0

Aberta temporada de caça ao Babaca (Bufalus Fanfarronis Basbaques)

sexta-feira, 20 de abril de 2012.
Hail Mott!! Ave Butler (Ave in Excelsis)


Hoje vou falar de um assunto bastante sério e importante. Vou começar divagando sobre a questão  do Liberdade de Expressão na Internet. Fiquei sabendo que tiraram do ar o famoso site dos homem santos, antigamente disponível no endereço no endereço http://silviokoerich.org/. Isto é um absoldo! Um atentado contra o sagrado direito de homens de bem defenderem a moral masculinista em nosso país!

E tudo porque? Só porque meia dúzia de feministóides  hidrófobas e asquirosas resolveram queimar sutiã em praça publica para denunciar (pasmem os senhores) que estes distintos cidadãos estavam pregando o assassínio de mulheres, a intervenção terapêutica contra a perversão lesbiana (maldosamente apelidada de "estupro corretivo"), fazendo apologia ao pupilismo, à (sic) homofobia, etc... Pura invencionice destas  vagabundas que querem dominar o mundo e feminilizar os machos. Vade retrum!

Bazinga!

Como uma autêntica "slut" dialoga com um "mascu"
Para quem esteve afastado da internet nos ultimos meses e não sabe do que estou falando, recentemente dois jovens foram presos pela Policia Federal, acusando de serem donos do site acima meniconado, que tinha como título sugestivo, "O Perdedor mais Foda do Mundo".

O site propunha, além das maravilhas acima, organizar atentados terroristas contra mulheres, LGBTs, estudantes de esquerda, crianças e qualquer pessoa que não compactuasse com toda esta insanidade. Um dos gênios que montaram todo o esquema era curtiboka (ô saudade dessa cidade) e o grosso da denúncia tinha sido feita pelo blog da Lola, que também começou com a campanha de perseguição, desmoralização e patrulhamento ideológico, hehehe.




Pois é, dois dos principais "sanctus" como eles se denominavam a anos no zumbáico Orkut foram presos num momento extrememante "tenso" (explico o por que das aspas adiante), quando o blog dos Perdedores começou a ameaçar os alunos de Ciências Sociais da UnB. Um erro crasso e inconsertável. Mendigos pode-se meter fogo, universitários, nuuunca! E pior que os otários venderam o peixe que iam "arrepiar geral", prometeram um massacre com direito a fogos de artifício e só entregaram desculpas. Alegaram que não conseguiram entrar no predio porque estava cehio de policias e tal. Que saudades do atirador de Columbine, a versão brazuca é deprimente :(

Admito que tenho até uma certa admiração pelos "mascus" -como se auto-denominam os tais masculinistas (bazinga!) mas diante de tal decepção tive que me juntar a turma que começou a a entrar no site para escarnecer. Bem melhor que dirigir meus direitos de leitor@ ao ao CEPROC:

Mais um piá de prédio fanfarrão/O humor contra o poserismo /Pedindo arrego pros gringo, mermão?! /A moral dos Santus/Juventude Revolucionária

Parece que a Safari virtual, a Caça ao Babaca (esse espécime longe da extinção) virou o esporte preferidos dos internautas por alguns dias. Ninguem mais os levou a serio, coitados. Na verdade não havia e não há motivo para pânico. A decepção com o ataque extremista falho á Unb só serviu para demonstrar qual o modus operendi dos terroristas de primeira viajem.. Os medrosos fazem sua apologia e ficam covardemente esperando até algum psicopata gaiato fazer merda (como de fato ocorreu) para depois "surfar" no atque bem-sucedido dos outros. Eles mesmos não têm coragem de fazer nada. E os poucos que têm coragem não têm know-how mas aguardamos que estejam a essa altura fazendo curso por correspondência com a Al-Kaeda, para não passar mais vexame. Terrorista que se preze, não foge de guarda à paisana,  vai pra frente e se explode!

Já que demonstrei toda minha afeição ao pessoal da Arkhan, farei minha critica de hoje. Tenho dito em vários locais que uma pequena parcela da culpa pelo surgimento desses monstrinhos se deve a falhas teóricas dxs militantes feministas. Um dos maiores problemas do feminismo, sobretudo ao chamada 2ª onda, ais ligada ao marxismo, é o de julgar que todas as questões referentes a ser humano perpassam necessáriamente por aspectos objetivos. Eu entendo que, pelo contrário, todos os entraves sociais têm origem na subjetividade.

A história fica contada da seguinte maneira: um bando de adolescentes 'nerds' e de subjetividade mal-formada, leva um "pé-na-bunda" de uma "lambisgóia feminista qualquer", e ,não tendo estrutura psíquica suficiente resolvem "surtar" e sair pregando a vingança contra as mulheres na base da bordoada. Essa versão não é minha, eram ELES mesmos que a apresentava no blog. Me parece uma versão bem coerente, insana, mas coerente. E se, apenas como exercício intelectual, a história fosse o contrário? "ADOLESCENTE CANSADA DO 'MACHISMO' DE SEUS PARES VIRA SERIAL KILLER, PERSEGUE E MATA HOMENS", seria um belo tema para Hollywood e provavelente as mesmas feministas que metem o porrete nos "mascus" achariam a tal heroína um exemplo a ser seguido.

Por que se defende a subjetividade feminina e não a masculina? Por que se mascara problemas estruturais mais graves em nossa sociedade com o superficial "pancake" do "combate ao machismo"?  E bandeira do feminsmo que só as mulheres têm o direito de ficar histéricas? Enfim, entendo que a tragédia anunciada dos "mascus" possa ter origem na incopreensão e na falta de interesse por intelectuais e militantes pelo tema das masculinidades, o que tem sido proposto agora justamente pela tão criticada e tão pouco "engajada" terceira onda feminista. Quem é o sujeito político do Feminismo? Se for apenas a mulher, sinto muito , mas continuarão morrendo sem saber de que direção vieram as balas.

As maiores desgraças advêm da nossa dificuldade de compreender o outro.

Já me repetiram o velho ditado "tá com pena, leva pra casa". Já propus levar os "coitadinhos" embaixo do braço pra dar um bom trato, mas ninguem me levou a sério. Magoei (chuif...)

Quem quiser me xingar ai nos comentários fique a vontade.

No closet! Desbundai!
Leia Mais...
0

Aventuras e desventuras no Rio-"First Blood"= Chegada não tão triunfal

sábado, 14 de abril de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

Hoje vou contar como tenho me virado na cidade grande e como tem sido meu dia-a-dia nessa nova fase da minha vida. Para quem ainda não me conhece, eu sou uma curitiboka (curitibana boboka) que há anos venho tentando conhecer a Cidade Maravilhosa e começar no Rio de Janeiro um bela carreira acadêmica. Até que neste presente ano de 2012, consegui uma vaga no Intituto de História da UFRJ, lar dos esquerdopatas (nem tanto assim) e instituição "milenar" onde já estudou ninguem mais, ninguem menos que o imperador D. Pedro II. Pode paracer bobagem, mas para estudantes de História isso é muuuuito chique!

"Um pequeoo paso para uma "trans" pós-gênero..."
Minha chegada triunfal com toda POMBA e circunstância, que o momento exigia foi marcada por uma atitude assumidamente punk: como sou de "origem humilde" (leia-se "fudida e mal-paga" ) e precisava aparecer no predio do IFCS, para marcar presença, e não havia conseguido lugar pra morar- a PORRA da bolha imobiliária e a proximidade da Copa e Olimpíadas está tornando a ideia de se mudar pro Rio cada dia mais inviável- tive que escolher entre perder a vaga que havia consquistado com tanto sofrimento ou me aventurar e dar de cara na porta. Resultado: "amanheceu, peguei a sacola, botei a viola (juntei o coturno véio de guerra) e fui viajar". Cheguei literalmente de mala-e-cuia no prédio histórico da antiga Escola Politécnica, no centro da cidade e meti o pezão na porta!

