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É sexy ser machista? Sobre o paradoxo do machista, enquanto oprimido e opressor)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!


Os partidos, agremiações e instituições da esquerda brasileira (ao menos aqueles que se importam com as chamadas opressões específicas) estão perdendo a guerra contra o machismo. Temos reparado, de uma forma muito freqüente, a toda uma série de maus-exemplos, vindos de nossa juventude e de nossas lideranças.
A ANEL, a CSP e especialmente o MML têm desgraçadamente falhado no embate as opressões de gênero por falta de conhecimento e bases teóricas sólidas. Uma primeira critica se pode fazer à insistência destas instituições em defender um modelo teórico centrado no recorte de classe (a chamada 2ª onda feminista) em detrimento de todo um debate sobre a opressão de gênero em si. Não é viável pensar na diferenciação do sexismo vivenciado pela mulher burguesa, a proletária, a negra, a estudante, se não há uma explicação aprofundada para o origem da homofobia, do cissexismo e do machismo. Por exemplo, a ANEL apresentou por ocasião do I Encontro de Mulheres da UFRJ, uma contribuição que meramente ignora debates acadêmicos que têm viabilizado lutas e ações diretas em todo mundo- ao exemplo da Marcha das Vadias, Bash Back, queer theory, pós-pornô, anti-sexo- acusando estes movimentos de serem ‘pós-modernos’ e burgueses, subestimando a força política por trás de tais fenômenos sociais.
Das diversas opressões específicas, o machismo é a mais importante, pois atinge intimamente todas as pessoas, indiferente de raça, religião, classe social, idade e gênero. E é central o seu embate por que engendra, constrói e organiza todo um sistema de poder. O machão sofre por ser obrigado a endurecer seu discurso desde que nasce. As mulheres, crianças e idosos sofrem com as agressões de seus companheiros e parentes, que aprenderam desde sempre a se fazer respeitar pela força bruta. E os homens mais politizados e que não se enquadram nesta lógica perversa sofrem com uma violenta desqualificação social- tendem a ser considerados pela sociedade como "menos homens".
Infelizmente, sanções do tipo simbólico, como fazer o machão pedir desculpas formais, ou retirar os agressores da organização das mesas, como vimos na greve estudantil da UFRJ, por exemplo, na prática surtem efeito contrário ao esperado. O tiro sai pela culatra por que aquilo que se espera ser uma ação educativa se torna um mau-exemplo, uma vez que tais penas são suficientemente leves ao ponto de serem percebidas não como sanções, mas como conivência institucionalizada à opressão. Apenas para dar um exemplo das distorções, em nosso grupo de discussão política, recentemente definimos que atrasos às reuniões seriam punidos com a perda momentânea do direito de fala. Qual o peso didático de se punir meros atrasos com rigor muito maior que um caso de agressão machista/sexista? Não seria deseducativo, uma vez que passaria aos demais companheiros, especialmente aos mais jovens (portanto, com a mente e noções éticas em formação) e menos informados- ou seja, aqueles que mais necessitariam ser sensibilizados- a idéia de que “não dá nada ser machista”? E pior, além de reincidir no erro, o indivíduo ainda ganha status no interior dos mecanismos e aparelhos, ao demonstrar uma sensibilidade ao tema,muitas vezes falsa.
Acredito que a questão seja muito mais complexa e perversa. Uma das correntes ignoradas pelos companheiros é a dos novíssimos estudos masculinistas. Parece-me que a academia e os intelectuais têm percebido cada vez mais a importância de colocar na mesa também o debate sobre as masculinidades e sobre a opressão do homem. O homem deixa de ser visto como a origem do machismo e passa a ser encarado com um vetor do sexismo, tão oprimido quanto a mulher. Foulcaut nos ensina que as relações de poder, portanto as opressões em geral, não são sempre hierárquicas, assim sendo a mulher nem sempre cumprirá o papel da oprimida, cabendo este papel ao homem. Um exemplo bem simples e que se pode ver a partir de um recorte de classe, é o da alta executiva de uma empresa multinacional (as mulheres estão cada vez mais presentes nas grandes empresas, apesar e por ganhar em média 30% a menos) que discrimina o porteiro do seu edifício e pela noite procura garotos de programa (os homens também estão cada vez mais presentes no opressivo mercado da prostituição).
Numa conversa acalorada com uma colega, expliquei-lhe que valorizar um rapaz pelo tamanho da barba era tão absurdo quanto julgar uma moça pelo tamanho dos glúteos. A barba, conforme podemos observar numa análise da história da moda e dos costumes, fora considerada como indecente e símbolo de desleixo, apenas a partir de meados do século XX e em espaços públicos e privados conservadores, como igrejas e prestadoras de serviços formais. A barba sempre foi tida como um forte símbolo de maturidade viril ao ponto de se acusar de “imberbe”, portanto dignos de descrédito, aos rapazes mais jovens e inexperientes. A idéia, ao contrário do que muito se imagina, é que a barba por fazer, os músculos avantajados, a voz grossa e intimidadora, a competitividade, a disposição instintiva para apelar a violência (mesmo física), a desvalorização da figura feminina, são caracteres desejáveis aos líderes e que devem ser imitados pelos mais jovens. Basta uma olhadela à nossa volta para repararmos quantos em nossa liderança se enquadram no perfil do troglodita sexista.
Muito se critica e se questiona- e com toda razão- o conteúdo e mensagens machistas dos comerciais de cerveja, por exemplo. Mas proponho que se observe também qual a imagem do homem ideal, apresentado nas mesmas campanhas publicitárias. Com excessão do baixinho da Kaiser, que apesar de ser feio (“feio” sob que critérios?) aparecia em meio às beldades dos vídeos (alusão subliminar ao poder econômico como substituição a sedução baseada na aparência física?), a maioria é branca, fala grosso e quase nenhum apresenta a famosa “barriga de chopp”.

“Mulher não é só bunda e peito”. “Homem não é só músculos, barriga tanquinho e status social”.

E assim, chego ao ponto mais polêmico do meu discurso, tais caracteres e símbolos da supralternidade masculina não são apenas desejáveis, como são fetichizados (sexualmente valorizados) em nosso meio, assim como na cultura burguesa em geral. Aprendemos com Freud a importância da sexualidade na formação psicológica e observamos a importância política central do sexo na sociedade contemporânea.  Como diria Foulcault, “sexo é poder”, assim, também é espaço de opressão e também estratégico campo de batalha, na luta contra o sexismo patriarcal.
Há explicações das mais diversas para tal fetiche da masculinidade opressora, desde aquela biologizante, que liga os símbolos de força viril e a conformação dos seios e quadris femininos a capacidade maior de reprodução, até a que o explica através da cultura. Mas indiferente de qual e explicação apresentada, as instituições que defendem o combate as opressões têm feito vista-grossa a estes e outros construtos sócio-culturais do patriarcado. Estamos tão habituados a conviver com tais discursos que tendemos a naturalizá-los ou ignorá-los, quando não os aplaudimos.
É sexy ser machista? O machismo é um mero pecadilho ou um modelo de pensamento que induz a sérias agressões e vitimiza a toda sociedade?
Me dirá uma companheira feminista que cabe à mulher “ensinar” seu companheiro e admoestá-lo a deixar de ser machista. Indago que força cultural levaria uma mulher a escolher como companheiro e dividir o mesmo teto com um homem que sabidamente a irá desrespeitar, e apresento como explicação a defesa despercebida de um postulado básico do patriarcado: enquanto em nossa sociedade o homem é preparado desde a infância para ser o líder, o provedor, à mulher cabe o papel da cuidadora e da curadora. Justamente por isso, naturalizamos a idéia de que a mulher deve “curar” seu companheiro do seu “vicio”. Tal atitude feminina, quando posta em prática, é socialmente perversa, pois desvaloriza e pune com restrições o homem que não se enquadra em tal, ao passo que coroa o machista, dando ao opressor como prêmio, seus maiores tesouros: seu corpo, seu tempo, seus carinhos, seus cuidados, seus sonhos...
Aliás, a idéia de que “se o corpo é da mulher, ela dá pra quem quiser” se ancora noutro postulado patriarcal, a de que o corpo feminino é uma oferenda a ser imolada em nome do macho por ela escolhido, que via-de-regra será, a partir de uma complexa engenharia do fetiche e do desejo (adivinhem...)aquele que se enquadra no perfil do macho-alfa-opressor-burguês. Enquanto houver capitalismo, o discurso do consentimento não passará de mera ilusão e de uma estratégia perversa e excludente de segregação das minorias e de conservação do status-quo- uma vez que é o próprio sistema que define o que é ou não “desejável”. E extremamente violento, pois usa como ferramenta de repressão alguns dos instintos mais importantes para a sobrevivência e sanidade humana.
Sanções simbólicas são deseducativas e perdem o caráter exemplar. Machistas, racistas e homofóbicos devem ser tratados com rigor. É preciso para que tenham algum efeito, que casos de machismo, racismo e homofobia sejam severamente reprimidos para que os agressores não reincidam em tais atitudes. A luta contra as opressões só avançará e terá êxito, quando os agressores deixarem de ser constrangidos e começarem a ser PREJUDICADOS, devido as próprias ações covardes e autoritárias. Indiferente do cargo e posição deste dentro das instituições. Penalidades igualitárias e democráticas! Doa a quem doer- e que doa (muito) nos próprios agressores.
Por outro lado, e eis o paradoxo, aprendemos pela experiência histórica que não se pode levantar guilhotinas em praça publica, pois arriscaremos culpabilizar e perseguir pessoas inocentes. Como diferenciar o machista reincidente e sádico daquele que desconhece e portanto não reconhece os efeitos das próprias ações? Aliás, como reconhecer o limite entre uma brincadeira aceitável e um atentado, se as esferas de poder naturalizam e fetichizam tais atitudes?
Sim, somos todxs machistas! E para vencermos este estágio do capitalismo, precisamos urgentemente criar uma educação radicalmente não-sexista, que contrarie as normas de gênero e ponha em cheque as diferenciações naturais entre meninos e meninas. Precisamos construir uma cultura que desconstrua todas as formas de fetiche e precisamos debater e indagar sobre quem afinal comanda nossos desejos. É preciso, antes de ensinar os homens a não serem sexistas, educar as mulheres machistas (grande parte delas encasteladas no interior do feminismo) para que não valorizem e incentivem seus machos virulentos. E, antes de tudo, temos que admitir nosso tabu, conservadorismo e hipocrisia ao lidar com os temas das sexualidades, desejos e opressões de gênero.

