. Direito de Liberdade de Expressão é uma merda mesmo rs. Com isso,acho que mais de 70% das "acusações" feitas ao TV Revoltam foram-se pras cucuias.

IMPORTANTE: Liberdade de Expressão não garante o direito do individuo fazer apologia à crimes, o que digo e repito é que AINDA temos o direito politico de fazer criticas ao PT,PSDB, PSOL, PSTU, anarquistas, anarco-capitalista ou a quem quisermos. Este tipo de atitude faz parte do jogo político e é totalmente legitimo. Em ultimo caso, mete-se um processo por calunia e difamação e pronto.

Aliás só pra constar: culpar o PT e a Dilma por todos os problemas da Humanidade é a tõnica  da maioria dos partidos e coletivos que reivindicam a esquerda no Brasil, tá?

2)"O autor defende um modelo de cultura elitista e preconceituoso contra o povo pobre".


Eu sempre quis entender esta lógica classista que tenta forjar uma "cultura popular" para depois defendê-la "dazelite". Como afirmar em pleno ano de 2014 que o funk carioca continua sendo "cultura de periferia", quando suas maiores divas são mulheres brancas, de classe média, devidamente inclusas no padrão de beleza comercial? O funk era cultura de periferia nos idos anos 1980 e 90, quando tinha como simbolo os saudosos bailes da Furacão 2000, mas onde estavam seus defensores naquela época?
Isto não é defesa da cultura popular e sim, fetichização da pobreza, com vistas à ganhos políticos. Duvido que a maioria dos "defensores do funk" já tenha entrado numa favela, não ser em ocasiões especialíssimas, como nas desempoderadoas "passeatas pela defesa dos coitadinhos".
Gente, que tal darmos protagonismo social aos "coitadinhos" e deixar que eles defendam a si próprios e sua própria cultura? Pobre não é obrigado a gostar de funk, ninguém é obrigado à gostar e concordar com mensagem social, nem performance ou sonoridade nenhuma. Pobre ouve Waleska Poposuda, Beethoven, Strauss, Led Zeppelin, Tom Jobim e o que mais lhe apetecer. Rico ouve Anita, MC Maromba, Richard Wagner, Raimundo Fagner, Zeca Pagodinho, Negra Li e o que mais lhe der na telha. O resto é estereótipo e tentativa de segregação sócio-cultural. Me desculpem, mas é.

3) "Morgan Freeman foi distorcido para promover o racismo"

Tenho muita dificuldade em comentar sobre a questão racial por não sofrer deste tipo de opressão específica. Mas para além da opressão existem questões teóricas pertinentes. Vou postar um video de outra pagina no qual o autor da critica à TV Revolta explica e faz apontamentos sobre a fala supostamente racista do ator norte-americano negro Morgan Freeman:


Como o critico pode ter certeza, não julgar levianamente, se ele mesmo admite que há 3 interpretações diferentes para a fala de Freeman? Será que o que motivou a chegar a tal conclusão fora a subjetividade ou sua evidente filiação ao maniqueísmo marxista que insiste em dividir pessoas por classes? é preciso se fazer um apanhado histórico para compreender que a polêmica é bem mais complexa do que isso. Com o inicio da revolução neo-liberal dos ano 1990 e a pós-modernidade, colocou-se na berlindaaté que ponto podemos entender o mundo a partir dos grandes modelos explicativos.
Não precisamos mais ser obrigatoriamente marxistas para termos "consciência social" e de fato, não sou marxista, pois acho este modo de pensar limitadíssimo para entender relações desiguais de poder e organizar as lutas por direitos. Prefiro o desconstrutivismo pós-estruturalista e a destruição e/ou fluidificação das identidades como estratégia, e neste sentido que concordo totalmente com a fala de Freeman. Como uma pessoa vitima de racismo espera derrotar a opressão que o atinge escrevendo "NEGRO(A)" na sua testa, apontando publicamente o estigma que o caracteriza socialmente como "inferior"? Como extrair igualdade das diferenças? Alias, por que se faz tanta questão de cultuar tais diferenças?
O autor do critica e do video usou uma comparação extremamente esdrúxula para dizer que se cura gripe com remédio. De fato, a gripe é uma doença física que se cura com vitaminas, mas racismo e outras formas de opressão específicas são de origem e caráter cultural e não se "cura" uma cultura que promove a discriminação (acepção de pessoas) introjetando mais discriminaçao, nem negando-a, mas desconstruindo-a através da linguagem.
Dá pra fazer um artigo bem bacana demonstrando porque dividir pretos de brancos, bichas de héteros, homens de mulheres, sadios de doentes, é um contra-senso que só conduz à mais segregação, "cagar e sentar em cima". Como disse, não posso falar em nome dos negros, mas se tentarem tatuar "BICHA" na minha testa sem meu consentimento, meto bata (!)