O bonde das sapatômica
Os novos colegas me receberam surperbem, formam muito solicitos e me aceitaram de braços abertos que nem o Cristo Redentor. Com destaque prazamiga sapatômica Tati e Bia (foto ao lado) que meu santo bateu logo de cara.
 A primeira semana foi definitivamente trash, correndo loucamente de uma lado a aoutro da cidade, mas por outro lado foi bastante interessante, por que dormindo na casa ora de um, ora de outro, conheci varias realidades urbanas. Dos hoteis chiqúerrimos do Catete (0nde passei a primeira noite, com a ajuda de uma amiga militante que pagou o pernoite pra mim e de onde fui ao Aterro do Flamengo ver o nascer do sol por trás do Paõ de Açucar na primeira manhã), passando pelos prédios de classe média do Méier e pelo bairro charmoso e boêmio de Santa Tereza. Até que, enfim, consegui uma vaguinha na belíssima Ilha do Fundão, mais exatamente no Alojamento Estudantil, de onde posto esta maravilha de relato- mais tarde falarei mais sobre as vantagens de se morar numa Casa de Estudantes, por ora, cobradores terão que passar pelos cães de guarda que ficam na frente do prédio, hehehe.

"O primeiro engarrafamento a gente nunca esquece"
E por fim, mas não menos importante, pude ter algumas experiências impares e ainda inéditas para uma curitiboka deslumbrada com as belezas da Cidade Maravilhosa. Conheci muitas pessoas bacanas e interessantes, como a megamilitante Indianara Siqueira, uma "mulher normal de peito e de pau" que mete paulada nas contradições do Processo Transexuailizador e do movimento organizado. Fugi correndo com azamiga pro Teatro João Caetano, fugindo de meu provável primeiro arrastão no centro. Passei um perrengue danado no transito caótico, meu primeiro engarrafamento decente (vide foto ao lado). Conheci o lado triste da vida, entrando em contato com os moradores de rua do Largo São Francisco, uma lição de vida..


Não sambei, não fui a praia, AINDA não voei de asa-delta e parafreaseando o pessoal do Casseta, "não comemos ninguém". Ou seja, não tô triste, nem feliz, muito pelo contrário...

O clipe de hoje é o som superdançante de Gloria Estefan & Miami Sound Machine, afinal todo mundo sabe que a musica tradicional do Rio é a Conga, a Lambada, o Tango e o Chachacha, e a capital cultural do Brazil é Buenos Aires.




NO PROXIMO POST: "Aberta a temporada de caça ao babaca".

No closet
Desbundai e putiái!
Leia Mais...
0

Doth in Rio 1="Meus dias de indigênte"

domingo, 25 de março de 2012.
Hail Mott!!! Ave Butler!!!


O artigo de hoje não vai ter oferecimento engraçadinho, pois trata-se de um tema muito sério. Poucas vezes a vida nos dá a oportunidade de sentir na pele a dor do outro e dessa vez a experiência foi bem servida. É também um mais que devido sinal de vida, pois ainda não tinha tido tempo e humor para voltar a postar.

Para os que ainda não sabem, mudei-me de mala-e-cuia para o Rio de Janeiro. Caí na loucura de  apear do ônibus e ir  direto ao IFCS (Instituto federal de Ciências Sociais) da UFRJ, sem ter garantido um teto para morar, pois devido a enorme rotatividade e procura por imóveis, especialmente para estudantes de fora, achei que seria mais facil tratar pessoalmente com os proprietários. Na pratica, passadas mais de 2 semanas ainda não achei um teto e as vezes me dá um "surto", vontade de voltar para casa da minha mãe, saudades dos laços de amizade quebrados repentinamente e de forma violenta (o que chamo ironicamente de "efeito Big-brother") medo de passar fome e não ter ninguem para me amparar, medo de não ser aceita pela instituição na qual sonhava em entrar.

Mas qual o assunto tão sensivel que venho tratar hoje?

Ano passado já tinha vindo ao Rio tratar de outros assuntos (sentimentais, inclusive) e aproveitei para tatear o terreno e ver se conseguiria me adaptar por aqui. Foi uma viajem maravilhosa, porém o cidade que havia conhecido então era totalmente diferente. Conheci-a.sob o prisma de umx turista que se se hospeda por tempo limitado num albergue juvenill próximo a praia de Copacabana, tudo naquela ocasião se resumia a tomar banho de mar e dar uma fugidinha pela região central de Niterói, atravessando o mar nas agora caríssimas barcas.

Mas o Rio que conheci desta vez é o do Centro da cidade, já que estudo no Largo São Francisco. O que mais me chamou a atenção até agora foi justamente o grande número de moradores de rua que dormem o dia todo na frente da faculdade, e a reação dos estudantes e transeuntes, a priori fria e conformista perante este quadro de miséria que já não ousa bater nas suas portas.  Para que o individuo seja considerado humano, precisa ter o acesso a um genero, para que seja considerado cidadão, precisa ter acesso a um nome e um endereço. A pessoas trans não tem acesso a nada disso, muitas nem a um endereço.

O paradoxo é que na minha cidade de origem quase nao se vê mendigos na rua. Sendo a capital mais fria do Brasil, é comum a temperatura estar abaixo de zero no inverno e sendo também a capital de um estado assumidamente fascista, é possivel imaginar um processo de limpeza social com a conivência dos moradores e das autoridades. Sinceramente, me pergunto o que seria "menos pior". E com certeza não teria parado para pensar nisso, se não tivesse me confrontado de forma tão crua com esta realidade. E para completar, a experiência de me obrigar a morar de favor na casa dos colegas de faculdade,  tem me dado a oportunidade de sentir na pele o que é não ter um teto, de me colocar na pele daquelas familias que brigam por um espaço no chão de pedra da praça, em torno da imponente estátua de José Bonifácio, um amigo que nunca poderão conhecer, pois jamis entrarão numa escola publica, muito menos no prédio que usam como travesseiro; o unico sinal de que a municipalidade ainda não os abandonara por completo; a espera da polícia, cada vez mais autoritária que um dia os virá buscar. Nada como sentir na pele...

Copacabana, aqui "trombadinha" não entra.
Lembro-me de um debate acalorado que pude presenciar no ano passado, quando uma professora e uma aluna da UFPR (advinda de um dos mais caros colegios particulares do Paraná) defendiam a lógica meritocrática segundo a qual "todos têm a mesma oportunidade, basta estudar". Talvez elas não possam entender a que me refiro, pois provavelmente tenham vindo ao Rio só a passeio e tenham conhecido apenas os cartões postais, as praias da Zona Sul, os bairros boêmios da Lapa e Santa Tereza. Mesmo assim faço meu desafio: eu queria ver se um dia um desses "trombadinhas" (como chamam pejorativamente os moradores de rua por aqui) fizesse uma prova do Enem ou o vestibular e passasse, se o individuo seria aceito em sala de aula, junto com os colegas do Leblon ou da Gávea. Quero ver como fará para ter acesso aos caríssimos "xerox" que precisamos para estudar.