ADENDOS: 
1)Quem está mais familiarizados com os debates sobre opressões de gênero (e de gênero em geral) deve ter percebido que a minha critica fora reduzida propositadamente ás relações heteronormativas e cissexistas. Precisariamos de um espaço infinitamente maior para nos aprofundarmos e discurtrimos outros tipo de relação de poder/opressão. O problema é muito mais complexo do que parece... 
2)Estou muito revoltadx com atitudes de certas lideranças acusadas de serem "machistas" por terem sido pegas "chifrando" seus/suas companheirxs. Isto não é "machismo", é TRAIÇÂO da mais nojenta. E quem trai seus companheiros e não honra seus compromissos, mais tarde, se eleito, desonrará seus eleitores e trairá a classe trabalhadora. Tenho dito :(

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"Meu problema com dança." ou "Em defesa do Transamor"

domingo, 1 de julho de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

*adoraria muito ler as opiniões de vocês sobre o texto abaixo. Aprochegeum-se, o espaço também e seu.

"Se não posso dançar, não é minha a revolução" (Emma Goldman)



Então, pessoal, já me cansei de me desculpar pelas demoras na atualização deste site. Mas como já afirmei anteriormente, considero bem mais construtivo blogar apenas qunado temos vontade e no sentimos inspirados. Mais uma vez minha inspiração vem da necessdade desabafar, colocar pra fora coisas que me têm confrontado no dia-a-dia e que tem estreita ligaçao com o tema principal deste espaço de debate que são os usos do copor e a busca pelo prazer.

Essas ultimas semanas me foram extremamente estressantes. Polêmicas com comerciais de cerveja "transfóbicos", gente desocupada tentando definir a identidade do outro, pessoas muito queridas que eu queria que estivessem ao meu lado e que não se cansam de me criticar. Enfim, um pesadelo. Mas creio do fundo de meu coraçãozinho que o tal inferno astral já está passando e que logo terei boas noticias

Hoje tentarei dar conta de algo bastante complexo e que tem me apavorado nos ultimos dias. Como muitos de vocês sabem, venho de uma cidade bastante conservadora em relação aos "costumes". Pois bem, tenho ultimamente me envolvido com o que chamo carinhosamente de "gangue pornoterrorista", me relacionado (inclusive afetivamente) com adeptos de um certo "libertárianismo". Acontece, e tive que descobrir na base da porrada, que ser "libertário" na capital do funk pornô é extremamente diferente de ser "libertário" numa cidade onde se é ameaçado de morte por andar de sunga.

Tive o prazer de participar de um evento chamado "Corpos Dissidentes" na verdade um picnic em frente ao MAM no Aterro do Flamengo, onde muita coisa me foi desconstruída, e creio ter feito muitas boas amizades. Porém, ao contrário da inesquecível experiência do 8º Enuds este encontro com "libertários" me deu muuuito medo. Terei que experimentar melhor. Tenho sérios problemas com "ismos" e entendo que a maior sacada do século XX foi a queda dos modelos explicativos, na década de 90. O que mais me causa orgasmos é a liberdade de pensar e contestar livremente. "Ismos" em geral se propõe a apresentar o problema destrinchado, mastigado, prontinho para ser devidamente consumido, de garfo e faca.

Como havia comentado naquele encontro, tenho uma história de vida totalmente marcada por repressões sexuais e por restrições ao proprio corpo. Cresci e aprendi que, apear de curtir um boa putaria, como qualquer ser humano, apenas um modelo de relacionamento responsável, não necessáriamente monogâmico, me trará a satisfação que procuro. Entendo que o "romantismo", pois assim tenho denominado meu posicionamento, antes de um enfrentamento mortal ao "feminismo libertáro radical", é um modelo de sexualidade, afetividade tão válido quanto. E baseado nas minhas parcas leituras de Zygmunt Baumann, afirmo que é a proposta mais politicmante contestadora na atualidade, num mundo em que cada vez mais a burguesia global, empurra por nossas gargantas, atraves do discurso policialesco das "ciências PSI" que "o amor romantico acabou. Aceitem que suas relações não serão estáveis por que o mundo que construímos para vós também não é estável" .

O Amor é queer. Só o amor é libertário!

Me acusaram de defender um modelo heteronormativo, mas como uma pessoa que TRANSita e TRANSgride com sua vivência cotidiana,pelo simples motivo de não ter outra opção, as fronteiras do gênero e do sexo pode pregar algum tipo de normatividade, seja "hetero" ou "homo"? Primeiro me digam se meus futuros companhaeirxs, sejam seres uterinos ou penianos, será "homo" ou "hetero", baseado em algo paupável ("gênero" não é) e descutiremos melhor a questão. Me expliquem como farei para dar e receber prazer e carinho,se agora um corpo não passa de um devir, uma realidade a ser definidade num futuro por um médico? Um amor "libertário" entre pessoas "cis" (prefiro chamar de "trans no armario", pois se a marca da transexualidade é a incongruência entre sexo bioassinalado e identidade de gênero, todxs somos "trans") corre-se o risco de ser normativo.O transamor nunca.  O amor "libertário" rompe com as cadeias da opressão de gênero. O transmor, com o gênero em si. É e será ,enquanto houver homens e mulheres, a mais iconoclasta e subversiva experiência imaginável.

Onde se enquandram os desejos e os ideais no enlace da eterna dança dos biopaus e biobucetas?.

Então, respondendo àquela a que amo, mesmo sem saber se serei correspondida algum dia e que me perguntara o porquê de tanta paixão: "por que só pessoas realmente libertárias poderiam responder essas questões e só revolucionários teriam a coragem de romper a barreira intelectual dos "ismos" e dar e conceder prazer, indiferente de "bios-interfaces". E, só para romper a barreira das restrições ideológicas a mim impostas pela cultura do "caretismo": porque seu corpo me agrada e imagino que o meu também te agrade, ou tenha agradado em algum momento- sem gracejos sexistas.(ops!)  e cafajestagens por enquanto.

É tempo de desconstruir, para isto existe este blog, e para isto estou no Rio de Janeiro. Uma braço aos amigos do picnic.Não vejo a hora de revê-los para poder aprender mais um pouco. E proponho que todos os leitores busquem fazer o mesmo. Vençam seus limites. Evoluam. Coragem...

Falarei cada vez mais sobre este fenomeno maravilhos da [pós]modernidade a que chamo de "transamor". Por que isto sim, é liberdade.

CLIPE DE HOJE: Unruly Child: "Very First Time". Uma banda que curto muito e musica cuja letra é um convite. "vamos começar de novo?" ;)

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Ainda sobre a [des]patologização: desabafo do Menino Guerreiro

segunda-feira, 11 de junho de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

Continuando a polêmica sobre a Despatologização das identidades "trans", reproduzo com carinho um artigo escrito por amigo e companheiro de luta que utiliza o justo codinome  de Menino Guerreiro e e´autodefinido como transhomem (criticas aos identirarismos á parte) e que preferiu apaprecer disfarsado para não sofrer represálias,hehehe. Gostaria muito que alguém comentasse abaixo, concordando ou não e penso que seria muito útil se pudéssemos incluir nunm outro post, um texto favorável a continuidade da patologização, seria um bom contraponto.

Segue o desabafo:.