4) Machismo, consumismo, elitismo e contradições gerais

Essa eu faço questão de responder "na lata", usando o recurso "CrtlC + CrtlV":

"Porque negócio bom é ser machista, selecionar mulheres entre aquelas “direitas pra casar” e aquelas “fúteis pra discriminar”, e dizer preconceituosamente que mulher que gosta de colecionar sapatos é “burra”, “fútil” e “incapaz de gostar de livros”."

Tal critica seria muito mais coerente num site que não fosse marxista, ou seja, no qual se denuncia o consumismo e o elitismo (conforme vimos acima) e se as próprias feministas marxistas não vivessem seguindo o figurino pseudo-pobre e denunciando a futilidade das madames da Daslu. Concordo com a contracritica, mas ela está no site errado.
E vida longa ao consumismo e à futilidade!

5)Transfobia e pergunta na lata:

Não dá pra discordar que a imagem abaixo é uma violência às pessoas trans*, mas quantas pessoas trans* você vê liderando movimentos de esquerda? Alias, quantas pessoas trans* você vê casadas com lideranças de esquerda? Alias, quantas pessoas trans* você viu na vida? Vem cá, te conheço?!?

Acho linda essa arrogância de certas pessoas querem falar em nome de minorias que não fazem parte #SQN



5)E por fim e não menos importante: mimimis que não merecem ser criticados



pô, o Wicket não, Joãozinho!

MINHA CONCLUSÃO: A TV Revolta não é de direita nem de esquerda. É´meramente escrota. E quem critica muito precisa tomar cuidado pra não fazer igual.


No closet!

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18 Verdade cruéis sobre relacionamentos

domingo, 27 de abril de 2014.
Ave Butler! Hail Derrida!

Achei esse artigo um primor, um show de franqueza em tempos que tudo e "lindo e libertáro S2S2" desde que não seja "careta, monogâmico e burguês". Infelizmente, nos ultra-radicias anos 2010, os relacionamentos têm cada vez mais deixando de ser baseados na sinceridade, na cumplicidade e no compromisso e se baseando no egoísmo, no hedonismo, no "gozar e sair fora", na crueldade e na futilidade materialista.

Resolvi postá-lo pois, dentro da revolta de lê-lo e observar o tanto de lixo que a galera "libertária" anda produzindo, me deu uma grande satisfação ler os comentários e ver que muita gente ainda não aderiu a tal mentalidade.

E faço questão de deixar para meus futuros relacionamentos:

SOU ASSUMIDAMENTE E ORGULHOSAMENTE MONOGÂMICA E JAMAIS TOLERAREI ESTE TIPO DE ATITUDE EM MEUS RELACIONAMENTOS. SE VC QUER GENTE, ESTOU A SEU DISPOR, SE QUISER BRINQUEDO, TEM VÁRIOS À DISPOSIÇÃO EM SEX-SHOPPINGS.

#fikadika ;)