Felizmente minha nova aventura no Rio tem servido para mostrar a realidade nua e crua das grandes cidades, aprender a dar mais valor às minha coisas e as pessoas. Enquanto sonhamos em ter bens materias e fetiches de consumo, em galgar altos postos na hierarquia acadêmica, em fazer carreira e sermos "autoridades em alguma coisa", algumas pessoas já desistiram de sonhar com um teto, ou já não contam com um prato de comida. Me ver como uma 'trans', jogada no relento duma praça, sem saber o dia de amanha certamente foi uma das experiencias mais chocantes da minha vida. Agora voltarei a chorar no meu travesseiro, que ainda não é de pedra.

Pensem nisso,

Desbundái.

ADENDO IMPORTANTE= Atualmente consegui uma vaga "mocada" no alojamento estudantil, graças a alguns comopanheiros militantes e à  proverbial hospitalidade do povo carioca. Anyway, o objetivo desse desabafo era trazer uma critica social sobre essa questão tão sensivel que é a dos desabrigados. Agradeço a torcida, a preocupação dos amigos e os votos de sucesso. Minha conta é Banco do Brasil24515485, agencia 5482-X. Obrigada hahahahaha
Leia Mais...
0

(...)"Amanha tudo volta ao normal"

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012.
Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer  
     
(Chico Buarque- Noite dos Mascarados

*ESTE ARTIGO É UM OFERECIMENTO DE CERVEJA ARTESANAL KRULOWA- "A ÚNICA QUE DESCE NA FORMA DE LOSâNGULO INVERTIDO, MAS QUANDO CHEGA NO ESTRÔMBULO FICA UMA DILIÇA"- AGORA TAMBÉM  NO SABOR CARAMELO.

Ave Mott! Hail Butler!

Hoje vou falar sobre dois temas que considero complementares: carnaval e preconceito.

Em primeiro lugar quero deixar evidente que não tenho absolutamente nada contra a Festa da Carne, muito pelo contrário, um dos meus sonhos de consumo para os próximos anos é sair como Madrinha de Bateria na Salgueiro ("Explode coração...) só preciso dar um chega-pra-la numa feiosa despeitada que insiste em ficar no meu lugar, mas malvadezas a gente discute nos proximos posts. Além disso, decidi sair como "madrinha da machada" na ala dos mortinhos do Carnaval de Coré-Etuba, afinal se tem uma coisa que é tradicional no carnaval curitiboka é o clima de velório

Bem como todos sabem o BraZil é "País do Carnaval", pelo menos no discurso da Rede Globo, do grande capital e das agencias de turismo. Mas o que tenho pra apresentar hje como critica é justamente aquilo que é a alma, a razon de vivre da festa. Originaria na época das cavernas, quando os foliões desfilavam nas avenidas de rocha lascada em cima de carros alegóricos puxados por brontosauros (meu professor criacionista ensinou isso em sala-de-aula, não passem por cima da autoridade dele) esses verdadeiros pesadelos dos moralistas sempre se proporam a permitir que as pessoas "dessem vazão a seus desejos e pudessem ser quem quisessem".

Não vou me ater a criticas a alienação política que tem lugar nesta data. A imagem que abre este post já me basta para tal fim e é auto-explicativa. Ao invés disso, partirei de outro tipo de denuncia. Para complementar eu publico aqui um belissimo clipe do eterno Renato e sua Legião. Que venham as plumas e paetês.


Minha questão é por que as pessoas tiram um dia no ano para fazerem aquilo que deveriam fazer a ano todo (ser elas mesmas)?Para a mim o Carnaval poderia disputar com o Natal o título de "Festa da Hipocrisia" ou "Festival dos Enrustidos". E pior que a séculos toda essa licenciosidade é seguida por um bando de religiosos que levam 40 dias de abstinência e de orações só pra se auto-flagelarem dos pecados que cometeram no presente final de semana.

Mas minha critica tem um rumo. Ontem recebi via Facebook mais uma noticia que evidencia o nivel de abuso conservador nas escolas de nosso páis, o país do carnaval, das mulatas, do samba e da liberdade. Uma garota foi expulsa do seu colégio por aparecer de cabelo colorido (!!!), e isso porque já se passaram mais de 20 anos do final oficial da Ditadura em nosso país. E pior, o pai da garota, com a subserviência dela (lógico, familia é a deleg... digo, célula-mater da sociedade) ainda se disse preocupado com o prazo "exiguo" que o sargento diretor da instituição havia dado para que a menor pintasse seu cabelo de preto.

Meu caro senhor (pai da garota), o senhor tinha era que ter ido a uma Delegacia de Policia registrar queixa, o tal diretor descumpriu pelo menos uma clausula da Artigo V da CF que diz que "ninguem será obrigado a fazer ou deixar de fazer nada, exceto por força de lei" e não existe absolutamente nenhuma lei que proiba a pessoa de usar cabelo da cor que lhe apetecer. Isso é um ultraje a todos nós que admiramos cabelos caloridos, um evidente ataque contra nossa liberdade de expressão e liberdade intelectual-isso é ETNOFOBIA! Ou o sr. poderia simplesmente mandar com todo carinho uma revista de moda que demonstre que a forma de se vestir e se apresentar mudaram muito depois dos anos 50 e da época de Getulio Vergas.

Outra coisa que me estarreceu foi a insistencia da vitima em protestar o seu "direito de ser adolescente". Isso é patético, todos os cidadãos brasileiros deveriam ter o direito de ter suas madeixas brancas, pretas, verdes, roxas, arco-iris, vermelho-vampiresco, cor-de-burro-quando-foge, lisos, espetados, carecas, Hare-khrishna, e CASO NOSSAS LEIS FOSSEM RESPEITADAS, não sofrer nenhum tipo de represália, seja no espaço escolar, profisional, social, intelectual. Este tipo de atitude repressora viola a integridade do corpo da pessoa, indiferente da idade desta.

Tenho 33 anos, desejo pintar minha madeixas de verde, cobrir meus braços de tatuagens e fazer a tão falada e mal-compreendida "cirurgia de mudança de sexo". E não por ser "adolescente"-acho que sou um pouco velha pra isso- mas por entender que meu corpo e minha vida pertencem exclusivamente a mim e estão a disposição de meu gozo pessoal e não de uma instituição (igreja, escola, mercado de trabalho). A fala de que a menina em questão tem o "direito de ser adolescente" não mais é do que o velho discurso hegemõnio que infantiliza o diferente no afã de descreditá-lo. És lésbica? Por que ainda não connheceu um homem de verdade. Ateus? Nada mais que "desviados" , rebeldes sem causa contra Deus. Tatuagem? "coisa de piá" como se diz na minha terra...

Me irrita sobremaneira ver como pessoas tatuadas, piercinzadas, com cabelos coloridos são alijadas de direitos fundamentais em nosso país, só por que "ousaram" ter um padrão estético não-conservador e personalidade propria. Me cansei de ler em revistas e reportagens sobre tatuagens que algumas empresas "exigem" que as pinturas e acessórios sejam feitos em lugares estratégicos que não fiquem a mostra. Como assim, "exigem"?!?!? Na boa, eu sou atéia convicta (ao menos por enquanto), vivo, num pais laico e não acendo vela pro deus-mercado. E até onde eu saiba o "proletário" (usando o jargão de um barbudão que viveu no século 19 e descia o cacete no "capitalismo selvagem" da época) vende sua força de trabalho e não seu corpo. Prostituição não é crime, cafetinagem, sim!