Venho falar de um assunto que incomoda há tempos. Mas venho como quem é atingido, nada de pretensões acadêmicas. Até agora tudo o que ouvi ou li não me satisfaz, não dá conta do que penso e sinto. Por isso me atrevo a dizer mais.
Falo da patologização da transexualidade. É bem verdade que para mim, esta patologização não é somente de um estado, mas de todas as vidas que teimam em não se adequar estoica e sorridentemente na gavetinha da “preferência nacional”: a heterossexualidade. Não acho que só pessoas trans deveriam estar incomodadas com este julgamento estratificador desrespeitoso, não somos apenas nós xs condenadxs aos códigos, são todxs que desafiam o império heterossexual, altamente arquitetado pela monarquia absolutista da medicina.
Sem sombra de dúvida, questiono a veracidade desta patologia. Se sabemos que a masculinidade e/ou a feminilidade é produzida pela sociedade numa rotina incessante, via adestramento, minha pergunta é óbvia: Porque alguém que não está lucrando nada com esse processo, insiste neste circo? E vem daí minha indignação e até certo ponto, minha irritação com a comunidade que eu deveria pertencer. Falo especificamente dos homens transexuais, as mulheres estão bem mais adiantadas, contudo não é prudente fazer generalizações. Os homens trans, em sua maioria, no contexto nacional, são favoráveis e fervorosos militantes deste encarceramento. Não compreendo. Juro que já tentei, porém não encontro explicações racionais. E como sou um igual, me sinto confortável em argumentar criticamente contra este lugar de “cordeirinho manso”.
     A fala recorrente é de que precisamos do poder médico para realizar as cirurgias e a hormonização. Alguns chegam a aludir a um suposto saber onipotente, que jamais deveria ser contestado, sob pena de cometer um sacrilégio. Seria cômico se não fosse trágico. Tomar o saber médico/psicológico como lei é além de estrategicamente infeliz, absurdamente pelego. Não encontro outra palavra que defina melhor esta situação. Não escondo que busco respostas mais contundentes em outros saberes, e que me encanta muito mais teorias mais críticas e menos arrogantes.
     Metanarrativas me incomodam. Superciências (ou super cientistas) me aborrecem. Prefiro a compreensão do fenômeno contemporâneo da transexualidade pela perspectiva de ser apenas uma outra forma de existência que não se alinha aos caminhos ditados de uma sociedade incapaz de conviver pacifica e harmoniosamente com a diversidade de vidas. Não falo nem humana, porque o meu planeta não é só meu, nem de minha tola espécie. Ainda bem, somos muito entediantes e mesquinhos para a Terra.
     Voltando ao propósito. Penso que é preciso compreender a apreensão da sexualidade e da corporalidade pela medicina e suas derivadas como mais um jogo de manutenção do status quo, em que essas ciências são apenas algumas formas de conhecimento, sem nenhuma chance de representarem a perfeição no status científico. Palavra final não “rola mais” num mundo em que a informação não é mais (ou pelo menos não deveria ser) um privilégio de alguns grupos, em que o monopólio das ciências naturais como explicação para os fenômenos sociais já foi derrubado e em que se reconhece cada vez mais que NENHUMA ciência ou NENHUM conhecimento é sólido e impermeável a ponto de ser dogmático. Enfim, acredito que esta defesa acalorada do saber médico, só demonstra o descompasso da população trans e a própria história social, uma vez que trata-se de uma tática de obediência e servilismo, sendo que estas “habilidades” nem sempre nos trouxeram qualquer retribuição.
     Aceitar ser patologizado é rasgar seus direitos civis, é infantilizar-se em troca de uma aceitação social (que nunca acontece), é descrever-se como ser sem escolha, é resignar-se com um destino infalível, é deixar em outras mãos o seu futuro e o seu presente, é negar que só temos presente e pretendemos um futuro ao sermos obra de um passado que também construímos, é fazer escambo com sua dignidade, é autorizar outrem a tutelar nossas vidas e corpos, é doar aos nossos inquisidores e carrascos o chicote que nos violenta com suas definições, laudos, testes, comprovações e todas as artimanhas que esses donos de nossas mentes e almas utilizam para domar o instinto de toda vida que existe: o instinto de existir como quiser.
     Contudo, meu intento ainda é outro. Gostaria muito de descobrir, ou de pelo menos compreender, ainda que pouco, as motivações que levam tantos homens transexuais a aceitar a patologização de sua experiência, que só piora quando ouço frases do tipo: “sei que não sou doente, mas precisamos deste status por hora”. E quando será o momento de questionar essa arbitrariedade? Quando nossos destinos já estiverem selados com a extradição de nossos corpos ao terreno das aberrações “corrigidas”, ou na linguagem do poder médico “readequadas”? Esta postura me faz temer muito o quê pode nos esperar, pois, ao contrário dos meus iguais não acredito piamente na “bondade irrefutável” e na “perfeição celestial” da medicina, portanto, temo o futuro relembrando o pretérito. Em outros tempos – não tão distantes – o “tratamento” para a correção das anormalidades poderia ser muito semelhante às práticas do santo ofício ou dos campos de concentração da Germânia nazista. Vai que a moda volta, não é mesmo? Seguro morreu de velho.
     Penso que para esquematizar minhas conclusões seria pertinente à divisão em dois eixos explicativos para esta sujeição voluntária de meus compatriotas de corpo ao poder abusivo das ciências médicas e suas adjacências. Meu primeiro possível entendimento para tal conduta está relacionado à constante necessidade do ser humano de hierarquizar tudo e todxs. Chamarei aqui de hierarquia residual. Minha outra elucubração é muito mais complexa de definir, minha crença é que de alguma forma que não consigo compreender (por mais que esforce ao máximo) minha população acata todo este teatrinho da patologização encenando perfeitamente seu papel de dócil doente convicto devido a uma implicação moral. Há algum ganho moral nesta perversa posição. E este proveito que não me convence em nada, e talvez por isso, me seja tão difícil a compreensão.
     Pois bem, vamos aos pontos. Denominei de hierarquia residual (e afirmo que se outrxs já usaram este termo, peço desculpas, mas desconheço) a ocorrência da manutenção de divisões altamente hierárquicas em minha população. Os hormonizados são considerados mais homens que os que não iniciaram a sua terapia. Os que têm o laudo estão à frente de quem ainda não o possui. Aqueles que fizeram cirurgias (principalmente a mastectomia, sendo que tamanhos menores dos seios também são indicadores da “masculinidade”... Hã???) são mais masculinos e “mais convictos” que outros, pois já estão em fase final de transição. Quem alterou a documentação conseguiu atingir todas as etapas deste jogo e ganha o título-prêmio de “homem de verdade”. Excluindo minha paciência nula com estes contrassensos, penso que há um motivo real para esta hierarquização, afinal somos todxs ensinadxs a reproduzir a cultura, e nossa cultura é hierarquizante. Parece-me uma tática tola de tão cruel, pois ao inferiorizarmos “os de dentro (nossos iguais)” que ainda não cumpriram todas as exigências do “rito de passagem”, buscamos egoisticamente nos elevar aproximando nossa imagem aos mais adaptados. Darwin e sua teoria (que mais tarde deram origem às doutrinas evolucionistas sociais) demonstra ser leitura de cabeceira de quem sustenta tais convicções. Só digo que vejo tudo isso como um tremendo “tiro no pé”. Ao sustentar que há algo completamente adequado e normal a ser atingido, nos afastamos paradoxalmente da possibilidade de uma existência digna.
     Quanto ao lucro moral não consigo aprofundar minhas análises, pois, como já afirmei, este posicionamento me enoja a ponto de ser passional minha reação. Questiono-me até onde vale teimar nesta luta, em que a própria população deseja a sua cova, e o pior sente-se agraciada com o aprisionamento. Em nome de protocolos de cirurgias que não passam de migalhas, vende-se sua humanidade, sua autonomia e a tutela do estado psiquiatrizante é tida como a "melhor das soluções". Não entendo. Não consigo entender. Como algo tão nefasto pode ser bom? Confesso que não entendo como vitimização, pois, percebo que quem usa o discurso de “não sou doente, mas preciso de tratamento e por isso aceito o adoentamento” é consciente desta manipulação perversa, alimenta este teatrinho de mau gosto. Acredito que tenha a ver com a ideia sinistra de que ao se dizer doente, pensa-se que a sociedade irá aceitar e abrir as “portas da felicidade” para os infortunados do destino. Ora, não há nada mais fantasioso que isto! Perder o direito à escolha por ser portador de uma enfermidade comprometedora de suas faculdades mentais não pode trazer nenhum consentimento social, mesmo que movido por compaixão, para a alegria de pertencer ao rebanho. Ao que me conste, esta estratégia nunca foi muito exitosa. Por que para um preconceito tão arraigado seria? Primeiro que implorar piedade nunca salvou ninguém dos seus algozes. Além de não ser nada honroso ir a uma guerra solicitando o obséquio de ser perdoado por existir. Aliás, até onde eu saiba pedir clemência sempre trouxe apenas um suplício mais duradouro ou uma perene escravidão. Em nada este destino me interessa. Não são as portas da felicidade que se abrem “miraculosamente” para os mais obedientes servos da “normalidade”, são as janelas dos cativeiros da servidão dependente que abruptamente se fecham, impondo à anoxia aos nossos sonhos, aos nossos desejos, aos nossos corpos, as nossas almas e as nossas vidas. É somente enquanto houver a semente teimosa desejante de outro tempo, em que a diferença seja compreendida como constituinte de nossa realidade; outra sociedade, que brinde a diversidade; outro mundo sem hierarquias e sem superioridades estúpidas em nossos caminhos que poderemos conquistar a mais bela das vitórias: a compreensão que somos completxs e destinadxs à felicidade pois somos dotadxs das mais infinitas possibilidades de existência as sermos apenas, e nada mais que isso, seres VIVOS!!!

VIVA A DESPATOLOGIZAÇÃO!!!

MENINO GUERREIRO,.09/06/2012.

*Valeu Warrior Boy! Vamos de MPP-Movimento Pé na Porta!

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Berenice Bento, carta desabafo (sobre o Seminário: Processo transexualizador no SUS)

quinta-feira, 7 de junho de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!