18 Verdades cruéis sobre os relacionamentos modernos que você vai ter que encarar


Captura de Tela 2014-04-11 às 17.02.37
1. Quem que se importa menos tem todo o poder. Ninguém quer ser “a pessoa mais interessada” da relação.
2. Porque nós sempre queremos mostrar para a outra pessoa o quão blasé nós podemos ser, joguinhos psicológicos como ‘Intencionalmente Levar Horas Ou Dias Para Responder Uma Mensagem’ vão acontecer. Eles não são divertidos.
3. Uma pessoa sendo desapegada porque tem zero interesse em você parece exatamente igual a uma pessoa sendo desapegada porque acha você incrível and está fazendo um esforço consciente para fingir que não está nem ai. Boa sorte tentando descobrir quem é quem.
4. Ligações telefônicas são uma arte em decadência. Muito provavelmente, grande parte da comunicação do seu relacionamento vai acontecer por texto, que é a forma de interação mais desapegada e impessoal que existe. Já pode ir criando intimidade com as opções de emoticon.
5. Planos com antecedência estão mortos. As pessoas tem opções e atualizações de última hora da localização dos seus amigos (ou outros potenciais romances) graças as mensagens e as redes sociais. Se você não é a prioridade, você vai ouvir um “Talvez” ou “A gente se fala” como resposta para o seu convite para uma saída e o(s) fator(es) decisivo(s) serão se a pessoa recebeu ou não ofertas mais divertidas/interessantes que você.
6. Aquele alguém que te magoou não vai automaticamente ter um karma ruim. Pelo menos não em um futuro imediato. Eu sei que parece nada menos que justo, mas às vezes as pessoas enganam e traem e continuam suas vidas alegremente enquanto a pessoa que eles deixaram para trás está em frangalhos.
7. A única diferença entre as suas ações serem consideradas românticas ou assustadoras  é o quão atraente a outra pessoa te acha. É isso, isso é tudo.
8. “Topa sair?” e “Vamos fazer alguma?” são frases vagas que provavelmente significam “vamos nos pegar” – e enquanto você provavelmente odeia receber uma dessas, elas são o jeito mais comum de convidar alguém pra passar algum tempo com você hoje em dia, e aparentemente elas chegaram pra ficar.
9. Algumas pessoas só querem te pegar e se você está procurando mais do que sexo, eles não vão te falar “Alow, acho que eu sou a pessoa errada pra você”. Pelo menos não antes de você liberar o tindolelê. Enquanto a decência humana é o ideal, a honestidade não é obrigatória.
10. A mensagem que você mandou chegou. Se ele não respondeu, pode ter certeza que não foi por causa do mau funcionamento das operadoras de celular.
11. Tantas pessoas tem medo de compromisso e de estar sério com alguém que continuam um relacionamento não-definido, que acaba confundindo as coisas e só funciona até não funcionar mais. Eu já disse várias vezes, e vou dizer de novo – “nós somos só amigos” é abrir a porta para uma traição que tecnicamente não era traição porque, hey, vocês não estavam juntos juntos.
12. As mídias sociais criam novas tentações e oportunidades para trair. As mensagens por inbox e opções para um flerte sutil (ex. curtir a foto alheia) não servem como desculpa ou prova de uma traição, mas eles certamente aumentam as chances disso acontecer.
13. Mídias sociais também podem criam a ilusão de que você tem opções, o que leva as pessoas a verem o Facebook como um menu de pessoas atraentes ao invés de um meio de manter contato com o s amigos e a família.
14. Você provavelmente não vai ver muito da personalidade genuína e sem filtros de alguém até que vocês estejam em um relacionamento. Geralmente as pessoas tem medo de mostrar como realmente são e parecerem disponíveis demais, ansiosos de mais, nerds demais, bonzinhos demais, seguros demais, não engraçados o suficiente, não bonitos o suficiente, não alguma outra pessoa o suficiente para serem acolhidos.
15.  Qualquer pessoa com quem você se envolver romanticamente, ou vocês vão ficar juntos para sempre, ou vão acabar terminando em algum momento. E ambos são conceitos são igualmente assustadores.
16. Quando vocês estiverem namorando, ao invés de expressar como se sente diretamente para você, é mais provável que a pessoa publique isso no status do Facebook ou Instagram, uma foto tipo Tumblr, de um por-do-sol com uma frase ou trecho de música com as palavras de outra pessoa, e enquanto pode nem mencionar seu nome, é claramente para você.
17. Tem muitas pessoas quem tem zero respeito pelo seu relacionamento e se eles quiserem a pessoa com quem você está, não terão escrúpulos na tentativa de ultrapassar os limites para conseguir conquistar a vítima. Girl Code e guy code são ilusões e código humano não é incorporado em todos.
18. Se você tomar um fora, provavelmente vai ser bem brutal. As pessoas podem cortar laços pelo telefone e evitar ter que ver as lágrimas rolando pelo seu rosto ou terminar tudo por mensagem e evitar ouvir a dor na sua voz e o seu nariz escorrendo. Envie um texto longo e voilá, o relacionamento acabou. O caminho mais fácil está longe de ser o mais atencioso.
Achei esse texto do  Christopher Hudspeth e um site gringo e resolvi traduzir pra vocês, é a verdade nua e crua galera. That’s it, that’s all.
Clipe de hoje:

[clipe] No closet

Desbundai e putiái!
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