Todo este desabafo não passa de um ínfimo exemplo das contradições morais de nosso querido país. O país do carnavAl e do "oba-oba" , também é o campeão mundial da homofobia e da intolerãncia religiosa. Um país onde a figura do machão que volta bebedo para casa e espanca sua esposa e filhos é "folclórica e aceitável", mas uma mulher que se atreva a enfeitar seu corpo com tatuagem ou mudar a cor do cabelo, é "vagabunda". Um país onde a promiscuidade sexual hetero é admitida (premiada se o individuo for do sexo masculino), mas a promiscuidade  homo é criminalizada, as vezes pela propria comunidade LGBT.

Fica meu desafio:  quam vai seguir o exemplo da estudante de Uberaba, ter a honestidade de aceitar-se e valorizar a si mesmo e a coragem de não tirar a mascara na Quarta-Feira de Cinzas?

"Enrustimnento  a gente atropela com o carro alegórico da informação e da liberdade (com ou sem brontosauro)"

NO closet!

Desbundái! Festejái! Putiái!(mas reflitái)

pS:  Perdoem-me o tom meio jocoso. É Carnaval e estou tentando demonstrar que não sou tão xarope como pareço
Leia Mais...
0

Teoria Queer com açucar ou adoçante?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012.
Hail Mott! Ave Butler!!!

Dando sinais de vida depois de muito tempo sem atualizar essa *birossssssca. Pra quem ainda não sabe, passei no vestibular "falcatrua" (Sisu) da UFRJ, para onde deverei me mudar ainda nesse mês se tudo der certo e já estou treinando meus essssessssssss para dialogar amigavel e eroticamente com asssss cariocassssss. Como eu sempre digo, Aqui no Paraná não temos sotaque. Que tem sotaque é o pessoal mais pro norte. ;)

Para primeiro artigo desse novo ano, vou começar por onde deveria de ter começado desde sempre.  Posto aqui um video da querida diva Barbara que uma verdadeira aula sobre Teoria Queer. Perfeito na didática e nos exemplos, a Bárbara simplesmente me economizou uma interminável ladainha. Um dos melhores videos do ano passado, com certeza.

Teoria Queer? Mas que porra é essa? Veja o video:



Diante de uma explanação tão interessante, coerente e competente, resta-me muito pouca coisa a comentar.

As estratégia políticas "queer" , apesar e toda uma critica de que o discurso pós-moderno e a chamada terceira onda feminista de onde surgiram, formam um conjunto de praticas e um ética revolucionária não-marxista e não-classista. Não faz o menor sentido ficar pregando teorias e esperando alguem algum dia messianicamente vir a se organizar e salvar a humanidade (seja um heroi ou uma classe de heróis) se não fazemos algo palpável no nosso dia-a-dia. Nesse sentido a TQ é ultrarevolucionária, porque, paradoxalmante a criticas de alguns teóricos ao marxismo e ao feminismo tradicional que vêem maniqueismos em tudo (relação entre o explorador versus o explorado) acaba por atacar ferrenhamente o que a burguesia capitalista tem de mais sagrado: a divisão sexual do trabalho a partir da naturalização das relações de gênero.

Por outro lado a TQ se opõe a algo que chamamos, em parte pejorativamente de "identitarismo estratégico". Seria aquela idéia de que para estudar melhor ou viabilizar politicas publicas (no caso brasileiro) seria necessária uma classificação da população em conceitos limitados, as letrinhas LGBT. Não discordo nesse sentido, mas não podemos nos esquecer que a repressão e o policiamento também são polliticas publicas e a classificação dos sujeitos é o primeiro passo para se obter este tipo de controle. Assim o identitarismo, que num primeiro momento se propõe a garantir direitos básicos, acaba se tornando uma armadilha, excluindo quem não consegue ou não quer se enquadrar, criando minorias dentro de minorias e absurdos sistemas de status- a mundialmente famosa Pirâmide da Respeitabilidade LGBT  .

A TQ surge historicamente num contexto bastante interessante, nos alienados anos 1990. Surge em meio aquilo que chamamos de Crise dos Modelos Explicativos, quando, com a queda do Muro de Berlin e o esfacelamento da URSS, o discurso hegemônio era o de "fim da história e das ideologias" e "vitória final das democracias ocidentais e das economias de mercado". Diante dessa perspectiva a resposta inteligente dos teóricos queer foi "assim sendo o moderlo explicativo que naturaliza as relações de genero também ruiu, logo temos que construir outro". Desde então ha um embate em definir até que ponto o gênero é construído socio-culturalmente ou pode ser meramente biológico. Meu ponto-de-vista é que se trata de um desrespeito a nossa inteligencia afirmar que existe algo de biológico e "natural", porque ignora e desqualifica a própria experiência humana. É como se fossemos meros bonecos feitos de amaranhados de DNA e RNA e não seres sociais e agentes históricos que aprendem e evoluem com as proprias falhas e acertos. Falarei mais sobre este neo-mecanicismo nos proximos artigos.

Para quem se interessar pelo tema, pode acessar uma serie e videos do Prof. Dr. Richard Miskolci, "O Desafio de Um Currículo Queer "

Por hoje é só pessoal.
Mais um vez, obrigadx Barbara pelo brilhante video.

"Superidentitarismos a gente resolve na base da porrada!"

Putiá-vos e sejogai-vos!
Desbundai...
Leia Mais...
0

“Ânus” novo, covil novo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

*A imagem que abre este post simboliza meus sinceros, embora atrasados, votos de um ano prenhe de realizações e revoluções aos caros leitores. Afinal não há nada mais natalino e familiar que um macho carregando seus rebentos nas próprias entranhas.

Resolvi,depois de varias semanas em hiato, fazer minha avaliação tardia do ano que passou, e a partir desse balanço, traçar planos para o que se inicia. Não que acredite que vá conseguir realizá-los, até porque virginianos somos naturalmente perfeccionistas e não precisamos de listinhas de directivas para “surtar”. Alias, creio que não há maior paradoxo para uma revolucionária “queer”, que juntar “somos” e “naturalmente” numa única frase. Mas o grande barato de lembrar e planejar é que neste processo manifestamos e projetamos nossos sonhos e nos impomos como e naquilo que temos de mais humano, como seres desejantes.

Para quem ainda não notou, ou está pegando o bonde andando, nosso site mudou de endereço de novo. Dessa vez, resolvi assumir meu lado Medusa. Ora, trata-se de um monstro mitológico, metade mulher, metade cobra, um símbolo adotado por varias feministas, como a materialização da ira feminina. Como monstro, a Medusa é uma personificação da abjeção e do temor daquilo que é inacessível, taciturno. Sujo, e portanto, sedutor- um resumo do que seria a subversão “queer”. Mas para mim como estudante de história, tem ainda um significado especial. Ao petrificar com o olhar as suas vítimas, a Medusa monumentaliza as próprias lutas. E é justamente o que proponho e faço neste espaço:


“ADEUS, ÃNUS VELHO...”

O ano que passou para mim foi atípico, aqueles momentos-chave nas nossas vidas em que tudo dá uma reviravolta completa e o mundo vira de pernas para o ar. Meu 2011 começou no dia 10/10/10, data cabalística que prometia e de fato revolucionou meu modo de pensar e sentir o mundo. Neste dia em pleno ENUDS conheci uma pessoa muito especial e querida por quem me apaixonei perdidamente-falo de amor erótico e romântico mesmo.

Nos conhecemos numa festa, nos olhamos, nos beijamos e foi tudo tão maravilhoso que me esqueci de notar que tinha sido só aquela noite. A noite em que reaprendi a amar, uma noite que para mim nunca se acabará, pois carregarei o sentimento e aprendizado comigo para sempre. Fiz a coisa mais bela que poderia ter imaginado; arrumei as malas, comprei a passagem e fui para outra cidade, com a certeza e a fé de que nada é por acaso e que o amor me serviria de guia.