Hoje interrompo mais uma vez nossa programação "normal" para divulgar um posicionamento importantíssimo da querida Profª Dr Berenice bento, que esteve presente, como ativista e pesquisadora à mais um circo armado pelo Ministério da Saúde, com o fim de  reiterar nossa suposta doença mental, de forma totalmente arbitrária  e por cima de qualquer disposição em contrário:

*Quem se interessar pelo tema e, como eu, ficar indignad@ pelo descaso de nossa gestores de sáude, favor compartilar e colar nos blogs, etc...
, favor
Carta-desabafo

Berenice Bento -Coordenadora do Núcleo Interdisciplinar Tirésias/UFRN

Prezadas/os amigos/as e colegas, gostaria de compartilhar com vocês algumas impressões acerca da reunião que aconteceu nos dias 4 e 5 de junho em Brasília, organizada pelo Ministério da Saúde, intitulada Seminário: Processo transexualizador no SUS. Seu principal objetivo seria compartilhar experiências e discutir a reformulação da Portaria No. 457, de 19 de agosto de 2008, que estabelece diretrizes para o processo transexualizador.
Sem dúvida, um debate crucial tanto para as pessoas transexuais e travestis, quanto para profissionais de saúde e pesquisadoras/es nesse campo. Por essa razão, até o momento, não consigo compreender o porquê foi ‘proibida’ a participação de pesquisadores/as e ativistas nos trabalhos do dia 04, ficando a discussão restrita aos/às representantes dos serviços (Hospitais que fazem as cirurgias de transgenitalização e os ambulatórios voltados para atender às populações travesti e transexual). Pergunto: não deveriam ser os/as usuários/as do serviço os protagonistas principais em uma reunião cuja pauta era avaliar a qualidade do serviço? Nesse caso específico, as pessoas transexuais e travestis?
Ao longo de todo o dia 05 eu me perguntava: o que pretende realmente o estado brasileiro? Por que reunir tanta gente com tamanha experiência (e expectativa) sem ter construído uma dinâmica de debate que, de fato, garanta a participação de todos/as? Por que o estado nos convidou para contribuir com o debate sobre o processo transexualidador, enchendo uma sala com pesquisadores/as de todo Brasil e ativistas trans que se dedicam à luta pelos direitos humanos das pessoas trans há décadas, sem assegurar o espaço adequado para a deliberação democrática?
Éramos dezenas e muitos de nós imaginávamos que ali estávamos para reformular a Portaria 457. Contudo, ao longo das nossas intervenções nos demos conta de que já havia uma proposta de reformulação dessa Portaria.Quem a concebeu? Com quem foi debatida? Quem a havia recebido anteriormente? Tínhamos apenas um dia de discussão: das 9h00 às 13h00. Saímos para almoçar e voltamos às 15h00. Terminamos às 16h30. Saí de Brasília com muitas perguntas:

1) Por que os/as gestores/as do Ministério da Saúde não distribuíram antes (via email) a pré-proposta de reformulação da Portaria?

2) Por que não se desenhou uma dinâmica/metodologia que permitisse a participação efetiva de todos os presentes? Podia ser uma dinâmica simples. Por exemplo: pela manhã se faria uma divisão em grupos de
trabalho e cada grupo ficaria responsável por discutir e sugerir alterações na Portaria. Durante a tarde, em plenária, faríamos os encaminhamentos. Fico com a impressão de estar ensinando a missa ao vigário. Não posso deixar de pensar que não optar por um “debate”exclusivamente em plenária os/as organizadores/as queriam evitar uma discussão mais aprofundada sobre o conteúdo da Portaria, assim como os encaminhamentos mais objetivos.

3) Por que parte dos profissionais envolvidos com o serviço de atendimento às pessoas trans se retiraram da plenária quando foi discutido o caráter patologizante da Portaria?

4) Por que não havia nenhum/a representante dos coletivos transexuais e travestis em nenhuma das mesas nos dois dias? E aqui vale uma ressalva: não estou desqualificando ou criticando as densas e importantíssimas reflexões de Guilherme Almeida, Tatiana Lionço e Anibal Guimarães, pois esses três pesquisadores/as-ativistas dispensam qualquer tipo de comentário sobre a seriedade dos seus trabalhos.

5) Por que a representante do Ministério da Saúde abusou do uso da palavra, de modo que restringiu a possibilidade de expressão das/os demais participante a palavra? Na reunião o tempo era o bem mais
precioso, porém ela sempre extrapolou seu tempo quando teve o microfone em mãos, o que aconteceu inúmeras vezes. Na minha experiência de participação em fóruns chamados pelo estado, em geral,
e corretamente, o gestor escuta mais e fala menos.

Ao longo de quase 20 anos como pesquisadora e ativista dos direitos humanos, sem dúvida, esse foi o encontro mais confuso e desorganizado de que participei. E, quando a desorganização é tamanha, é inevitável tecer dúvidas quanto às intenções que motivaram tal “(des) organização”. E eu tenho
muitas dúvidas. Não quero que meu nome seja usado para legitimar um suposto processo democrático de consulta sobre a reformulação da Portaria. Não tivemos uma discussão, de fato, na reunião de Brasília. Quero dar um único exemplo: afirmei, categoricamente, que nesse momento está em curso uma intensa discussão sobre a despotalogização no âmbito da própria OMS (Organização Mundial de Saúde), as quais possivelmente vão resultar na exclusão da transexualidade do capítulo V (letra F) no próximo CID (Código Internacional de Doenças), sendo transportado para uma seção denominada  “Cuidados à saúde das pessoas trans”. Eu também afirmei que se consideramos que a transexualidade e a travestilidade não são transtornos mentais, nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica a permanência de psiquiatras nas equipes multidisciplinares.
Pois bem, em reação à minha fala, Mariluza Terra, do Hospital das Clínicas de Goiás, afirmou que a proposta da “Berenice é muito interessante, mas não podemos esperar a reformulação do CID para atender aos homens trans”. Eu não disse que se tratava de esperar a reformulação do CID. O Brasil é um país autônomo e pode, unilateralmente, publicar uma Portaria nos termos que considerar pertinente. Ora, a França despatologizou a transexualidade muito antes de qualquer revisão do CID. Ou mais perto de nós, podemos citar a nova lei de identidade de gênero argentina que assegura direitos fundamentais às pessoas trans (transexuais e travestis). Com isso, o país passou a ter a legislação mais avançada do mundo. A lei argentina estabelece: 1) qualquer pessoa poderá solicitar a retificação de seu sexo no registro civil, incluindo o nome de batismo e a foto de identidade, 2) a mudança de sexo não necessitará mais do aval da justiça para reconhecimento, 3) o sistema de saúde deverá incluir operações e tratamentos para a adequação ao gênero escolhido, 4) a nova lei define identidade de gênero como a "vivência interna e individual tal como cada pessoa a sente, que pode corresponder ou não ao sexo determinado no momento do nascimento, incluindo a vivência pessoal do corpo", 5) Não condiciona as mudanças nos documentos à realização das cirurgias de transgenitalização.
Na confusão geral que havia tomado a reunião, não tive tempo de responder a questão levanta por Marizula Terra, mas estou convencida de que o argumento desenvolvido por ela conduz a um raciocínio danoso: vamos publicar a Portaria nos atuais termos patologizantes. Incluímos os homens trans e depois vamos ver o que faremos. Esta estrutura argumentativa, que pode ser interpretada como patologização negociada, tem sido amplamente utilizada para sistematicamente reiterar o caráter de transtorno mental das experiências trans. Mas a patologização não dá nada, só retira. A patologização não empodera as pessoas trans, mas as silencia. Como um/a doente mental pode falar de si mesmo? Concordo com a proposta que construímos na reunião que aconteceu em Haia (Holanda) em novembro de 2011. Durante três dias, 18 especialistas e ativistas trans de vários países discutiram a reforma do CID. Esse evento, organizado pelo GATE (Global Action for Trans Equality), foi financiado pelo Ministério da Educação da Holanda. O relatório final foi enviado ao grupo de trabalho do CID responsável pelo capítulo V (letra F): Transtornos Mentais e Comportamentais. Defendemos que o foco deva ser no cuidado à saúde das pessoas trans. Portanto, os procedimentos singulares às transformações corporais devem ser no incluídos, no próximo CID, no capítulo XXI (letra Z): Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde com o subtítulo: CUIDADOS À SAÚDE DAS PESSOAS TRANS, sem nenhuma referência às questões identitárias.
Este é apenas um exemplo dos feitos nefastos da falta de tempo e das confusões que aconteceram no dia 05 de junho. Imagino que, com razão, depois de ouvir os “esclarecimentos” de Mariluza Terra muitas pessoas trans, que esperam há anos para serem atendidas, devem ter concluído: “é melhor mesmo preservar a lógica de transtorno mental, caso contrário vai demorar muito mais para eu ter minha cirurgia”.
Ao longo de minha vida aprendi uma coisa muito simples com ofeminismo; a visibilidade nos protege. E como esta visibilidade acontece nas vivências trans? Se me negam a palavra, eu faço barraco. É o bafão! Gostei muito do bafão da Fernanda Benvenutty. Suas palavras brotavam do útero.Seu grito: quem sou eu? Uma doente mental? Então, eu posso pedir aposentadoria porque sou uma incapaz? Quem pode falar por mim? Eu sou uma travesti? Sou uma transexual? O que isso importa?
Aqui, o barraco é resignificado como mecanismo de sobrevivência.Trata-se de uma epistemologia singular daqueles que se negam a morrer.Precisamos de mais gente adepta à epistemologia/práxis do barraco. Já passou da hora das equipes biomédicas e o estado entenderem que os “seus/suas pacientes” são sujeitos. Esse deve ser o princípio orientador da Portaria e de todas as políticas públicas voltadas para a população trans.
Não queremos caridade. Chega de vida precária! Queremos o reconhecimento pleno da existência plural de experiências/expressões de gênero. Sem tutela. Sem psiquiatras.

****

MINHA CONCLUSÂO: Quanto a mim, não há nenhuma dúvida, Foi mais um GOLPE do sistema de saúde brasileiro para tentar "justificar" um decisão totalmente arbitrária. O fato dos pesquisadores e especialistas terem sido colocados de lado no "debate" demonstra que os gestores do SUS admitem não ter a  menor base científica para insistir na patologização forçada das identidades trans. E a atitude autoritária da senhora Mariluza Terra para mim não é nada nova, Já é de praxe os gestores de saude tirarem o microfone da boca dos defensores da despatologização e usar argumentos esquálidos para confundir os usuários.

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Pussy Riots! (Perpétua desaprova)

sexta-feira, 1 de junho de 2012.

"1, 2, 3, 4, 5, 1000! O que você tem contra a puta que pariu!?"

 Ave Butler! Hail Mott!