Quebrei a cara, até hoje não consegui revê-la, mas graças a essa loucura ganhei três dias de férias na Cidade Maravilhosa. Também ganhei a inspiração para escrever um das mais belos declaraçõpes de amor da minha vida aprendi a me permitir mais e descobri que sou e sempre serei “ultra-romântica” e que não posso abrir mão do há de mais valioso e puro na minha pessoa. No fim, entendo que a vida, cansada de me enviar anjos resolveu mandar uma fada para me mostrar o quanto sou importante e o quanto esse mundo é vasto. Ainda não desisti de morar no Rio, sonho em terminar meu estudos na UFRJ- onde poderei ter uma formação mais completa como historiadora especializada em gênero- onde poderei me voltar a uma de minhas maiores paixões, a ópera romântica. Ainda desejo ver essa pessoa,mas num outro contexto, pois já entendi que a missão dela foi cumprida na minha vida e trata-se de uma Amor Platônico, daqueles que se realiza no mundo das idéias, na conquista dos ideais.

2011 foi marcado por muitas lutas e muitas descobertas. Tivemos greve na UFPR. Incluindo as três categorias. Tivemos a 2ª Conferencia Nacional LGBT, marcada, pelas noticias que me chegaram, por muita politização e debate qualificado. Foi o ano em que vimos as máscaras dos teocratas e Fiscais do Fiofó Alheio começarem a cair, em que homofóbicos foram homenageados no Congresso Nacional, enquanto o Kit anti-hipocrisia foi negado pela conservadora presidenta Dilma. O ano em que se discutiu e defendeu o Dia do Orgulho Hétero, enquanto “nacionalistas” (leia-se “fascistas”) iam as ruas para “defender as famílias”. O ano em que partidos políticos manifestaram com todo furor sua ojeriza as famílias homoparentais, enquanto tivemos o primeiro beijo gay no horário nobre, não numa novela global,mas na propaganda de outros partidos. E, infelizmente para mim, o ano em que sofri , junto a tantos companheiros, um revoltante atentado heteroterrorista.

A seguir, segue minha listinha de proposições para o ano que se inicia. Estico o dedo mindinho da mão esquerda para prometer que não estou com os dedos da mão direita cruzados:

*Tocar de vez o botão “FODA-SE”: uma das coisas que aprendi em 2012 é ser menos perfeccionista elevar a vida mais na esportiva. O namoro não deu certo? Não tirei 10 na disciplina? As pessoas me decepcionaram? FO-DA-SE!!! Nunca ninguém conseguiu resolver seus problemas se estressando e eu quero reduzir ao Maximo as chances de pegar uma úlcera nervosa.

*Desligar o The Sims de vez em quando e viver mais a vida real na vida real.

*Ser menos “xarope”: o fato das pessoas discordarem do meu ponto de vista ou terem outros posicionamentos políticos não as torna minhas inimigas ou menos inteligentes. Só as torna HEREJES (palavra de origem grega que significa “aquele que discorda”). Só temos a perder com radicalismos baratos e se for para ser “xiita” ou “sunita”(olha o anti-arabismo!), que seja contra os homofóbicos. “hay que endurecerce siempre, pero perder la doçura, jamás”.

*Investir em meus sonhos: preciso urgentemente voltar cantar. Me afastei do canto coral e dos grupos vocais que amava devido a problemas com transfobia e dificuldades em me aceitar/assumir como bariton@ (baritonofobia internalizada?) e por imposição da tal “identidade de gênero” acabei desistindo dos meus sonhos. Agora preciso voltar com a corda toda e investir quem sabe numa carreira artística. Nome artístico eu já tenho, talvez seja a hora de tentar carreira solo,ou organizar minha banda.

*Cuidar mais de mim: como diria Einstein, “o corpo é um veiculo que leva a mente para dar um passeio”. Acrescento que leva a mente para passear e ver e admirar o corpo alheio. Para que me contentar com um fusquinha, se posso sair da garagem com uma Belina 78 (Brasilia Amarela é a veia!)? quem sabe não seja agora que consigo botar alguns piercings e fazer aquela tatuagem no braço? “Beleza não põe mesa”, estética é relativa, mas nunca vi ninguém ser feliz se sentindo feia. Só não pode esquecer do protetor solar. No Rio vai me ser útil.

*Fazer um curso de auto-defesa ou artes marciais- por que aprendi que argumentos só funcionam com seres humanos e animais racionais.

 *Errar mais, putiar mais, polemizar mais. Gostei da experiência ;)

*E por fim, prometo escrever “bifões” menores no meu blog, ser mais sucint@.

Por hora é só. A partir de hoje terminarei sempre meus artigos com uma belíssima pagina do cancioneiro underground (ou “popground”).





Em 2012, se o mundo não acabar, combos de orgasmo para todos!
Homofobia, a gente explode com rojão!
Putiá-vos e sejogai-vos!
Desbundai...

Leia Mais...
0

Campanha “Cala a boca, Ariadna !” (informação contra o senso-comum e a transfobia)

sábado, 10 de dezembro de 2011.
Hail Mott! Ave Butler “ (ave, ave!)
A polêmica de hoje tem como ensejo um belíssimo folder vitual a mim endereçado no Facebook, na tentativa de me “introduzir”(ui!) ao debate de gênero na pós-modernidade:

Notem que coisa mais meiga. Diante de tal “mimo” já podemos começar a aprender o básico sobre o assunto.
(o mais triste é que tenho que deixar evidenciado que se trata de uma ironia de minha parte, senão não entendem)
Tudo isso por que disse o arquievidente: precisamos urgentemente de uma Lei que proíba certa pessoa cujo nome não direi mas que se chama Ariadna abrir a boca em publico, principalmente em nome de um  coletivo que já é deveras estigmatizado.
Diante de uma falsa polêmica criada por um quadro televisivo sensacionalista que usava sua imagem (e a nossa) como ensejo para o humor inconveniente, a inominável mostrou todo seu lado transfóbico e indignou-se por ter sido “xingada de travesti”. Não senhorxs, ela não se revoltou por estar sendo apresentada num freakshow, como um monstrengo prestes a ser devorado pela curiosidade mórbida dos telespectadores. Ela se indignou por ter sido comparada com um “travecão”, uma pessoa que não se enquadra na dicotomia de gênero imposta pela sociedade ocidental e que , não havendo outras opções , se prostitui para sobreviver e não é “suficientemente ‘mulherzinha’ para ser aceita como ser humano”
Agora que “aprendi” que o gênero não está na genitália, vamos continuar o raciocínio. Se não está na genitália, onde estará? No cérebro? Dá na mesma, continuamos biologizando e naturalizando as experiências, só tiramos a buceta do meio das pernas para colocá-la próximas ao hipotálamo (depois eu é que desrespeito xs leitores, propondo alterações corporais ‘esdruxulas’). Já sei, descobriram um gene cor-de-rosa, responsável pelo instinto maternal e pela “barberagem” no trânsito- só pode ser (ironia de novo). A inominável já deve ter encontrado a resposta, pois sai na mídia “esclarecendo”, furibunda, que é uma “mulher”, pois já fez a tal operação. Mando o cartazinho de cima para ela por e-mail ou pessoalmente é melhor?
Joan Scott, historiadora feminista ensina que “gênero” é um mero ferramental teórico-metológico completamente subjetivo e artificial, inventado pelas intelectuais feministas para poder definir o espaço das mulheres na historia. Daí um engraçadinho mal intencionado teve a brilhante idéia de distorcer a lógica e inventar um monstrengo chamado “identidade de gênero”, conceito pelo qual as pessoas obrigatóriamente precisam se “identificar” como menino ou menina para serem considerados “normais”. Qualquer coisa fora disso: rua ou hospital.  
Ou seja, quem acredita que existe algo chamado “identidade de gênero” ,e  pior, que isso é inato e definido biologicamente, caiu na pegadinha das feministas. Ou pediu para cair. Que falta nos fazia a querida profª Berenice Bento...
A nefanda já resolveu o problema DELA, tascou uma vagina para provar que é “menina” e quem ousar dizer o contrário leva processo por calúnia e difamação. Ganha a dicotomia e o controle estatal sobre as performances (ações e demais símbolos convencionados pela cultura). Perdemos todos os que batem de frente com a Policia de Gênero que insiste em “adequar” corpos e mentes, afinal, o discurso sócio-cultural que empurra goela abaixo a tal dicotomia é perfeito e quem não concordar só pode ser doente mental.
  Agora, depois de todo esse circo chamado “identidade de gênero” armado, aparece um outro engraçadinho,ainda mais criativo que o primeiro, para dizer que, embora o psicólogo tenha a palavra final  sobre nossos corpos e possa julgar por critérios absolutamente heteronormativos nossas identidades, temos o “direito de decisão”. Já não é suficiente oprimir, controlar, podar, tem que jogar a culpa nos “disfóricos”(1) pelo controle estatal que eles mesmos sofrem.  Esta distorsão se encontra na defesa feita por alguns colegas á Ariadna, dizendo que ela tem o “direito” de se identificar como “mulher”.
Enquanto esta farsa dicotômica e dimorfista que nos exige a todo momento que nos enquadremos socialmente como homens ou mulheres existir, NÃO TEREMOS O DIREITO DE DECIDIR PORRA NENHUMA!  As escolhas já foram feitas pelo sistema, só nos resta no máximo colocar o cabrestinho e marcar no “xiszinho” rosa ou azul.
Aquela cujo nome não quero dizer, pelas notícias que me chegaram (e espero de coração que sejam falsas e distorcidas) foi completamente transfóbica ao mostrar sua “revolta” ao ser chamada de “travecão”. O “machista e homofóbico” Hugo Chaves, surpreendeu-nos essa semana ao comentar com todo bom humor uma montagem que o colocava beijando Obama. A inominável poderia ter seguido o exemplo do líder venezuelano e ter tido a elegância de responder  ao tal quadro humorístico de forma bem-humorada ou poderia ter aproveitado para denunciar a transfobia e a falta de acesso da população TTT a políticas publicas, mesmo com a absurda divisão em castas proposta pelo  identitarismo estratégico. Mas o nojinho dos “travecos”  e a total ignorância sobre o tema, parecem ter falado mais alto.
Se tivesse minimamente se informado sobre  o assunto, saberia que cientistas sociais especialistas já derrubaram esta divisão conceitual entre travestis e transexuais, o próprio coletivo “travesti” vem dia-a-dia negando-a (toda vez que uma “travesti” coloca anúncio em jornal se identificando como “transex” é uma denuncia formal contra esse processo de marginalização estratégica) e “travesti” é uma definição esdrúxula que só existe num paiszinho de mentalidade terceiromundista chamado Brasil. Portanto, transexual não é travesti que “digenvoluiu”- é “travecão” metido a besta. Basta traçar um perfil médio para ver que no nosso contexto, bicha pobre é  “travesti” e bicha fina é “transexual”.
Qualquer duvida, pare de ranger os dentes, respire fundo e consulte a poderosa e vitaminada Pirâmide da Respeitabilidade LGBT: http://vulvula.blogspot.com/2011/10/as-vezes-precisa-desenhar.html
Diante disso tudo, pergunta-se: é tão difícil assim aceitar a realidade que pessoas TTTs  jamais se assimilarão ao discurso dimorfista ocidental -uma ideologia absurda que nega o fato de que, quanto ao gênero as regras são as excessões-   e que, portanto, somos o terceiro,quarto, enésimo sexos  e a sociedade vai ter que capitular, se reestruturar, nos engolir assim mesmo?
Termino pedindo desculpas caso tenha magoado alguém (mentirinha) e afirmando que, se você chegou até aqui, provavelmente a critica não era dirigida a você. Aquelxs que deveriam estar lendo isso não sabem nem ler bula de remédio, quanto menos um post tão completo . Não que ser analfabeto funcional seja algum demérito para alguém, mas não aceitarei mais indivíduos ignorantes  e desinformados falar MERDA em nosso nome. Absurdos que nos prejudicam e só ajudam a fortalecer um senso-comum repressor, transfóbico e heteronormativo. Tomara que mais uma vez a mídia tenha distorcido as palavras de uma ‘trans’ só para nos atingir, como já é de costume.
Cuidado com o coração.

“Gaiola de gênero a gente destrói na base da serra-elétrica.”
Desbundái e putiái!!!

NOTA: (que chique !)
Sobre a completa babaquice anti-científica à qual denominam “disforia de gênero” falarei num dos próximos artigos, intitulado “Disforia de Cu é Rol@”
___________________________________________________________
Gostou do site? É o que temos para hoje. O espaço logo abaixo é pra você me xingar, aproveite-o, faça algo organizado. E não se esqueça de curtir e compartilhar. Gostou? Mande pras amigas. Não gostou? Mande pras inimigas. Mas mande, Tb quero ficar ricx e famosx . J

Leia Mais...
1

Mini-relato e Manifesto Bafônico do 1º Eruds-Sul

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011.
Hail Mott! AveButler!

*Apresentarei agora um mini-relato da minha experiência no1º Eruds no fim de semana passada.

Primeiro, esclarecerei escurecerei que o Encontro não teve aparticipação e adesão que imaginava. Claro Escuro, uma vez que tinha mepreparado para um bacanal a La Woodstock a beira-mar em Matinhos. No entanto,posso dizer que apesar de ter sido um evento local  e meio desfalcado de publico (sem comparaçõescom o ENUDS que ocorrerá em fevereiro na Bahia) a experiência surpreendeuqualitativamente.

Além de fechar a mesa final “políticas Publicas, no Limitedo Capitalismo”, com um discurso emocionante (pelo menos para mim), conhecimuitas pessoas  bacana[i]s e necessárias,como o Jorge, o divertidíssimo Reduzino (“Tchau, irmã”) e principalmente a musasáfica e libidinosa Pollyanna- saudades. Fora presenças queridíssimas, como ado Profa. Jamila,  Jeffa Biba, Damascena,Sorayão e Caro. Na noite de sábado para domingo houve um luau maravilhoso napraia, com muita cachaça local (esqueci o nome).

Teve até ceninhas eróticas e românticas co-protagonizadaspelo ser que ora vos fala...

A seguir, apresento o maravilhoso Manifesto lido na cerimôniade abertura, que irei roubar honestamente repercutir com prazer orgásmico. As imagens dizem respeito aintervenções muito bem sacadas feitas nos banheiros do evento. Havia mepreparado para fazer algo parecido, mas roubaram minha idéia. Acho que são asimagens que melhor resumem  o  espírito de contestação do ERUDS, umimportantíssimo espaço de aprendizado, do qual sempre voltamos transformados epodemos experimentar coisas incríveis que nem imaginávamos que existissem.
“Este é o1º Eruds-Sul. Nossa proposta é a de provocar odiálogo entre os diversos movimentos sociais e de pensar uma intersecção entreas categorias de gênero, raça-etnia, classe e sexualidade

No entanto, Heterossexista Conservador, se em sua cabeçalimitada nós estamos aqui só para falar de sexo e praticá-lo (promiscuamente)gostaria de pedir que usasse mais a imaginação.