Aconteceu no ultimo sabado (dia 26), portanto a quase uma semana atrás. a versão carioca e nacionalmente Passeata da Barregãs de S.Sebastião, vulg@ Desfile das Piranhas da Guanabara. Aqui vou comentar minha experiencia pessoal, fazendo um "link" com o que saiu na midia.
Um singelo histórico do que motivara o movimento internacional: era uma vez numa cidade muito  distante no interior do Canadá um policial fascistóide que vivia batendo e sumindo sumariamente com prostitutas do lugar, até que um dia as mesmas resolveram se juntar e dar um cacete no infeliz até desfigurá-lo arrancaram e roupa e ficaram dançando emcima do cadáver. Tal ato marcara em 2010 o fim da sociedade judaico-cristã-ocidental e desde então celebra-se anualmente com muita suruba e pouca roupa toda liberalidade imoral e o fim da ética burguesa no ocidente.


"Quem conta um conto aumenta um ponto..."

Na verdade, infelizmente, trata-se de uma resposta a um policial que, num evento universitário, havia dito que as mulheres seriam menAs estupradas se vetissem roupas mais discretas (leia-se "não se vestissem como vagabundas"). A resposta, irada e irõnica, à altura fora a criação de um movimento internacional de caráter feminista, chamado SlutWalk- a Marcha das Vadias, em português.

          Criticas e reações


Chamaram-me a atenção nestas ultimas semanas algumas criticas e posicionamentos, alguns bem sexistas aliás. Eu prefiro não usar o conceito "machismo" por me filiar a uma linha de pensamento pór-feminsta, Queer.
Perpétua não aprova
 Primeiro, foi o ato-falho de um senhor comunicador do SBT de Santa Catarina, um ilustrissimo filhote da Ditadura, que, além de fazer a linha-dura pela moral e bons costumes, tem o péssimo costume de se contradizer quando a ocasião lhe impõe (nada substitui a audiência). Primeiro o infeliz cidadão me apresnta um artigo em seu blog, pedindo compostura às suas leitoras- há uma semana da Slutwalk (!) E aqui o idiota muda de idéia, quando percebe o tamanho da cagada.
Gostei bastante de uma critica feita no blog do Edward Pimenta, citando Camille Paglia:
ão chame a si mesmo de vagabunda, a menos que você esteja preparada para viver e defender-se como uma. Meu credo é um feminismo alerta, cauteloso, militante, o duro código de sobrevivência de prostitutas e drag queens.
O sexo é uma força da natureza, e não apenas uma construção social. (…) Meninas superprotegidas de classe média têm uma visão perigosamente ingênua do mundo. Elas não conseguem ver a animalidade e primitivismo do sexo, historicamente controlada pelas tradições da religião e da moralidade, agora firmemente dissolvendo-se no Ocidente. A revolução sexual vencida pela minha geração anos 1960 é uma faca de dois gumes.”
 Tai, gostei. Acho uma critica bastante relevante e que encontra ecos, muito distorcidos, diga-se de passagem no discurso masculinista tupiniquim. A revolução sexual aconteceu nos anos 60 e a perdemos... ganhando. Não existe liberdade sem responsabilidade -e sem resistência-e se você quer ser uma vadia, compre uma faca bem portátil para carregar na bolsa. "Se vis pacem para belum" ("Se desejas a paz, prepara-te para a guerra"). Quantas tem coragem para sair de suas casas e adentrar de peitos de fora seu lugar de trabalho? A vida real não é uma passeata bonita e colorida.
Por ultimo, gostei de ver o posicionamento corajoso da A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, elogiando o evento. Essa vai ser demitida logo, hehehe.

Tomando de assalto a casa do sexista-mor


A concentração e momento da confecção de faixas e cartazes se deu  no posto 4 da praia  de Copacabana. Saimos em "procissão" até certa altura da Avenida Atlântica,q uando mudamos temporariamente a rota a caminho da delegacia, onde ocorreu um ato simbólico. Uma menina fez um discurso e no final deixou-se manchar de tinta vermelha, representando o sangue derramado pelas mulheres diariamente violentadas, frente a passividade e conivência das autoridades. Porém, uma ação inesperada por parte dos manifestantes antes de chagermos a delegacia chamu a atenção da sociedade carioca. Havia uma igreja no meio do caminho, no meio do caminho havia uma igreja. Consegue imaginar qual a reação da turba revoltada e puta, ao e deparar no meio da Caminhada das Quengas, com um cartas de mais de 10 metos de altura com a figura do Senador PalpatineBento XVI? O resultado foi a mais deliciosa porralouquice que já pude testemunhar. Curte ai:


<br>E cá pra nós: tem coisa mais deliciosa que a mulherada adentrar a Casa do Sinhô com a belezura que vieram ao mundo? Eu teria achado a coisa mais digna se minha amiga (que nem tava pelada) não tivesse levado spray de pimenta,na confusão. Poderia ter sido uma bomba ao invés de peitos, mas teria sido uma proposta politicamente incorreta da minha parte. Mas desde quando a direita defende o politicmante correto?
*EM BREVE, FOTOS DA MANIFESTAÇÃO*

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Já não se fazem mais Dantes como outrora

sexta-feira, 25 de maio de 2012.
"O Poeta não morreu, foi ao Inferno e se fodeu!"
                          (Medusa Byron, parafraseando Cazuza)

Ave Butler! Hail Mott!

Pois é minha gente, conforme prometido venho aqui relatar o ultimo babado da minhas desventuras no Rio de Janeiro. Já entediada de tanto ver praia (mentira) e de tanta farra com o pessoal do IFCS-Instituto Fodástico de Cerveja e Sacanagem, a celebre (nem tando) blogueira que ora vos dirige a palavra resolveu a proveitar para fazer um tour basico pela Terra do Gramunhoso. Isso mesmo, ainda ligeiramente chamascad@, venho contar o que vos aguarda, ó leitor, do outro lado da zona penunbrosa huohuohuo (/risada satânica)

Minha insólita viajem pelas terras infernais inicia-se logo após um porre evento festivo organizado pelos colegas da faculdade e angelicalmente denominado CammaSutra e que ocorrera nas calmas cercanias da Lapa. Ora estava eu vomitando orando no interior do veículo, quando sinto o asfalto da Linha Vermelha abrir-se sobre meus pés e começa a oubir gritos (acompanhados de melodias do Restart) advindo das entranhas da terra. Não sei por grande clamor de minha parte, efeito das drogas,falta de sexo, ou por pura vontade do Criador, mas vi me derrepente (*tudojuntomesmo) no local de "danação eterna das infelizes almas que não lêem Covildamedusa, logo não foram alertadas a tempo de arrepnderem-se de seus vicios e pecados"

Em suma o Inferno, segundo permitiu-me ser mostrado, apresenta-se dividido em vários repartições, nas quais um demônio é resposável por pedir a credencias de cada pecador condenado, em 666 vias e com assinatura de todos os 240.000 santos do Apocalipse. E caso o danado por acaso não consiga todas as assinaturas em tempo habil (as filas são maiores que a do bandeijão central, do SUS e do seguro desemprego juntas) tem que pegar tudo de novo desde o princípio.

Os Dominios do Capiroto são divididos de acordo com cada pecado- o Demo é diabólicamente organizado- e apresntam-se em pequenos cubículos pouco ventilados de 2 X 4 metros (ó, onde foi que vi isso?!?) onde os infelizes são obrigados  ser mordidos dia-e-noite por mosquitos do tamanho de leões, dividir o cubícilo com pessoas que nunca viu na vida e que tem costumes bizarros (acoradar toda dia tocando algum instrumento no seu ouvido, espalhar jornais de cunho politico socio/cu/gay/terrorista, ou meramente queimar ervas arom´ticas, toxicas ou não) e ainda ficar sem ventilador.

"Espiritos Flatulantes": almas que passaram a sua vida empregnando o ar a sua volta. Aqui elas tem as bocas e narinas presas aos escapamentos dos automoveis da Gramunhão.

"Espiritos Entediantes". Aqueles que insistiram em postar sos memes do Willy Wonka. Nos Infernos, são obrigados a ter todo corpo mergulhado em chocolate quente, "curtindo" a musiquinha dos Dumpa-Dumpa por toda eternidade. No começo parece divertido...

"Espíritos Non semancantes": Insistem em ouvir Lady Gaga e pior , ainda dançam (!) No outro mundo são obrigadas a ouvir eternamente "popopopopopo-pokerface" com uma cixa de 1.000.000 de Watts inserida diretamente abaixo do crânio. E ainda são condenadas a querer mais> Nesse lugar horrendo, pude ouvir uma alma desgraçada berrando na escuridão "SÓ OZZY SAAAALVAAAA!". Mas aí já era tarde pra se arrempender, mané!
 
"Espiritos Chateantes". Pastores e visionários que passaram suas vidas fazendo "viajens mucho doidjas" e depois da morte ficam fumando crack e um xingando o outro por que não conseguem chegar a um consenso sobre como é o Inferno.

"Espiritos Plagiantes": Infelizes que leem o blog alheio, não comentam e não compartilham. E quando copia, naõ dão o devido crédito. Para estas miseráveis almas, a danação eterna é de uma tal agonia que não me é possivel descrevê-la e certamente será impossivel ao caro leitor imaginá-la (risada satânica HAUAHUHAUHAUAH)

Termino com um filminho bem bacana (joguinho legal hehehe)

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Estudante transexual vitima de perseguição política na UFPR

quarta-feira, 23 de maio de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

Estou hoje interrompendo minha "programação normal" para denunciar mais um crime LGBTfóbico que, que infelizmente e apesar de todas as provas e absurdos não aparece devidamente na mídia. Aproveita para desabafar que o que ocorre na UFPR não é nada diferente do que ocorre em outras Universidades do país. Nesse exato momento, eu estou tendo que correr atras dos professores do IH-UFRJ na tentativa louca de implorar a cada um que risquem o meu nome civil, quando da divulgação das notas da turma via-mural

Segue o relato do que ocorrera com um aluno da UFPR, e meu grande amigo pessoal, André. É de importãncia vital que os atos da Instituição UFPR sejam observados e denunciados, por que, além de representarem uma represália a um militante LGBT, que no momento se solidarizava com um ato de racismo que vitimizara duas colegas, abre um perigosíssimo precedente, pois pela primeira vez\  se usa o Nome Social e o respeito a Identidade de Gênero como ARMA DE CERCEAMENTO E POLICIAMENTO IDEOLÓGICO para intimidar e desvalorizar a fala de estudantes TTTs:
Quantos estudantes de talento a Universidade Fascista do Paraná perderá para garantir seu projeto de clareamento e heteronormatização da "elite intelectual" paranaense?