Imagine a bicha sendo penetrada com prazer no CU por outrohomem.

Imagine bundas de fora e glitter pelo corpo.

Imagine mulheres de pernas peludas e sovacos mais peludosainda.

Homem gordos com ereções saindo de suas pelancas de banha.

Mulheres roçando suas bocetas peludas e molhadas umas nasoutras.

Corpos com seios e pinto, barba e boceta e tudo mais o queconfundir a sua percepção limitada.

Espero que imagine pintos ejaculando sêmen de arco-írissobre as páginas do seu livro de regras heteronormativo e opressor.

Imagine nossas corpas coloridas dançando peladas na rua.

Orgias de  todos osgêneros e raças.

Montanhas de orgasmo. Rios de ejaculação.

Espero que imagine cada mulher abertamente desafiando seupapel de gênero. Cada homem também.

E cada pessoa entre ou além desse binário.

Espero que imagine o colapso da família nuclear.

Quero que imagine muito alem de qualquer prática suja emarginal que você possa conceber.

Espero que você imagine a sua bandeira nacional em chamas.

Sua cruz, invertida, pisoteada e vomitada.

Quero que imagine travestis ateando fogo ao seu estilo devida.

Imagine atos libidinosos e selvagens sendo feitos em lugarespúblicos. De preferência, em plena luz do dia.

Imagine a completa destruição do seu “bem mantido “ idealheterossexual, macho e branco  desociedade. 

Espero que nos imagine insurgindo e destruindo o seu sistemamoral e suas crianças sendo influenciadas a uma vida de perversão.

E espero que você me odeie. Que me ache repulsivo.

Não estou implorando pela sua aceitação e não estou pedindo paraser amada ou inclusa.

Foda-se se “só falamos de sexo”. Fomos construídas parafoder e  foder iremos.”

                                                                                                                           (Manifesto 1º Eruds-Sul)
                             
Parabéns ao pessoal do Coletivo Leque por esta estupendaluvada de pelica nos fiscais do fiofó.

Aproveitem para contar as suas experiências no ERUDS eoutros locais. Deixem seus comentários.
ASS: Tonhão

Nos vemos na Bahia!!!=http://nonoenuds.blogspot.com/

*Armário?!?! Arrebentamos na paulada! (leia-se “caralhada”)
Desbundái e putiái !
Leia Mais...
0

SEMANA ATRIBULADA=UNIDAS + ELEIÇÕES + ERUDS

Hail Mott! Ave Butler!

Devido a correria da faculdade, ando com muito pouco tempo para postar.
ATRIBULAÇÃO #1= Ocorreu na capital brasileira do fascismo, nos dias 23 a 26/11, o Seminário Nacional “Unidas pela Cidadania” apresentado pela minha amigona Maitê Schneider e com ilustríssimas presenças de;

Laerte(Laertraaaaava!!!),




Léo Glück- denunciando a direitalha que manda e desmanda nessa terra de ninguém,conhecida como Paraná.

Nany People- com suas traquinagens mirabolantes

Drª Leticia Lanz - zoando com o teste COGIATI e dando uma aula sobre “identidade”.

Drª Alekssandra Salviano -arregaçando com o discurso médico e a [des]atenção aos usuários do SUS

Drª Marcia Rocha- dando de dedo (ui!) no Promotor de Justiça que tentava relativizar a questão da homo/lesbo/transfobia e se opunha aos “exageros”da criminalização da discriminação.

Janaina Lima- gatérrima, falando na mesa de Educação (hum dilicia...)

Dr. Jalma Jurado –falando sobre partes pudendas, sangue jorrando, carnes sendo dissecadas e outras cousas interessantíssimas, para quem quer ser açougueiro ou médico-legista.

E finalmente, o principal, o maior especialista em Despatologização das Identidades Trans do Brasil e meu ultramegaamigaço, Profº Drº Andre Guerreiro (que depois me paga um cafezinho na cantina como a gente tinha combinado- hum diliça! ;) )

ATRIBULAÇÃO #2: Nos dias 30/11 e 01/12 tivemos eleiçoes para o DCE-UFPR e eu, sempre militante, participei de uma das chapas (a melhor) “Tecendo o Amanhã”. Desgraçadamente, levamos uma paulada da chapa da Oposição, da Veja e do governo. Ou seja, em 2012, se o mundo ao acabar, teremos um DCE machista e homofóbico para nos preocupar, mas acho que EU não teria perna pra tocar uma gestão e militar concomitantemente no movimento d@s Bichas satano-comuno-gaysisto-fascisterrorista.Óbvio que vão participar ativamente da campanha nacional pelos 10% para a educação já e que não vão se vender pro Rei-Tor (poisehpoisehpoiseh). Seja como for, foi uma ótima oportunidade não-desperdiçada para ganhar mais XP ( pontos de experiência em linguagem nerdo-RPgista)





ATRIBULAÇÃO #3= Ocorreu também o 1º ERUDS-SUL (Encontro Regional Universitário da Diversidade Sexual) em Matinhos, litoral paranaense. Mini-relato seguirá no próximo post.

*Armário? Arrebentamos por dentro na base da paulada! (exatamente o que você imaginou)

Desbundái e putiái!!!
Leia Mais...
1

"Inclusão por fora "(discurso proferido no I-ERUDS- Sul)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011.
Hail Mott! Ave Butler!

Estou voltando agora do I-ERUDS- Sul, encontro ocorrrido no campus UFPR Litoral, em Matinhos (PR). "Voltando" não no sentido fisico e literal, mas já estou conseguindo me recobrar do cansaço e seguir 50% das aulas, entre uma cochilada estratégica e outra. No proximo "post' envio um relato mais completo, com fotos, pois agora estou com "pregui" e estava muito ocupada no evento para clicar as carinhas (ui!). Segue o texto que escrevi e li na mesa final, ao lado do assessor do Jean Wyllis, que admitiu pessoalmente nos meus ouvido o que ja sabíamos: o grande obstáculo para a despatologização das Identidades Trans ( e aos Direitos Civis dessa população) é o CONSERVADORISMO do proprio movimento organizado (ONGs). Não exatamente com essas palavras. A mesa foi marcante na minha vida, pela importância da temática na minha militância e pelos debates e reconhecimento de um tema que é um grande "tabu" na academia.

Segue o texto abaixo, anexarei um filme da fala assim que o achar:

NOTA: Na foto abaixo eu sou a pessoa da ponta direita, olhando para os outros convidados. Alias mesma posição de outra 'trans' que tinha falado na mesa anterior. Só porque não sou marxista o povo acha que pode me jogar na extrema direita kkkk





Sensuais e excitantes tardes!

Meu nome é Dorothy Lavigne (mas pode me chamar de Tonhão) sou estudante e professora de História, meu sonho é formar uma banda de rock e não quero ser vitimizada, apesar de ter uma doença mental. Pelo menos foi dessa maneira que fui apresentad@ num “debate” sobre o polêmico assunto da Troca de Sexo, num programa da TV UFPR do ano de 2010. Só maldosamente esqueceram de mencionar que faço parte de um coletivo internacional, formado por militantes de todo mundo, entre médicos, psicólogos, cientistas sociais e sobre tudo militantes, que, cientificamente embasados, denunciamos a ideologia policialesca, normativa e reacionária mal-disfarsada por este status de “enfermididade “.

Assim, a TV UFPR, mais uma vez seguindo a lógica hegemônica e o senso comum, tratara de invisibilizar vozes dissonantes no interior da própria academia, infantilizadando e ignorando estrategicamente autores e militantes que tem um outro ponto-de-vista. Preferiu-se a isto, incluir na mesa de debate uma teóloga que tinha contra o discurso médico normatizador, apenas a fala de que somos “pecadores” e num espaço que se propunha como debate cientifico qualificado. (aliás, uma primeira provocação: o que vem a ser um debate científico qualificado?)

A partir dessa duvida sobre o caráter da ciência e da intelectualidade na contemporaneidade, que me proponho a falar não como acadêmica, mas como militante. Farei questão de não enumerar autores e pesquisas, mas discursar partir de um local de fala, como militante e como sujeito forjado e moldado por um discurso que naturaliza a dicotomia “masculino versus feminino” . Afinal só a luta verdadeiramente justifica a vida e quem milita não envelhece

Ainda na primeira noite do ERUDS, assistimos a um filme que entre outros personagens, mostrava uma pessoa auto-definida e circunscrita no perfil medico-clinico como uma “mulher trans”. Esta aparição me pôs a pensar, pois nossa heroína, num determinado momento, afirma e demonstra com sua performance “absolutamente feminina” (seja lá o que isso signifique), que a única coisa que a separava da felicidade de ser um individuo completo era a “bendita” cirurgia. Dois anos se passam e descobrimos que nesse ínterim ela fora assassinada, sem conseguir realizar o seu sonho, aquilo que parecia ter se tornado o centro de sua existência, e que se resumia ao retorno à humanidade, o direito a ter um corpo intelegível, com o qual poderia se relacionar a contento com os outros e a realidade a sua volta.

Dessa forma, um numero incontável de pessoas desperdiçam suas curtas vidas tentando se adequar a um mundo hostil, que paradoxalmente as segrega, e ainda movimentam um promissor e lucrativo Mercado da Normatização, que abre espaço para a ascensão econômica de vários profissionais e especialistas, entre cirurgiões, endócrinos, psicólogos, assistentes sociais e talvez futuramente (falo com sarcasmo) economistas e teólogos.

Precisamos nos lembrar, quando falamos em Políticas Publicas, que o Estado que viabiliza cotas sociais e polticas afirmativas nas Universidades é o mesmo que faz vistas grossas as travestis diariamente espancadas e mortas nas nossas ruas e que invade as mesmas Universidades para agredir estudantes “maconheiros e baderneiros”. Esta será aqui a tônica do meu discurso: como diferenciar ações inclusivas daquelas repressivas e coersivas; políticas de controle do Estado e controle social?

Não terei tempo de mostrar quais os custos sociais da eminente revisão do conceito patologizante da transgeneridade, da travestilidade e da transexualidade, pois já os resumi no oficurso por mim organizado. Mas poderia denunciar mais uma vez, que os especialistas  responsáveis por esta decisão em 2013, tendem a ser favoráveis ao retorno do “homossexualismo” na lista de doenças mentais. Aliás, é interessante observar que a transexualidade como problema começa a ganhar peso no discurso médico, ao mesmo tempo que a homossexualidade dessde deste palco. Seria uma estratégia perversa de trocar um ator social pelo outro, uma vez que @s ‘trans’ seriam uma minoria dentro de outra minoria? Por outro lado, considerando as terapias de “cura” de transexuais adultos e crianças tradicionalmente ligada a idéia de garantir a manutenção da heteronormatividade (“mas vocês querem fazer a cirurgia para virar gays?”), seria legitimo indagar se realmente a homossexualidade está despatologizada ou se apenas mudou a estratégia normativa?

Nós, que propomos mundialmente rico debate sobre o tema, não o resumimos à questão médica, mas a colocamos no centro do debate, por entendermos que todos os direitos humanos perpassam a medicalização e alguma forma de legitimação ou justificação social . É o laudo técnico que traz a pessoa atestada de volta a humanidade binária, é o processo que permite a intelegibilidade dos corpos no sistema de Previdência Social. É com um laudo debaixo do braço que se pode encontrar uma identidade e um espaço num modelo cosmológico fixo baseado na existência de APENAS dois formatos possíveis de corpos, e sempre inclusos num projeto heteronormatizador.

Um exemplo que tem enfrentado no espaço da escola e da Universidade é a do tão falado nome social. Trata-se de uma tentativa desesperada de incluir “oficialmente” uma alcunha no lugar do próprio nome. O nome social é, literalmente uma farsa, pois tenta-se trocar no discurso politico, um Direito Humano fundamental por um mero paliativo. Não funciona porque as instituições, no capitalismo de mercado neo-liberal, não estão alheias ao cotidiano do cidadão, tanto na esfera publica, quanto na privada.

Por exemplo, na hora de fazer a inscrição para este evento, precisei sacar meu RG e denunciar minha situação enquanto “Deficiente de gênero”. Porém, o aspecto mais perverso dos processos de assimilação social ,repousa no fato de que condição “sine qua non” para o acesso é a identificação e catalogização do sujeito. Recentemente, Martha Suplicy apresentou no Congresso um “pacote” de leis para a população LGBT que incluía uma garantia de alteração do nome civil, desde que a necessidade de tal mudança tivesse como base jurídica a apresentação de lados que indicasse a pessoa sofrer de Disforia (inadequação entre sexo biológico e gênero psíquico- como se fossemos todos naturalmente obrigad@s a esse tipo de sintonia)

O que mais me preocupa é o contexto histórico que vivemos. A “História Magistra Vitae”( Historia Mestra da vida) é a prova de que o ser humano é tão irracional que sempre acaba repetindo os mesmos erros. A história demonstra que em períodos de grandes crises econômicas e sociais, como a que vivemos hoje, os setores reacionários buscam literalmente dizimar os sujeitos “que sobram”, os mais abjetos, sempre começando pela base da pirâmide social. É neste contexto tenebroso que se incluem as formas de medicalização das pessoas LGBTQW27 , assim como se incluíam os discursos na Antropologia Criminal a 100 anos atrás. No começo do século XX se usavam réguas e uma biologia distorcida para “comprovar” a deficiência moral d@s negr@s. Hoje se usa tomografia computadorizada para melhor definir como adequar nossos corpos e como heteronomatizar a nossa população .

Termino deixando algumas provocaçoes a audiência: o peso politica que segmentos conservadores da sociedade poe sobre a necessidade da manutenção do status de “anomalia” as identidades trans, poderia ser uma ponta solta, uma estratégia para continuar debatendo a homossexualidade como doença, possibilitando uma hipotética futura (re)patologização? Por que nós precisamos de laudos psicológicos para ter acesso a direitos básicos, incluindo trabalho, educação, lazer, e os gays e lésbicas não precisam? E principalmente, será que corremos o risco de Bolsonaros e Malafaias fazerem essa mesma pergunta?



Na foto acima: eu ministrando (kixikeeeeee) o oficurso "Medicalização, Polícias de Gênero e Estratégias de Resistência" , sobre a Campanha Mundial pela Despatologização das Identidades Trans. Dessa vez me pegaram na esquerda, mas sempre nas trevas do limbo!

Sejogai-vos! Desbundái!
*No closet!
Leia Mais...

Total de visualizações de página

 
Covil da Medusa. © Copyright | Template By Mundo Blogger |
Subir