 ***
"No mês passado, como vocês podem lembrar, pois publiquei no meu mural do Facebook e enviei emails, houve um episódio de racismo na UFPR. Duas alunas da pedagogia ao comerem bananas no intervalo da aula foram chamadas de "macaquinhas comendo bananinhas" por sua professora na sala de aula. No decorrer da aula a professora insiste na injúria e diz a uma das alunas que havia esquecido o texto ou o caderno (não lembro) "vc esquece o texto/caderno mas não esquece a bananinha...". As moças ficaram muito chateadas e buscaram ajuda. Confesso que ainda não tinha contado que uma das meninas é amiga pessoal da Edi pois trabalha com ela, mas não me referi a isso para não levantar a questão de que só me indignava por se tratar de alguém conhecida. A própria Edi indicou que elas buscassem auxílio no NEAB (Núcleo de estudos afro-brasileiros), o qual foi, na figura de um professor mediador, totalmente ineficaz e omisso. De cara dizeram para as alunas que a professora era muito "brincalhona" e que elas deveriam deixar "para lá" esta história. Depois de alguma insistência, em outra reunião, as meninas foram para uma sindicância (a qual não foram informadas anteriormente) na presença de 5 professores do setor de educação que, em um processo cheio de coação, incitaram-nas a desistir e aceitar as desculpas da professora. Entretanto, no dia posterior à denúncia, a professora já havia feito em sala o comentário "sabe aquela bananinha da semana passada, eu fiz uma torta e comi ela inteirinha", bem como havia usado de sua posição de poder para avisar aos alunos que estudassem muito pois quem precisassem de um décimo na nota ela não daria... Em emails que circularam na net em listas de discussão, pude ler um email que a professora se defende da acusação de racismo dizendo que não o era pois ano passado em sua formatura no curso de Direito até dançou a valsa com um colega angolano (que ela não se refere como negro mas deixa subentendido devido a sua origem africana) e que tudo não passou de uma brincadeira...

O fato é que, vergonhosamente, em mais um episódio de clara hierarquização e discriminação, a UFPR tentou jogar a sujeira para baixo do tapete. As meninas ficaram coagidas e decepcionadas, sendo que a Eliane (aluna que escreveu a carta que publiquei no FB) ficou muito abalada e magoada com os encaminhamentos. Neste momento que eu e a Edi entramos na história. Talvez ela por ser amiga pessoal de uma das alunas discriminadas e por conhecer de perto o poder de esmagamento da UFPR com aqueles que contrariam as suas tão arraigadas normas da "moral e dos bons costumes" e eu, por já conhecer em meu próprio corpo as dores de ser excluído, humilhado, constrangido, inferiorizado na rotina acadêmica de uma instituição que não faz questão alguma de mostrar o quanto não nos deseja neste espaço, resolvemos fazer alguma intervenção com o intuito de novamente não vermos estes assuntos serem tratados como insignificantes circunstâncias do dia-a-dia acadêmico. Pensamos em várias coisas e por fim resolvemos "presentear" a professora com um vaso de flores com 3 bananas com um cartão lembrando o ocorrido. O cartão continha o seguinte: "Convido vc a participar da campanha: Prof. Ligia Klein - Dê uma banana ao racismo" e mais abaixo continha uma pequena foto dos "Bananas de pijamas". A Edi entregou as flores e a professora até a agradeceu. A ideia da flor foi dela e a arte também, eu apenas havia sugerido irmos fantasiados de bananas de pijamas, o que não foi possível pois não encontramos tais fantasias nas lojas de festas. A Edi também fez alguns cartazes com o conteúdo muito parecido com o cartão da professora e colamos nos locais indicados e permitidos para a propaganda do campus em que estudamos, o contéudo era: "Participe da campanha: Prof. Ligia Klein - Dê uma banana para o racismo" e novamente a foto singela dos bananas de pijamas. Saliento que uma das alunas deu entrada na delegacia de crimes raciais em um B.O. relatando o fato.

Esta semana eu estava em BH no 7º encontro de travestis e transexuais do sudeste para participar de uma mesa que falaria das exclusões na educação fora da escola. No momento da mesa, recebi quase 50 ligações da UFPR e algumas mensagens de uma colega do projeto "Violência Policial e Racismo" o qual pertencemos. Não atendi pois estava no silencioso e só percebi o quanto estava sendo "caçado" quando no almoço recebo uma ligação de meu querido orientador, Prof. Pedro Bodê que tentava me avisar do processo que estava acontecendo aqui em Curitiba. Algumas mensagens falavam em expulsão. Chegando aqui que pude conversar melhor com ele e saber a quantas andava o processo. Foi aberto uma sindicância para apurar a responsabilidade de quem colou os cartazes denominados "apócrifos e ofensivos" à prof. DRA. Ligia Klein, pois para a minha falta de sorte, a UFPR possui câmeras para nosso controle, mesmo não disponibilizando materiais mínimos de bem-estar como papel higiênico nos banheiros. Meu orientador me tranquilizou e garantiu que me defendeu, negando veementemente quando foi convocado a participar da sindicância em fazer o reconhecimento, pois acreditava que o foco da discussão não era esse e que por sua postura e ativismo contra a criminalização, jamais ajudaria a me delatar. Mas outros o fizeram. A situação tornou-se insustentável, tanto que não voltei mais as atividades esta semana (estamos na semana acadêmica do curso). Ontem encontrei-me com uma colega que estava muito preocupada com o rumo que tudo está tomando, informando-me que havia sido questionada se conhecia "o aluno TRANSEXUAL que havia colado os cartazes". Outro rapaz que foi chamado a sindicância contou-me que para fazerem meu reconhecimento a comissão mostra minha ficha acadêmica (com meu nome civil e minha foto anterior ao processo de transição) e que a minha transexualidade é perguntada aos informantes, bem como descrita no termo que os mesmos devem assinar. Como disse para meu orientador, acredito que a universidade nem precise realizar nenhum ato administrativo mais feroz contra a minha pessoa, basta fazer o que sempre desejaram: exposição de minha condição, é claro, não sou ingênuo, de forma a atrelar o fato de eu ser transexual a minha ação ativista, e sempre numa conotação depreciativa, pejorativa e que visa expor-me ao ridículo.

Minha estratégia será a de fazer algo que não desejava, mas que confesso já ter pensado. Pretendo expor minha condição de homem transexual, até porque em todo o tempo que tentei escondê-la, a universidade foi muito mais eficaz em torná-la pública. Nunca envergonhei-me de ser trans, apenas sempre quis não ser visto apenas por esta marca, este rótulo. Entretanto, se esta é a arma da Universidade, vou desarmá-la. Sinto, pois muito provavelmente perderei a amizade de muitas pessoas. Voltarei a ser um corpo-alien e qualquer manifestação minha enquanto acadêmico de Ciências Sociais será lida como uma demonstração de minha incapacidade de compreensão como um indivíduo normal. Minhas aspirações como pesquisador de diversas áreas serão comprometidas, meus interesses de pesquisa e minha militância por uma sociedade mais solidária com todas as formas de vida será compreendida como um produto derivado de meu sofrimento, pois é claro, serei lido como um "pobrezinho ser estranho e mal-formado" que precisa da compaixão das pessoas de bem. Afinal, eu sou considerado doente, transtornado mental e portanto menos (ou completamente não) capaz de graduar-me ou de realizar qualquer atividade intelectual. Meu corpo tem cicatrizes que serão objeto de curiosidade, contudo minha história tem mais e são elas que me fizeram ser tão persistente no desejo por uma outra sociedade. Serei exposto, humilhado, constrangido, ridicularizado, mas não ficarei acuado. Lutei e lutarei até meu último segundo, pelo meu direito de ser quem eu desejo e não me envergonharei abandonando minhas metas. Um conto pagão da história do rei Arthur fala de um rei destemido e heróico, Vortigen era seu nome, em sua última batalha ele teria chamado a atenção de seus soldados que fugiam na eminência de serem massacrados com um solene grito: "Voltem e lutem como bravos, de nada adianta a fuga, acaso vocês acreditam ser possível escapar da morte? Abracem-na e sejam glorificados!!!" Sendo assim, a seu comando seus soldados voltaram e não desistiram de sua luta. E sua bravura não foi esquecida. Com este exemplo, posso afirmar que poderá haver o dia em que me esconderei e fugirei da luta, mas com certeza não será hoje.

 Encaminho juntamente os vídeos que foram do caso das alunas vitimadas e a cópia do cartaz colado nos prédios da reitoria da UFPR. Agradeço desde já.

 http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1250882&tit=Alunas-de-Pedagogia-da-UFPR-denunciam-professora-por-racismo 

http://g1.globo.com/videos/parana/paranatv-1edicao/t/edicoes/v/nossos-reporteres-acompanham-um-caso-de-racismo-em-curitiba/1932586/""
***

Proposta de texto para ser enviada ao reitor da UFPR - gabinetereitor@ufpr.br (Escrita pela Prof. Drª Berenice Bento)
Magnífico Reitor da UFPR:

O estudante da UFPR, André Lucas, corre o risco de ser expulso por ter participado de atividades dentro da universidade em defesa de duas alunas que foram vítimas de racismo por uma professora.
A universidade abriu um processo contra André e ao fazê-lo publicizou a condição de aluno transexual. Além do absurdo de não apurar o caso de racismo, a universidade colocou o estudante em situações vexatórias. A comissão de sindicância mostrou a ficha acadêmica do estudante com seu nome civil e sua foto anterior ao processo de transição de gênero, além de perguntar sobre sua TRANSEXUALIDADE aos informantes que estão sendo ouvidos na comissão de sindicância. A UFPR, para abafar um caso de racismo, comete transfobia
 

Em anexo, carta do estudante com o detalhamento dos fatos.
 

Solicitamos:

1) A imediata suspensão da Comissão de Sindicância.
2) Instalação de Comissão de Sindicância para apurar as denúncias de racismo contra a professora.

Solidariedade? Muito mais: Unidade nas lutas!

E que venha a Marcha das Bananas!


COMENTÀRIO FINAL: Indiferente de minha relação de amizade com o André, a PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E IDEOLÓGICA perpretada contra ele é um atentado à minguada inserção social da população TTT no meio acadêmico, é um desrespeito a toda população de travestis, transexuais e transgêneros de nosso pais, que buscam a igualdade e o acesso ao meio escolar. Precisamos tomar providências urgentes para impedir que um estudante reconhecidamente transexual seja expulso de um Universidade, meramente por não aceitar baixar a cabeça diante das injustiças sociais tão recorrentes neste espaço tão elitizado e heteronormativo que são sa Universidades brasileiras.


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Por que não comemoro o 17 de maio?

sexta-feira, 18 de maio de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

A partir de agora estou decidida a atualizar essa birosca toda as sextas-feiras. Tem muita MERDA acontecendo (e algumas coisas bacanas também) o que torna um tormento ter que me calar.
Hoje vou falar de uma grande polêmica: a tal despotlogizazação da homossexualidade.

 Eu jogo meu Dildo encima da mesa e peço *truuuuco, mentirooosooo!!!!

Meu Dildo na mesa, caralho!
Já vou adiantando que tenho profundas dúvidas de que esse grande avanço mundial das políticas LGBT realmente ocorreu da forma como se diz. Na prática parece-me como futura historiadora da sexualidade (etnohistoriadora digievoluída?) mais como uma tentativa de criar um marco monumental que demonstre a "vitória do método Advocacy" (ou "pelevocacy", dependendo do seu posicionamento político) em relação a uma militância mais tradicioanal, de base- enfim, a vitória da diplomacia de gabinete sobre a organização popular. Defendo que a tal despatologização da homossexualidade NÂO se sucedeu na prática. Pelo contrário, apens mudou-se o foco das intervenções  das "ciências psi".
Parto da indagação do por quê é tão difícil se cassar os diplomas de psicólogos e psiquiatras que se propõe, indo contra o CRP, o CFP e a própria OMS, a "curar" gays e lésbicas. Se o que estas pessoas pregam e fazem se enquadra teóricamente em crime de charlatanismo e curandeirismo (que dá cadeia no Brasil), por que é praticamente impossivel que tenham seus diplomas cassados?
Seria por que o CID-10 (documento da OMS onde são catologadas todas as doenças do mundo), embora não onste mais a homossexualidade como doença, continua apresentando "furos", espaços que profissionais mal-intecionados podem corromper para justificar, inclusive juridicamente seus métodos. Falo, por exemplo, a "orientações sexual egodistônica":

F66.1 Orientação sexual egodistônica
Não existe dúvida quanto a identidade ou a prefer~encia sexual (heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade ou pre-púbere) mas o sujeito desejaria que isto ocorresse de outra forma devido a transtornos psicológicos ou de comportamento associados a esta identidade ou a esta preferência e pode buscar tratamento para alterá-la.
"Alterá-la" em que sentido? Quais os "transtornos" que  pemitiriam a intervenção dos profissionais neste caso? Quem o define?Juram de pé-junto que a tal egodistonia serve apenas no caso de homossexuais que não conseguem se aceitar  de forma "saudável" (o que é "saúde"?) como tais. Mas na prática serve para que Malafaias, Lobos e Justinos use como base para defender que alguns gays na verdade são "heterossexuais não resolvidos" e que sua missão como terapeutas é ajuda-los a reencontrar sua natural biológica a uma sexualidade que os leve naturalmente a produção de bebês. O argumento tnfelizmente tem muita lógica e se a distorsão fosse muito grande já teriam sido cassados ou presos. 
"E eles a-cre-di-ta-ram!"

A retirada do CID não impede a "cura" de LGBTs, ao contrário, cria um processo mais apurado de  "ortopedia" na origem destas relações que é o gênero  

Deixando para posteridade um "testículo" que deixei ontem no Facebook:  
Sinceramente, hoje estou bastante triste. Gays e lésbicas do mundo inteiro passaram o dia comemorando uma grande vitoria mundial: a retirada da homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID). Mas o que nós trans temos a comemorar? Ganhamos um "presentão" essa última semana. Mesmo com uma grande campanha mundial para que deixassemos de ser doentes, o DSM-V (que define o que é doença mental) teve a capacidade de mudar o nome do nosso "distúrbio". Agora não se chama mais "transexualismo" e sim "disforia de gênero". Decisão sem nenhum caráter científico, de forma arbitrária e na surdina, passando por cima de milhares de especialistas e militantes de mais de 20 paises.
Sabemos que muitas trans brasileiras defendem que a patologização se faz necessária para assegurar o acesso ao atendimento pelo SUS, mas pergunto: vale a pena aceitar uma "doença" que sabemos não ter para ter acesso a um "tratamento" que sabemos não precisar?
Acabo de voltar de um debate sobre direitos LGBT na faculdade de Direito da UFRJ e quando perguntei a um psicólogo convidado sobre o que ele pesnsava do tema, ma disse que para os psicólogos, "xs trans são as pessoas mais sãs que existem, por que somos as mais resolvidas com nossas identidades de gênero". Gostei muito de ouvir isso, mas sinceramente, preferia mais respeito por parte das autoridades e mesmo por parte das organizações LGBT. Quando batem em gays nas nossas ruas, isso já causa grande comoção- e com grande razão, aliás. E quando assassinam umx TTT? Ja viram alguma cena de travesti/transexual ser agradida nas ruas no Fantástico? Alguma vez a vitima não foi culpabilizada pela midia e autoridades? Gerou alguma comoção?
Parabéns aos gays e lésbicas, um dia chegamos lá :( Desculpem o desabafo...

ALÔ FEMINISTAS!!!

Aqui coloco na integra a fala da colega Aline Freitas, no grupo "Despatologização Trans." do Facebook:

 O DSM-V tende a substituir "transtorno de identidade" com "incongruência entre o gênero que se experimenta/expressa e o gênero designado". E no lugar de "transtorno de identidade de gênero" vai ficar "disforia de gênero". Se por um lado houve um avanço na linguagem, por outro o diagnóstico abrange todos os possíveis pessoas trans de todos os possíveis espectros. Sim, há um problema claro, passa-se a patologizar todo o espectro de pessoas cuja identidade/expressão de gênero diverja do que se considera aceitável para o gênero designado no nascimento
 Meu posicionamento, trocando em miúdos, para quem não entendeu: "psiquiatras especialistas" estão nesse exato momento propondo que qualquer "expressão de gênero" (teóricos queer prefirimos usar o conceito de "performance") que fuja daquilo imposto pelo discurso patriarcal seja patologizado. E isso pode valer no futuro para afeminados, "butchers", feministas  (sic) "raivosas", pós-generistas... Enquanto vocês ficam arrumando briga com mascus-pseudomasculinistas-perdedores, e chamando palavras de ordem nas ruas pedindo uma "América Latina  feminista", estes PILANTRAS lacaios da industria farmacêutica, reunidos nos Esteites,estão nos atacando pelas costas e arrumando um jeitinho de sair nos dopando a torto e a direito, só porque não nos  conformamos com essa sociedade heteronormativa, binarista, machista e porca que eles criaram.
Meu CU!!!


E viva o 28 de junho, quando enfrentamos a "puliça" na base da porrada!
*NO PRÓXIMO POST:: "Já não se fazem mas Dantes como outrora"

Adendos importantes: 

1) Pelo que me informaram a posteriori, a equipe do DSM-V apenas teria apresentado uma proposta conceitual  nova: a mudança do nome da "enfermidade", mas por este site, me parece evidente que não há a menor hipotese de diálogo.
2) Esqueci-me de dizer que a equipe de psiquiatras responsáveis pela definição da patologia trans é presidida por dois médicos, o Dr Zucker e Dr. Banchard, ambos favoráveis ao retorno da homossexualidade como patologia. O que estes senhores fazem num grupo tão importante, fazendo este tipo de debate, nem Cher consegue entender.

No closet
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Aberta temporada de caça ao Babaca (Bufalus Fanfarronis Basbaques)

sexta-feira, 20 de abril de 2012.
Hail Mott!! Ave Butler (Ave in Excelsis)


Hoje vou falar de um assunto bastante sério e importante. Vou começar divagando sobre a questão  do Liberdade de Expressão na Internet. Fiquei sabendo que tiraram do ar o famoso site dos homem santos, antigamente disponível no endereço no endereço http://silviokoerich.org/. Isto é um absoldo! Um atentado contra o sagrado direito de homens de bem defenderem a moral masculinista em nosso país!

E tudo porque? Só porque meia dúzia de feministóides  hidrófobas e asquirosas resolveram queimar sutiã em praça publica para denunciar (pasmem os senhores) que estes distintos cidadãos estavam pregando o assassínio de mulheres, a intervenção terapêutica contra a perversão lesbiana (maldosamente apelidada de "estupro corretivo"), fazendo apologia ao pupilismo, à (sic) homofobia, etc... Pura invencionice destas  vagabundas que querem dominar o mundo e feminilizar os machos. Vade retrum!

Bazinga!

Como uma autêntica "slut" dialoga com um "mascu"
Para quem esteve afastado da internet nos ultimos meses e não sabe do que estou falando, recentemente dois jovens foram presos pela Policia Federal, acusando de serem donos do site acima meniconado, que tinha como título sugestivo, "O Perdedor mais Foda do Mundo".

O site propunha, além das maravilhas acima, organizar atentados terroristas contra mulheres, LGBTs, estudantes de esquerda, crianças e qualquer pessoa que não compactuasse com toda esta insanidade. Um dos gênios que montaram todo o esquema era curtiboka (ô saudade dessa cidade) e o grosso da denúncia tinha sido feita pelo blog da Lola, que também começou com a campanha de perseguição, desmoralização e patrulhamento ideológico, hehehe.




Pois é, dois dos principais "sanctus" como eles se denominavam a anos no zumbáico Orkut foram presos num momento extrememante "tenso" (explico o por que das aspas adiante), quando o blog dos Perdedores começou a ameaçar os alunos de Ciências Sociais da UnB. Um erro crasso e inconsertável. Mendigos pode-se meter fogo, universitários, nuuunca! E pior que os otários venderam o peixe que iam "arrepiar geral", prometeram um massacre com direito a fogos de artifício e só entregaram desculpas. Alegaram que não conseguiram entrar no predio porque estava cehio de policias e tal. Que saudades do atirador de Columbine, a versão brazuca é deprimente :(

Admito que tenho até uma certa admiração pelos "mascus" -como se auto-denominam os tais masculinistas (bazinga!) mas diante de tal decepção tive que me juntar a turma que começou a a entrar no site para escarnecer. Bem melhor que dirigir meus direitos de leitor@ ao ao CEPROC:

Mais um piá de prédio fanfarrão/O humor contra o poserismo /Pedindo arrego pros gringo, mermão?! /A moral dos Santus/Juventude Revolucionária

Parece que a Safari virtual, a Caça ao Babaca (esse espécime longe da extinção) virou o esporte preferidos dos internautas por alguns dias. Ninguem mais os levou a serio, coitados. Na verdade não havia e não há motivo para pânico. A decepção com o ataque extremista falho á Unb só serviu para demonstrar qual o modus operendi dos terroristas de primeira viajem.. Os medrosos fazem sua apologia e ficam covardemente esperando até algum psicopata gaiato fazer merda (como de fato ocorreu) para depois "surfar" no atque bem-sucedido dos outros. Eles mesmos não têm coragem de fazer nada. E os poucos que têm coragem não têm know-how mas aguardamos que estejam a essa altura fazendo curso por correspondência com a Al-Kaeda, para não passar mais vexame. Terrorista que se preze, não foge de guarda à paisana,  vai pra frente e se explode!

Já que demonstrei toda minha afeição ao pessoal da Arkhan, farei minha critica de hoje. Tenho dito em vários locais que uma pequena parcela da culpa pelo surgimento desses monstrinhos se deve a falhas teóricas dxs militantes feministas. Um dos maiores problemas do feminismo, sobretudo ao chamada 2ª onda, ais ligada ao marxismo, é o de julgar que todas as questões referentes a ser humano perpassam necessáriamente por aspectos objetivos. Eu entendo que, pelo contrário, todos os entraves sociais têm origem na subjetividade.

A história fica contada da seguinte maneira: um bando de adolescentes 'nerds' e de subjetividade mal-formada, leva um "pé-na-bunda" de uma "lambisgóia feminista qualquer", e ,não tendo estrutura psíquica suficiente resolvem "surtar" e sair pregando a vingança contra as mulheres na base da bordoada. Essa versão não é minha, eram ELES mesmos que a apresentava no blog. Me parece uma versão bem coerente, insana, mas coerente. E se, apenas como exercício intelectual, a história fosse o contrário? "ADOLESCENTE CANSADA DO 'MACHISMO' DE SEUS PARES VIRA SERIAL KILLER, PERSEGUE E MATA HOMENS", seria um belo tema para Hollywood e provavelente as mesmas feministas que metem o porrete nos "mascus" achariam a tal heroína um exemplo a ser seguido.

Por que se defende a subjetividade feminina e não a masculina? Por que se mascara problemas estruturais mais graves em nossa sociedade com o superficial "pancake" do "combate ao machismo"?  E bandeira do feminsmo que só as mulheres têm o direito de ficar histéricas? Enfim, entendo que a tragédia anunciada dos "mascus" possa ter origem na incopreensão e na falta de interesse por intelectuais e militantes pelo tema das masculinidades, o que tem sido proposto agora justamente pela tão criticada e tão pouco "engajada" terceira onda feminista. Quem é o sujeito político do Feminismo? Se for apenas a mulher, sinto muito , mas continuarão morrendo sem saber de que direção vieram as balas.

As maiores desgraças advêm da nossa dificuldade de compreender o outro.

Já me repetiram o velho ditado "tá com pena, leva pra casa". Já propus levar os "coitadinhos" embaixo do braço pra dar um bom trato, mas ninguem me levou a sério. Magoei (chuif...)

Quem quiser me xingar ai nos comentários fique a vontade.

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Aventuras e desventuras no Rio-"First Blood"= Chegada não tão triunfal

sábado, 14 de abril de 2012.
Ave Butler! Hail Mott!

Hoje vou contar como tenho me virado na cidade grande e como tem sido meu dia-a-dia nessa nova fase da minha vida. Para quem ainda não me conhece, eu sou uma curitiboka (curitibana boboka) que há anos venho tentando conhecer a Cidade Maravilhosa e começar no Rio de Janeiro um bela carreira acadêmica. Até que neste presente ano de 2012, consegui uma vaga no Intituto de História da UFRJ, lar dos esquerdopatas (nem tanto assim) e instituição "milenar" onde já estudou ninguem mais, ninguem menos que o imperador D. Pedro II. Pode paracer bobagem, mas para estudantes de História isso é muuuuito chique!

"Um pequeoo paso para uma "trans" pós-gênero..."
Minha chegada triunfal com toda POMBA e circunstância, que o momento exigia foi marcada por uma atitude assumidamente punk: como sou de "origem humilde" (leia-se "fudida e mal-paga" ) e precisava aparecer no predio do IFCS, para marcar presença, e não havia conseguido lugar pra morar- a PORRA da bolha imobiliária e a proximidade da Copa e Olimpíadas está tornando a ideia de se mudar pro Rio cada dia mais inviável- tive que escolher entre perder a vaga que havia consquistado com tanto sofrimento ou me aventurar e dar de cara na porta. Resultado: "amanheceu, peguei a sacola, botei a viola (juntei o coturno véio de guerra) e fui viajar". Cheguei literalmente de mala-e-cuia no prédio histórico da antiga Escola Politécnica, no centro da cidade e meti o pezão na porta!

O bonde das sapatômica
Os novos colegas me receberam surperbem, formam muito solicitos e me aceitaram de braços abertos que nem o Cristo Redentor. Com destaque prazamiga sapatômica Tati e Bia (foto ao lado) que meu santo bateu logo de cara.
 A primeira semana foi definitivamente trash, correndo loucamente de uma lado a aoutro da cidade, mas por outro lado foi bastante interessante, por que dormindo na casa ora de um, ora de outro, conheci varias realidades urbanas. Dos hoteis chiqúerrimos do Catete (0nde passei a primeira noite, com a ajuda de uma amiga militante que pagou o pernoite pra mim e de onde fui ao Aterro do Flamengo ver o nascer do sol por trás do Paõ de Açucar na primeira manhã), passando pelos prédios de classe média do Méier e pelo bairro charmoso e boêmio de Santa Tereza. Até que, enfim, consegui uma vaguinha na belíssima Ilha do Fundão, mais exatamente no Alojamento Estudantil, de onde posto esta maravilha de relato- mais tarde falarei mais sobre as vantagens de se morar numa Casa de Estudantes, por ora, cobradores terão que passar pelos cães de guarda que ficam na frente do prédio, hehehe.

"O primeiro engarrafamento a gente nunca esquece"
E por fim, mas não menos importante, pude ter algumas experiências impares e ainda inéditas para uma curitiboka deslumbrada com as belezas da Cidade Maravilhosa. Conheci muitas pessoas bacanas e interessantes, como a megamilitante Indianara Siqueira, uma "mulher normal de peito e de pau" que mete paulada nas contradições do Processo Transexuailizador e do movimento organizado. Fugi correndo com azamiga pro Teatro João Caetano, fugindo de meu provável primeiro arrastão no centro. Passei um perrengue danado no transito caótico, meu primeiro engarrafamento decente (vide foto ao lado). Conheci o lado triste da vida, entrando em contato com os moradores de rua do Largo São Francisco, uma lição de vida..


Não sambei, não fui a praia, AINDA não voei de asa-delta e parafreaseando o pessoal do Casseta, "não comemos ninguém". Ou seja, não tô triste, nem feliz, muito pelo contrário...

O clipe de hoje é o som superdançante de Gloria Estefan & Miami Sound Machine, afinal todo mundo sabe que a musica tradicional do Rio é a Conga, a Lambada, o Tango e o Chachacha, e a capital cultural do Brazil é Buenos Aires.




NO PROXIMO POST: "Aberta a temporada de caça ao babaca".

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